Falta de informação e exames específicos levam mulheres à angústia da infertilidade

Exames simples e real conhecimento das funções reprodutivas podem prevenir sustos no momento de tentar engravidar

Apesar dos avanços da medicina, ainda existe uma grande desinformação de algumas mulheres sobre o real peso da idade em suas funções reprodutivas. Ao tentarem engravidar em idade tardia, ficam chocadas por não acreditarem que o organismo já não pode mais lhes dar um filho a partir de um óvulo próprio. Esse é o alerta que faz a Dra. Thais Domingues, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington, se referindo aos inúmeros casais que chegam aos consultórios especializados em reprodução humana para tentar engravidar. O reflexo de uma maternidade que não foi planejada em longo prazo pode ser angústia e arrependimento.

Para a médica, exames simples como o FSH, estradiol, contagem dos folículos antrais no ultrassom e antimülleriano não costumam ser pedidos pelos ginecologistas por precisarem ser feitos em períodos específicos. “Por isso muitas ficam incrédulas ao perceberem o tamanho da dificuldade que terão para engravidar, pois, até então, os exames solicitados constantemente pelos ginecologistas mostravam que o sistema reprodutivo estava bem. Acontece que as avaliações de rotina não conseguem identificar o declínio da reserva ovariana, que poderia ser identificada pelo antimülleriano, por exemplo”, explica a médica.

Outro fator agravante é a ideia muito celebrada pela mídia, e até mesmo pelo círculo de amigas, de que muitas mulheres engravidam por tratamentos de fertilidade quando estão em seus 40, 45 anos ou mais. “Elas esquecem que aquelas que obtiveram sucesso com o tratamento nessa faixa etária podem ter recorrido aos óvulos doados, uma vez que nessa idade a probabilidade de ter essas células em quantidade e qualidade é pequena”, alerta a médica. Ainda de acordo com a especialista, ninguém toma consciência desse fato porque muitas mulheres não contam quando fazem tratamento de reprodução assistida para engravidar, e quando o fazem é porque deu certo, sem mencionar a ovodoação – se esse for o caso.

As pacientes com dificuldades de engravidar, e que procuram a clínica, geralmente são mulheres com uma carreira sólida. “Elas esperaram para ter filhos em um momento em que estivessem estabilizadas profissionalmente. Isso demanda algum tempo. O problema é que o relógio biológico não para e as reservas ovarianas continuam involuindo”. Outras ainda só cogitam engravidar quando finalmente conhecem o parceiro com quem gostariam de ter o filho, e para muitas esse episódio vem também em uma idade reprodutivamente desfavorável.

Congelamento de óvulos: o “seguro maternidade” da mulher moderna

A mulher que pretende ser mãe deve ficar atenta à sua idade, consultar um especialista para avaliar sua reserva ovariana e decidir até quando conseguirá esperar para ter o primeiro filho. Outra solução que se torna cadê vez mais popular, e de grande ajuda àquelas que pretendem postergar a maternidade, é a criopreservação dos óvulos, que nada mais é que o congelamento dessas células através de nitrogênio líquido à baixíssima temperatura. Essa tecnologia permite preservar a qualidade dos óvulos por anos sem que sua estrutura seja prejudicada. Dessa forma, muitas mulheres poderão ficar mais tranquilas quanto à realização desse sonho.