Anticoncepcionais não prejudicam, mas também não prolongam fertilidade da mulher

Medicamentos orais contraceptivos não causam infertilidade e nem conseguem preservá-la, o fator idade continua a ser o principal motivo do declínio fértil

Pílulas anticoncepcionais não prejudicam a fertilidade da mulher após a interrupção de sua utilização, mesmo após longo tempo de uso. “O que acontece é que muitas mulheres tomam o medicamento regularmente durante o período fértil da vida e, quando decidem parar, já se encontram em uma idade que não é favorável às funções reprodutivas ou descobrem que possuem doenças que causam a infertilidade”, diz a Dra. Fernanda Rodrigues, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington.

De acordo com a médica, o uso de anticoncepcionais não prejudica e tampouco prolonga a fertilidade na mulher, conforme dizem alguns mitos. A medicação composta por estradiol e progesterona apenas bloqueia o ciclo menstrual. Mais do que isso, uma das vantagens decorrentes da utilização dos contraceptivos orais é que podem diminuir a incidência de algumas doenças como câncer de ovário, endometriose e mioma uterino. Além disso, também são usados como tratamento para alguns casos de ovários policísticos. Com o bloqueio hormonal, o estrogênio existe em menor abundância no organismo e pode evitar a manifestação dessas doenças. É claro que isso não é uma regra e também depende de outros fatores como os genéticos.

Depois do anticoncepcional

Não há contraindicação para que a mulher tente engravidar logo após parar com os anticoncepcionais. “Na maioria das vezes, as funções reprodutivas voltam ao normal um mês após a interrupção da medicação. Em casos de mulheres que fizeram o uso prolongado e ininterrupto do medicamento por alguns anos, pode levar de três a seis meses até que o ciclo menstrual se regularize”, diz Dra. Fernanda.  Passado esse período, se ainda for verificado que o ciclo menstrual não voltou ao normal ou que não ocorre mais a menstruação, a pessoa deverá procurar um médico para checar o que está acontecendo exatamente.

De olho no relógio

“É muito importante que a mulher fique atenta à idade em que pretende engravidar. Por desconhecer seus potenciais reprodutivos e por acreditar cegamente nos avanços da medicina, as mulheres acreditam que podem engravidar a qualquer momento. Esse é um deslize que pode trazer algumas frustrações futuramente”, diz a médica sobre a má surpresa que algumas mulheres têm ao descobrir que sua reserva de óvulos se esgotou, ou que suas células já não tem qualidade o suficiente para gerar embriões saudáveis – consequências do avanço da idade biológica.

“O uso de anticoncepcionais apenas breca o ciclo menstrual, no entanto, o declínio da fertilidade, com o tempo, acontece naturalmente. A mulher que for mais previdente quanto a seu sonho de ter filhos, deve procurar fazer alguns exames que possam mostrar a situação do seu sistema reprodutivo e, a partir de então, ter uma estimativa de qual são as possibilidades ou até o melhor momento para que ela consiga engravidar futuramente sem sustos”, aconselha.