Gravidez e Carreira

Texto publicado na Revista Downtown em 13/04/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal da revista.

Confira abaixo a matéria com a Dra. Fernanda Rodrigues, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington, sobre os limites biológicos que as mulheres precisam saber quando decidem adiar ou não uma gravidez.

Qual a média da faixa etária de mulheres que procuram pela fertilização assistida?

A clínica tem pacientes de todas as idades, mas pudemos observar um aumento da procura em pacientes acima dos 35 anos.

Dentre elas, existem as que adiaram ao máximo a maternidade?

Na última década, a mulher de um modo geral tende a adiar a maternidade o máximo possível em busca do parceiro ideal e, sobretudo, para alcançar uma estabilidade financeira. As últimas estatísticas do IBGE comprovam esse comportamento.

Existe algum questionamento sobre o procedimento atrapalhar a carreira de quem optou por engravidar tarde?

Como dito, as mulheres tem adiado a maternidade, principalmente por motivo profissional.  Porém, no momento em que decidem engravidar, elas colocam a carreira em segundo plano, principalmente quando notam que terão alguma dificuldade para alcançar o sonho da gravidez.

Você conversa com suas pacientes sobre as questões que envolvem uma gravidez?

Sim, conversa-se bastante com todas as pacientes sobre isso, principalmente aquelas que passam em consulta ginecológica anual de rotina e que ainda não estão planejando engravidar. As mulheres devem ser conscientizadas da real queda da fertilidade que ocorre com acima dos 35 anos e, principalmente, acima dos 40. Muitas pensam que a fertilização in vitro poderá resolver e ajudar em qualquer situação e que por isso podem adiar a maternidade tranquilamente. Porém, isso é uma ilusão.

É verdade que muitas mulheres conseguem engravidar com a ajuda da tecnologia e ciência, mas as taxas de gravidez também são menores com o passar da idade, mesmo fazendo tratamento de reprodução assistida. Portanto, é nosso dever explicar os limites biológicos da fertilidade feminina e aconselhar que, se possível, não adiem a gestação além dos 35 anos.

Mesmo que esteja no consultório, tem paciente que ainda não tem a certeza se deverá optar pela gravidez?

Existem pacientes que estão tão envolvidas com sua carreira que ainda se questionam se realmente desejam ser mães. Elas se quer imaginam a mudança da rotina e, por isso, acabam adiando ainda mais. Muitas ainda não encontraram o parceiro ideal e por isso também têm dúvidas sobre o desejo da maternidade.

Por outro lado, há muitas pacientes que optam pela maternidade independente, ou seja, se sentem seguras e estáveis financeiramente e, mesmo sem o parceiro ideal, fazem tratamento com banco de sêmen de doador e engravidam de maneira resolvida. Independentemente da situação: o mais importante é que as pacientes sejam informadas sobre os limites biológicos. É muito triste quando se atende pacientes já com a reserva ovariana diminuída – ou até mesmo ausente, falando que se soubesse antes que isso iria acontecer, tinha engravidado ou feito algum tratamento mais jovem. É por isso que a conscientização é fundamental para que cada paciente tome sua decisão.