Esclarecendo a Síndrome dos Ovários Policísticos

Texto com participação do Dr. Eduardo Motta, publicado no Portal Sobre Elas em 13/08/2015. Clique aqui e acesse o texto no portal.

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A maioria das mulheres já ouviu falar na Síndrome dos Ovários Policísticos e, provavelmente, também já sentiu medo deste nome, pois, muitas vezes, ele está relacionado à temida infertilidade feminina.

Para esclarecer as principais dúvidas, explicitar sintomas, causas, diagnóstico e tratamento, o Dr. Eduardo Leme Alves da Motta, médico-diretor do grupo Huntington, preparou um material completo sobre o tema. Veja mais:

O que é?

A Síndrome dos Ovários Policísticos – ou SOP – é uma alteração endócrina, na qual a correta liberação dos hormônios produzidos pela hipófise, que controlam a ovulação, não é feita da forma adequada. Desta forma, a mulher passa a apresentar um quadro de falta de ovulação de forma crônica, que é manisfestado pelos ciclos menstruais irregulares e, por outro lado, os ovários passam a conter no seu interior uma série de folículos – comumente chamado de cistos – visíveis ao ultrassom, que representam este desequilíbrio ovulatório.

Qual o sintoma?

Os sintomas principais são a irregularidade menstrual, a oleosidade da pele, a acne e a pilificação exagerada (hirsutismo – aumento da produção de pelos), decorrentes do aumento na produção de androgênios pelos ovários, além da dificuldade de engravidar. Nestas mulheres, a obesidade é muito comum e ajuda a piorar a correta secreção dos hormônios. Contudo, vale lembrar que estes sintomas podem se manifestar de forma isolada ou conjunta, assim não existe a obrigação de que todos estejam presentes para caracterizar a SOP.

Como diagnosticar?

O diagnóstico é clínico e dado pelos sintomas descritos acima: irregularidade menstrual, acne e/ou hirsutismo, infertilidade e obesidade. Apesar disso, como existem outras condições que levam aos mesmos sintomas é possível realizar exames para excluir estas alterações. De maneira geral, encontram-se o hormônio LH maior que o FSH, o que não é comum no ciclo regular, além dos níveis dos androgênios e da insulina aumentados. Já o US identifica os ovários repletos de folículos que não se romperam, ou a imagem de microcistos. Mas, é válido excluir alterações da tireoide, da adrenal e da prolactina.

Qual o tratamento?

Como existem múltiplos formas da SOP se manifestar, o tratamento deve priorizar a maior queixa. Assim, a irregularidade menstrual pode ser corrigida por anticoncepcionais orais ou a infertilidade por medicamentos que estimulem a ovulação. Ou seja, o tratamento é individualizado. Porém, adequar os hábitos de vida, evitando a obesidade sempre é indicado.

Mais informações:

1. Quais são as principais causas da síndrome do ovário policístico?
Não se conhece o exato mecanismo que causa a SOP. Sabe-se que existem famílias onde sua prevalência é maior, mostrando que talvez exista uma base genética. Sabe-se, ainda, que determinadas situações também podem causar uma “reprogramação gênica”, assim bebês nascidos prematuros, ou de baixo peso, tem maior incidência do que a população normal. Mas, de todos estes fatores, sem dúvida, a obesidade é a maior indutora, pois ela leva ao excesso de insulina que age diretamente nos ovários, deturpando o correto mecanismo ovulatório.

2. É um problema comum entre as mulheres?
Sim, a SOP é a principal causa de irregularidade menstrual nas mulheres e sua incidência é estimada em 20-30% das adolescentes.

3. A síndrome dos ovários policísticos tem cura?
Por ser uma Síndrome de origem ainda obscura, não se conhece uma forma única e eficaz de tratamento. De forma geral, manter hábitos de vida saudáveis, fazer exercícios, evitando a obesidade, são atitudes de extrema relevância. Os sintomas são individualizados e o tratamento é específico para cada caso, mas de maneira geral, os resultados são muito bons, independente do principal sintoma.

4. Qual é a relação entre este problema e a infertilidade da mulher?
A SOP é a principal causa de falta de ovulação, o que leva à infertilidade. Acredita-se que, isoladamente, a SOP represente o principal problema da mulher jovem. Mas, vale ressaltar também que seu tratamento é bastante eficaz, pois os medicamentos disponíveis para estimular a ovulação ou bloquear a secreção alterada de hormônios são muito atuantes.

5. Depois de tratado é possível engravidar? E as chances de gravidez são altas?
Sim, o tratamento é eficaz e este grupo costuma reagir muito bem aos medicamentos.

6. Há alguma forma de prevenir esta Síndrome de Ovários Policísticos?
Novamente, evitar a obesidade é a principal forma de prevenção. Mas conhecer os antecedentes familiares – principalmente de mãe e irmãs – pode ser uma forma de abordar mais precocemente as pessoas propensas à síndrome e evitar sua exacerbação ao longo da vida.