Estresse pode ser causa de infertilidade e dificultar tratamentos de reprodução assistida

Situações de grande ansiedade e tensão causam reações fisiológicas que podem interferir na fertilidade

De acordo com estudos feitos pela Universidade de Copenhagen, de cada dez casais que encontram dificuldades para engravidar, em média, quatro não possuem qualquer problema. Para os médicos, o estresse tem parcela de culpa por isso. “Não dá para afirmar que o estresse seja a causa específica da infertilidade. No entanto, já é possível confirmar a ligação dele com regiões nervosas reguladoras de hormônios”, explica a Dra. Thais Domingues, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington de Medicina Reprodutiva.

É um fato a relação do estresse com taxas hormonais que podem afetar funções ovarianas. As mulheres, por exemplo, percebem alterações no ciclo menstrual e até mesmo podem parar de menstruar, de acordo com o médico. Alguém sob constante estresse também pode ser afetado por uma série de reações neuroquímicas responsáveis por proteger o corpo de influências externas que causam danos. Além disso, o hipotálamo – região do cérebro que coordena os processos metabólicos e outras funções autônomas – regula atividades neuronais ligadas tanto ao estresse quanto às atividades sexuais, o que pode fazer com que os efeitos no organismo, daí provenientes, estejam relacionados.

Dentro de um tratamento de reprodução assistida os fatores de estresse podem ficar ainda mais acentuados. “Não tem como não gerar expectativa e ansiedade quando a paciente tem de viver entre a possibilidade de conseguir ter um filho ou não”, observa a médica.

O excesso de ansiedade muitas vezes também resulta em falta de libido e de ereção nos homens. “O que se sabe é que o estresse também pode causar a redução da quantidade de esperma e de volume do sêmen”, diz a Dra. Thais. No auge do estresse, a pessoa também pode sentir palpitações, dores musculares, sensação de falta de ar, tontura, suor excessivo, extremidades frias e fadiga intensa.

Onde está a solução?

Terapias que desenvolvem o bem-estar físico e psicológico – tais como ioga, massagens e meditação – são utilizadas cada vez mais para combater ansiedade, tanto em homens como em mulheres. No Brasil, a acupuntura vem sendo empregada há pelo menos três anos, também por quem recorre a procedimentos de reprodução assistida, e tem se mostrado bem sucedida a ajudar pacientes a amenizar desconfortos que o tratamento possa causar. Os pacientes que têm atendimento pelo Grupo Huntington ainda podem contar com a indicação de psicólogos especializados em lidar com quadros delicados como esse.