Infertilidade masculina ainda é tabu para maioria dos brasileiros

Por motivos culturais o homem latino não se preocupa tanto com sua fertilidade

A infertilidade masculina continua um tabu. Apesar de 40% dos casos ter origem nos homens, raramente eles tomam a iniciativa para ter conhecimento sobre as próprias funções reprodutivas. “O homem não é tão previdente em relação à sua paternidade. Isso pode ter razões culturais, uma vez que, na maioria dos casos, ele não se preocupa em ter filhos até que essa possibilidade seja discutida pela parceira”, observa o Dr. Mauro Bibancos, médico especialista em fertilidade masculina do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva.

“O homem latino, por exemplo, costuma ser hiperconfiante quanto à sua capacidade de reproduzir. Não conseguir ter filhos por conta de alterações em suas estruturas reprodutivas é uma hipótese que ele sequer cogita”, comenta o médico. Segundo ele, isso acontece, muito provavelmente, pela ideia retrógrada e sem fundamento científico de que a infertilidade tem alguma relação direta com a virilidade. “Outra característica que permeia nossa cultura é a de que esses homens prezam muito se manter solteiros. Ter filhos cedo definitivamente não convém para muitos deles”, esclarece o médico.

Homens férteis até os 60 anos

A questão biológica também auxilia na falta de atenção dada à fertilidade masculina, isso porque para as funções reprodutivas deles não existem um ‘fim’. Diferente da mulher, o homem jamais finalizará sua função reprodutiva sem um acontecimento auxiliar como cirurgias e tratamentos. O sistema reprodutivo está constantemente produzindo novos espermatozoides e, ao contrário do sexo feminino, a qualidade e quantidade dessas células só começa a ser consideravelmente afetadas após períodos mais tardios, e não entre 35 e 40 anos, como no caso delas.

“O declínio brusco da fertilidade acontece com os homens, mas nas mulheres é inevitável”, explica Dr. Mauro. “A maioria deles só procura atendimento especializado quando já possui alguma doença congênita ou caso tenha passado por alguma enfermidade que levou à infertilidade. Apesar disso, o Dr. Mauro conta que cresceu o número de homens que, por curiosidade, procuram um especialista para saber como está sua capacidade para ter filhos.

O espermograma

Nesse caso, ele deve ser submetido a um espermograma, exame que analisa o sêmen através de critérios macro e microscópicos, para determinar a quantidade, a morfologia e a motilidade dos espermatozoides. Somado a outras análises, será possível compreender as causas de sua infertilidade e seguir para os próximos passos para que, finalmente, ele se torne pai.