Entenda como preservar sua fertilidade

Especialista em reprodução assistida dá dicas e recomendações para a mulher moderna que quer adiar a maternidade

Adiar a gravidez é uma realidade e uma tendência comportamental e cultural percebida na vida de muitas mulheres, principalmente nas mais jovens. Pode acontecer por uma série de motivos: o foco na carreira, a espera do parceiro ideal ou, até mesmo, a busca pelo corpo perfeito. Em lembrança ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8/3, a Dra. Karla Zacharias, médica especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, selecionou informações importantes para orientar aquelas que possuem outros objetivos e querem adiar a maternidade, mas desejam – não menos que todas as outras – ter filhos, um dia.

Os dados comprovam a tendência: em 1991, a média de filhos por família era de 2,9. Essa taxa vem caindo anualmente e chegou a 1,7, em 2014, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do adiamento da decisão, a taxa de fecundidade também caiu no Brasil. “A mulher do século XXI tem outras prioridades, em um comportamento que difere do visto no século passado e que pode trazer problemas para a fertilidade em longo prazo”, observa a médica.

Isso ocorre porque o relógio biológico não acompanha as mudanças comportamentais e pode ser implacável. “Os melhores óvulos são os primeiros a serem perdidos: aos 25 anos, mais de 70% deles já foram descartados pelo corpo. Uma mulher de 35 anos tem 80% mais chances de engravidar do que uma de 40 anos. A partir daí, as chances podem ser muito pequenas”, analisa a especialista.

Como preservar a fertilidade por mais tempo?

É possível se preparar fisicamente e psicologicamente para conseguir engravidar com mais idade. Algumas ações simples podem ser importantes para a conservação dos óvulos das mulheres. A médica dá algumas dicas à mulher moderna, sobre como manter a fertilidade por mais tempo:

  • Visitar um ginecologista periodicamente pode revelar desequilíbrios hormonais ou outras situações perigosas, que possam afetar a fertilidade;
  • Uma dieta balanceada, com adição de alguns alimentos benéficos, pode ajudar a fertilidade. Consumir Ômega 3, presente em nozes, ervilhas  e peixes de água fria como salmão e sardinha, por exemplo, ajuda o sistema de reprodução;
  • A prática de exercícios físicos para manter a forma é aconselhada. Uma mulher acima do peso está sujeita a mais disfunções hormonais e ovulatórias. Quando conseguem engravidar, a obesidade é prejudicial à gravidez;
  • A pílula anticoncepcional tem baixo conteúdo hormonal e pode até contribuir com a fertilidade, ao prevenir a endometriose, por exemplo. Após um tempo de interrupção de uso, a chance de engravidar volta ao normal;
  • Atenção ao uso de drogas e medicamentos. Fumar, consumir bebidas alcoólicas em excesso, antidepressivos, anabolizantes e outras drogas afeta a qualidade dos óvulos;
  • O estresse pode alterar as taxas hormonais, que afetam as funções ovarianas, modificam os ciclos menstruais e, em quadros mais avançados, cessam a menstruação;

Além das questões fisiológicas, a questão psicológica também é importante para a fertilidade. Quando se decide engravidar, o cenário costuma vir acompanhado de um quadro de tensão, ansiedade e expectativa. Aproximadamente dois em cada cinco casais (39%) mencionam aumento do estresse e da tensão em seus relacionamentos no período em que tentam ter filhos.

Um acompanhamento psicológico pode evitar o desenvolvimento de doenças, como a depressão ou o transtorno de ansiedade. Atividades como ioga, meditação, massagens e acupuntura podem ajudar a reverter o quadro de estresse. “O mais importante é a mulher saber as limitações de seu corpo para se programar para ter filhos. No caso de uma reserva ovariana diminuída, comum em mulheres com mais de 30 anos, as opções de reprodução assistida, como inseminação artificial e Fertilização In Vitro, podem ser uma solução”.

O congelamento de óvulos

A médica lembra que há outra possibilidade segura para preservar a fertilidade: o congelamento de óvulos, que mostra um alto índice de resultados positivos, de cerca de 30%. “O congelamento é mais indicado a casos de doenças que impeçam a paciente de engravidar imediatamente e para quem pretende ter filhos em idade bem avançada. O parceiro também pode congelar o sêmen, que pode permanecer neste estado por muitos anos antes de ser utilizado”, finaliza.

Dra. Karla Zacharias, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.