Especialista em reprodução humana explica a importância da preservação da fertilidade antes do tratamento oncológico

Avanços da Medicina já permitem que homens e mulheres possam ter filhos com segurança mesmo após o tratamento contra o câncer

Os avanços da medicina têm proporcionado alguns benefícios para pacientes com diagnóstico precoce do câncer, além de aumentar as chances de um tratamento efetivo contra a doença, já que as chances de cura estão cada vez mais altas. Após receberem quimioterapia ou radioterapia, homens e mulheres em idade fértil conseguem preservar sua fertilidade com tratamento rápido e seguro em até 15 dias antes de iniciar o tratamento oncológico – e, assim, ter reais chances de sucesso de serem pais.

“Um dos efeitos da quimioterapia e radioterapia pode ser a infertilidade”, explica o Dr. Maurício Chehin, médico especialista em oncologia do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva. Segundo ele, dependendo da intensidade e frequência do tratamento oncológico, o sistema reprodutivo pode ficar permanentemente comprometido, tanto em mulheres como em homens. Desta forma, discutir o tema – preservação da fertilidade – torna-se premente. “Para o homem sempre foi mais fácil, basta congelar o esperma, mas para mulheres não é tão simples. Contudo, isso não significa que é impossível e, em centros de alta tecnologia, os procedimentos já são rápidos e sem desconforto”, completa.

O Dr. Chehin explica que é preciso ter acompanhamento médico e a preocupação deve ser primeiro com a saúde do paciente e depois com a preservação da fertilidade. O médico deve avaliar com seu paciente, no momento propício, a possibilidade dele ou dela se tornar infértil após o tratamento oncológico. O processo mais adequado é o encaminhamento do paciente pelo próprio oncologista ao especialista em reprodução assistida.

Preservando o sonho de constituir família

O Dr. Maurício Chehin lembra que é comum, nessa situação, o paciente sequer considerar que existe a possibilidade de infertilidade, caso o câncer seja vencido. “Isso é importantíssimo principalmente para pessoas que manifestam o câncer em idade precoce e sonham em construir futuramente uma família”, ressalta.

De acordo com a American Society for Radiation Oncology (ASTRO), apenas 40% dos raditerapeutas, 45% dos clínicos e 46% dos cirurgiões encaminham frequentemente seus pacientes nos Estados Unidos. No Brasil, esses índices são ainda menores. Ou seja, mais da metade dos pacientes sequer fica sabendo que podem preservar a fertilidade antes do tratamento com quimio ou radioterapia.

Técnicas usadas

Hoje, o tratamento de preservação da fertilidade conta com técnicas avançadas, dando ao paciente tempo hábil para começar os procedimentos quimioterápicos ou radioterápicos. No caso das mulheres, o procedimento é feito entre 10 e 15 dias antes do início do tratamento oncológico, e pode ser realizado em qualquer fase do ciclo sem que ela tenha que esperar a próxima menstruação.

Os óvulos obtidos seriam preservados ou, no caso de mulheres casadas, fertilizados e congelados por técnicas que não danificam de forma alguma as células. Para os homens, o processo é bem mais simples, seriam recolhidas e armazenadas de duas a três amostras de sêmen em até cinco dias, garantindo uma boa reserva reprodutiva. Existem ainda técnicas de congelamento de tecido ovariano e tecido testicular que podem ser realizados em casos específicos. “Após esses procedimentos, o paciente estará apto para voltar ao seu oncologista e dar início ao tratamento oncológico”, esclarece o Dr. Maurício Chehin.