Diabetes com índice alto de glicemia pode comprometer a fertilidade

Texto publicado no portal MDEMULHER em 26/03/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

O diabetes é uma doença crônica, que causa a diminuição da produção da insulina ou resistência a sua ação. Seus sintomas mais conhecidos são o aumento da vontade de urinar, aumento de infecções fúngicas, impotência, sensação de cansaço e má cicatrização e circulação. Mas o que muitos pacientes não sabem é que, quando não está compensado, o diabetes pode causar problemas sérios à fertilidade de homens e mulheres.

O paciente diabético tem duas condições da doença: compensada e descompensada. Ambas são relacionadas ao nível de glicemia do paciente. Se estiver com níveis normais, o diabetes está compensado, e, se há alterações nesses índices, está descompensado. O controle pode ser feito com medicações ou insulina.

Vale ressaltar que o tipo de diabetes não é o principal fator de relação com a infertilidade, mas sim os níveis de glicemia. Quando descompensado, o diabetes provoca o aumento do açúcar no sangue e distúrbios no metabolismo das gorduras e das proteínas. Essa situação pode levar as mulheres a uma anovulação crônica, ou seja, uma ausência de ovulação. Nos casos de infertilidade feminina, o quadro é reversível, mas na infertilidade masculina há uma dependência de haver comprometimento das terminações nervosas (neuropatia) ou não.

Nos homens, pode ocorrer um aumento da fragmentação do DNA do espermatozoide, diminuindo as chances de fertilização e aumentando as chances de abortamento. Em alguns casos, esse quadro também pode provocar a ejaculação retrograda, levando os espermatozoides que deveriam sair pela uretra na ejaculação para a bexiga. Esses efeitos também podem ser em pacientes diabéticos compensados, mas em menor escala.

Quando há fecundação, o alto nível da glicemia também causa problemas. Existe um aumento dos casos de abortamento espontâneo e também de malformações relacionados ao diabetes descompensado. Os mais comuns são malformações cardíacas; disgenesia sacral (anomalia do desenvolvimento da porção final da coluna) e holoprosencefalia (ausência do desenvolvimento do lóbulo frontal do cérebro do embrião).

O risco gestacional é maior por outros motivos. Há maior índice de macrossomia fetal (recém- nascidos com muito peso), síndrome do desconforto respiratório, asfixia, hipoglicemia neonatal (queda dos níveis de açúcar no sangue após o nascimento), polidramnio (excesso de líquido amniótico), atonia uterina (alterações nas contrações do útero), entre outros problemas.

Para quem têm diabetes e quer manter a fertilidade, a dica é simples: mantenha-o compensado antes de tentar engravidar. O controle do nível de glicemia do paciente diabético é a chave para não ficar infértil. Muitas das lesões causadas são reversíveis e podem ser evitadas quando os níveis de glicemia estão em valores normais.

Dr. Maurício Chehin, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.