Doze(12) fatores que afetam a fertilidade feminina e você nem imaginava

Texto publicado no portal Dicas de Mulher em 23/05/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

Magreza excessiva, exposição a produtos como esmaltes e exercícios físicos em excesso são alguns exemplos.

A maioria das pessoas já tem consciência de que a fertilidade da mulher diminui à medida que ela fica mais velha. Dessa forma, quem deseja engravidar “de primeira”, se possível, deve evitar deixar para muito tarde.

Ana Paula Aquino, especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, explica que as mulheres nascem com certo número de óvulos, chegando à puberdade com 300 mil óvulos disponíveis nos seus ovários, em média. “A cada ciclo menstrual algumas centenas de óvulos são recrutados, para que somente um atinja a maturação e posterior ovulação. Infelizmente, não há como regenerar a quantidade de óvulos ao longo da vida. Portanto, a fertilidade da mulher é proporcional à sua idade. Até os 30 anos, uma mulher saudável tem uma quantidade e qualidade ovular consideravelmente boa e costuma ter menos problemas para engravidar”, diz.

A partir dos 35 anos, destaca a especialista, a reserva de óvulos da mulher já começa a diminuir consideravelmente, com a queda natural da fertilidade, e isto se torna mais visível após os 40. “A qualidade ovular também cai e isto se reflete em óvulos propensos a erros na sua divisão celular, produzindo mais embriões com alterações genéticas, que são impeditivos de gerar uma gravidez saudável, aumentando, assim, a taxa de abortamento”, explica.

Porém, o que nem todo sabe é que, até mesmo durante os anos mais férteis, algumas escolhas de estilo de vida e fatores externos podem afetar as chances de uma mulher engravidar. Abaixo você conhece fatores – alguns até inusitados – que podem afetar negativamente a fertilidade da mulher.

 1. Obesidade

Ana Paula explica que as mulheres obesas possuem um metabolismo dos hormônios esteroides sexuais alterados. “Como, por exemplo, o aumento da produção de estrogênio, produzido tanto pelo ovário quanto pelo tecido adiposo. Isso pode provocar alterações ovulatórias, como irregularidade menstrual, ausência de menstruação (amenorreia), alteração na receptividade endometrial – que dificulta a implantação do embrião – ou aumentando a chance de abortos”, diz.

As principais causas de infertilidade nas pacientes obesas, de acordo com a especialista, são: redução da frequência de ovulações, alterações nos esteroides sexuais, pior qualidade oocitária e dos embriões formados.

Como evitar?

Ana Paula explica que o ideal, a fim de se evitar esses transtornos, é manter um IMC (índice de massa corpórea) entre 20 e 25 kg/m2, considerado normal. “Podendo ser aceitável até 30 kg/m2, mesmo já considerado sobrepeso. Uma alimentação adequada e prática de atividade física regularmente podem evitar esse fator”, destaca.

2. Magreza excessiva

Tanto a obesidade quanto a magreza excessiva, com IMC abaixo de 17 kg/m2, prejudicam a fertilidade feminina. “A falta de peso interfere na produção hormonal, diminuindo a produção de estrogênio no organismo, e podendo levar a perturbações no ciclo menstrual e ovulatório, causando uma dificuldade na concepção”, explica Ana Paula.

Como evitar?

De acordo com a especialista, para evitar esse tipo de problema, a mulher deve ter uma dieta balanceada e saudável, sem exageros na busca por um corpo perfeito.

3. Distúrbios da tireoide

Marcello Valle, especialista em Reprodução Humana, e diretor da clínica Origen (RJ), explica que o hipotireoidismo (quando a quantidade de hormônios produzidos pela tireoide está abaixo do normal) é muito frequente nas mulheres. “E, quando não controlado, pode diminuir a fertilidade ao interferir no chamado eixo hormonal hipófise-ovariano”, diz.

Como evitar?

O especialista destaca que, ao procurar precocemente um médico, a doença pode ser facilmente diagnosticada através de exames de sangue e ultrassonografia da tireoide, e o tratamento, logo iniciado.

4. Cafeína em excesso

Você adora um cafezinho?! Tomá-lo com moderação não oferece problema nenhum, muito pelo contrário, pode até oferecer benefícios à saúde. Mas, em excesso, não é recomendado, devido à alta quantidade de cafeína.

Valle destaca que, apesar da relação entre cafeína e fertilidade ainda não ser clara, recomenda-se o consumo com moderação. “Acredita-se que seja razoável o equivalente ao consumo máximo de duas xícaras de café ao dia”, diz.

Como evitar?

É só não exagerar na quantidade de café e outras bebidas que contêm cafeína (chá verde, chá preto, refrigerante à base de cola etc.). Tomar duas xícaras de café ao dia, por exemplo, não oferecerá riscos.

5. Genética

Ana Paula explica que se a mulher possui uma alteração genética no seu conjunto cromossómico (cariótipo), esse pode ser um fator de infertilidade. “Alterações genéticas podem causar, principalmente, abortos de repetição, considerados um problema após a ocorrência do terceiro consecutivo”, diz.

Como evitar?

Nesses casos, orienta a especialista, o recomendado é buscar um tratamento de reprodução assistida, “além de um diagnóstico genético pré-implantacional, a fim de se investigar o embrião. Dessa forma, permite-se que somente sejam transferidos embriões geneticamente normais”, destaca.

6. Exposição a produtos químicos domésticos

Ana Paula explica que alguns componentes químicos presentes em uma série de produtos domésticos, como produtos de limpeza, tintas, alimentos com corantes, solventes, esmaltes para unhas, cosméticos e tinturas podem ser muito tóxicos se manuseados em excesso e podem afetar negativamente a fertilidade feminina.

“Alguns desses componentes são formaldeído, éter, percloroetileno e tolueno, entre outros. Os efeitos nocivos encontrados são: abortos espontâneos, malformações fetais, menstruação irregular, além de uma diminuição na fertilidade como um todo”, destaca a especialista.

Como evitar?

Na prática, não é possível apontar uma solução definitiva para evitar a exposição a tais componentes. Mas buscar uma alimentação mais saudável, optando sempre que possível por alimentos naturais, já é um caminho (que diminuirá, assim, o consumo de alimentos com corantes pelo menos).

É interessante tentar evitar, dentro do possível, o contato com esses componentes. Claro que esta tarefa, na maioria das vezes, é complicada e de difícil incorporação à rotina, mas, estar ciente desses problemas, é útil e é um fato que poderá ser conversado e debatido com um profissional da sua confiança.

7. Profissões

Pouca gente sabe, mas algumas profissões, indiretamente, também podem interferir na fertilidade, conforme explica Valle. “Principalmente aquelas com exposição excessiva a poluentes ambientais, contato com produtos químicos voláteis e aquelas submetidas a altas temperaturas”, diz.

Como evitar?

Mais uma vez não é possível apontar uma solução definitiva para evitar o problema. O melhor caminho é conversar a respeito do assunto com um especialista de sua confiança que poderá orientá-la da melhor maneira caso sua profissão possa estar interferindo indiretamente na sua fertilidade.

Ainda é necessário avanço nas pesquisas acerca dos efeitos sobre a fertilidade (feminina e masculina) devido à exposição. Em consequência, esses avanços permitirão o desenvolvimento de ações preventivas.

8. Doenças ginecológicas

Valle explica que a síndrome dos ovários micropolicísticos, a endometriose e os miomas uterinos são doenças ginecológicas muito comuns que levam diversos casais ao consultório de infertilidade conjugal.

Como evitar?

Infelizmente, destaca o especialista, não há como preveni-las. “Mas o diagnóstico precoce pode amenizar os sintomas, impedir a piora progressiva da doença e proporcionar ao casal um caminho mais objetivo até a gravidez”, diz.

Neste contexto, reforça-se a necessidade de fazer visitas regulares ao médico ginecologista, estando sempre atenta à saúde de uma forma geral (independentemente do desejo de engravidar).

9. Tabagismo

Ana Paula destaca que o tabagismo pode interferir negativamente na fertilidade da mulher, e em muitos fatores. “O tabagismo causa uma maior taxa de infertilidade, diminuição da fecundidade e aumento no tempo para concepção. Todos esses fatores provocam danos no sistema reprodutivo da mulher”, diz.

Além disso, acrescenta a especialista, os componentes tóxicos presentes no cigarro podem provocar falência ovariana precoce, “acelerando a chegada da menopausa em um a quatro anos; menor número de folículos ovarianos; dificuldade no transporte do embrião das tubas até a cavidade uterina, pois afeta a mobilidade ciliar destas, o que pode levar a um maior número de gestações ectópicas tubáreas; alterações cromossômicas e do DNA, interferindo na gametogênese; e, finalmente, maior número de perdas gestacionais”.

Vale destacar ainda que o tabagismo é uma preocupação em diversos países e pode afetar a fertilidade tanto feminina como masculina.

 Como evitar?

O tabagismo é um vício grave, que pode oferecer diversos problemas à saúde (e não só em relação à fertilidade). Dessa forma, não há outro caminho a não ser evitá-lo totalmente.

10. Doenças sexualmente transmissíveis

Entre outros problemas, as doenças sexualmente transmissíveis podem afetar negativamente a fertilidade da mulher.

“Elas interferem na resposta imunológica e inflamatória, com impactos negativos no funcionamento dos órgãos pélvicos, levando à diminuição da fertilidade. Neste universo, a Chlamydia continua sendo um dos micro-organismos mais frequentes”, destaca Marcello Valle.

Como evitar?

É fundamental evitar as doenças sexualmente transmissíveis e isso pode ser feito principalmente através do sexo seguro, feito com camisinha, e, também, de consultas regulares com o médico ginecologista, realizando todos os exames pedidos por ele.

11. Estresse

Valle explica que, na última década, diversos trabalhos científicos vêm relacionando o estresse com a diminuição da fertilidade do casal, perdas gestacionais e piora nos resultados perinatais.

Como evitar?

Por mais que pareça muito difícil, é preciso se esforçar para controlar o estresse que, em excesso, pode oferecer diversos problemas à saúde. Boas dicas para isso são: se exercitar, ter uma alimentação balanceada (de preferência contando com a orientação de um nutricionista), reservar um tempo para fazer coisas que gosta, dormir bem, ter um período do dia exclusivamente para relaxar etc. Em alguns casos é muito importante ainda procurar ajuda de um profissional da área.

12. Exercício físico em excesso

A atividade física de forte intensidade pode reduzir a fertilidade por gerar um bloqueio no eixo hipofisário-ovariano, conforme explica Ana Paula. “A endorfina liberada com a prática de exercícios vigorosos inibe a hipófise, comprometendo a ovulação. Isso causa uma alteração ovulatória e, consequentemente, anovulação e ausência de menstruação”, diz.

Como evitar?

A orientação é apenas “não exagerar”. De acordo com Ana Paula, exercícios leves a moderados são úteis e ajudam a aumentar a chance de concepção do casal, pois levam a um equilíbrio metabólico e hormonal. “Quando é feito com moderação e acompanhamento, é positivo. A manutenção de um peso adequado, com IMC ideal entre 20 a 25 kg/m2, melhora a disponibilidade dos hormônios relacionados ao ciclo menstrual e ovulação”, destaca.

Uso prolongado de anticoncepcional x fertilidade

Uma dúvida comum é se o uso de anticoncepcional por um longo período pode afetar negativamente a fertilidade da mulher (mesmo que depois ela pare o uso).

Vale explicar, porém, que o uso prolongado de pílulas anticoncepcionais não afeta a fertilidade porque não interfere na diminuição do número de óvulos ao longo da vida. “Os mecanismos que levam a esta redução ocorrem de forma semelhante com ou sem o uso de pílulas”, destaca.

Amamentação X Gravidez

Outra dúvida relativamente comum é: a mulher que ainda está amamentando pode ter dificuldade para engravidar de novo?

Ana Paula explica que, na verdade, a amamentação exclusiva (leite materno como único alimento do bebê) nos primeiros seis meses de pós-parto pode ser usada como um método contraceptivo, a fim de se evitar uma gestação neste período.

“A sucção frequente por parte do bebê envia impulsos nervosos ao hipotálamo materno, que responde alterando a produção dos hormônios hipofisários, o que leva à anovulação e amenorreia. Desse modo, a mulher não ovularia, evitando uma gravidez”, destaca a especialista.

 Fatores que afetam a fertilidade do homem

A fertilidade do homem pode ser afetada de diversas maneiras, assim como a fertilidade feminina. Ana Paula Aquino destaca que os principais fatores responsáveis são:

Tabagismo: altera a concentração e motilidade dos espermatozoides.

Obesidade: aumenta a temperatura escrotal; aumenta o índice de fragmentação do DNA espermático (falha no processo de fertilização); diminui a concentração espermática e piora o padrão de motilidade do sêmen; aumenta o risco de disfunção erétil devido aos baixos níveis de testosterona.

Consumo de álcool: diminui a testosterona circulante; diminui o número total de células no ejaculado; altera a motilidade e morfologia espermática.

Produtos tóxicos: alterações seminais (relativas ao sêmen), principalmente de concentração.

Exercícios físicos em excesso: diminui o nível de testosterona e a concentração de espermatozoides.

Esteroides anabolizantes: inibem a produção de gonadotrofinas, prejudicando a produção espermática.

Caxumba: pode levar a atrofia testicular e interromper a produção de espermatozoides.

Diabetes: maior fragmentação do DNA espermático.

Varicocele: causa mais comum de infertilidade masculina; causa aumento de temperatura local, prejudicando a produção de espermatozoides.

Medicamentos: como finasterida, espironolactona, bloqueador do canal de cálcio, alupurinol, ranitidina, cimetidina, cetoconazol, nitrofurantoína, eritromicina, gentamicina, antipsicóticos, entre outros; causam alterações seminais.

Marcello Valle ressalta que dentre os fatores mais comuns da infertilidade masculina está a varicocele (dilatação das veias na bolsa escrotal). “As causas externas como exposição a poluentes, trabalhar em lugares com alta temperatura, tabagismo e uso de drogas têm grande importância”, diz.

“A orquite – inflamação dos testículos – como complicação da caxumba deve ter atenção. São menos comuns condições congênitas como malformações dos órgãos genitais internos e externos, além de síndromes genéticas”, finaliza o especialista.

O casal que deseja ter filhos deve estar bastante atento a esses fatores e não deve hesitar em procurar ajuda de um especialista, se for o caso.

Então, se sua ideia é engravidar, evite os fatores que podem afetar negativamente sua fertilidade. Isso é possível, de forma geral, cuidando da sua saúde da melhor maneira possível e seguindo bons hábitos de vida.