Mãe na hora certa: saiba como funciona o congelamento de óvulos

Texto publicado no portal Yahoo.

As mulheres estão adiando a maternidade, seja por motivos pessoais ou profissionais, o número de mamães depois dos 30 passou de 22,5% em 2005 para mais de 30% em 2015, segundo dados do IBGE. A tendência social seria a idade aumentar cada vez mais, segundo especialistas, mas os riscos da gravidez tardia preocupam aquelas que desejam ter filhos. Foi pensando nisso que a radiologista Renata Andreosi, 37 anos, decidiu congelar seus óvulos. “Foi há dois anos, ainda não tinha parceiro e o sonho de ser mãe era grande”, explicou.

Renata não está sozinha e os motivos das mulheres que optam pela “preservação” da fertilidade são vários. Ela mesma tem três amigas próximas que decidiram pelo procedimento. “Algumas mulheres que já têm seus companheiros querem engravidar mais tarde pelo lado profissional. Congelar os óvulos é como um seguro, pois quando o desejo aparecer, os óvulos estarão lá”, afirmou Renata. Segundo o obstetra do Centro de Reprodução Humana do Hospital Santa Joana, Eduardo Motta, a maioria das pacientes que procura o congelamento dos óvulos tem mais de 35 anos e é solteira.

Nos últimos dois anos, de acordo com o coordenador médico da Huntington Medicina Reprodutiva, Maurício Chehin, houve um crescimento de 40% na busca pelo procedimento. “Muitas mulheres até os 35 anos ainda têm expectativas na vida profissional e não estão focadas na maternidade. Mas o relógio bate antes”, disse Chehin. Segundo ele, quanto mais cedo as mulheres optam por congelar os óvulos, mais chances têm de conseguir uma gestação saudável no futuro.

O planejamento é fundamental, até pelo custo do procedimento que varia de R$ 8 mil a R$ 13 mil. Motta explicou que não existe “idade máxima” para o congelamento dos óvulos, mas o recomendável é que seja feito antes de a mulher atingir 37 anos. O procedimento é relativamente seguro, no entanto, entre os riscos Chehin citou trombose arterial ou venosa, síndrome de hiperestímulo ovariano e sangramento. Complicações são raras, reforçou Motta: a perda de sangue foi observada em 1 a cada 1 mil casos e o crescimento dos ovários em 1 a cada 7.

Como funciona?

O coordenador médico da Huntington Medicina Reprodutiva enumerou quatro passos principais para o congelamento de óvulos. Na primeira fase, a mulher passa por uma série de exames para detectar o nível de fertilidade. Depois, a paciente começa o tratamento de indução da ovulação com medicamentos à base de hormônios. A coleta dos óvulos é feita com uma agulha acoplada a um aparelho de ultrassom. O último estágio é a criopreservação dos óvulos maduros e de qualidade. A taxa de sobrevivência ao descongelamento é de 95%, segundo Chehin.

Renata considerou o processo “tranquilo”. Ela passou por todos os estágios, até a retirada dos óvulos, quando sentiu “um pequeno desconforto no abdome”. “Foi como uma pequena cólica menstrual”, comparou. Para ela, porém, valeu a pena. Nesses dois anos que se passaram, a radiologista encontrou um parceiro e se casou. “A ideia é “engravidarmos” ainda nesse ano. Primeiro vamos tentar de forma natural, mas caso não aconteça, sei que meus óvulos estarão lá guardados para me permitir ser mãe”, contou.

A hora da maternidade

Não existe prazo limite para deixar os óvulos congelados, afirmou Motta. Uma vez que a mulher decide ser mãe, os óvulos são descongelados e fertilizados com o espermatozoide do doador ou companheiro. Cerca de cinco dias depois, os embriões são colocados no útero da mulher. As chances de dar certo são, em geral, 50% para congelamentos feitos quando a paciente estava com 35 anos ou menos; 35% para mulheres que passaram pelo procedimento entre 36 e 39 anos e 20% para óvulos com mais de 40 anos de idade, estimou o obstetra.

Todo o procedimento deve ser acompanhado por médicos especialistas. De acordo com Motta e Chehin, casos em que a mulher apresenta doença que causa diminuição da reserva ovariana são indicados para o congelamento de óvulos.

Dr. Maurício Chehin, coordenador médico do grupo Huntington.