Medicina Reprodutiva evolui e evita gestações gemelares inesperadas

Técnicas modernas transferem embrião no quinto dia e, aliadas à análise cromossômica, diminuem gestação de gêmeos

Gestações de gêmeos que antes eram frequentes em casos de tratamentos de reprodução assistida já podem ser evitadas com técnicas modernas de transferências de embriões. Quem explica é a Dra. Claudia Gomes especialista em medicina reprodutiva do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva. “Hoje temos duas novas técnicas que ajudam os embriologistas e médicos a separarem o embrião em melhor condição para transferência ao útero materno, e ocasionar a gestação de um único filho”, conta. “É errada a ideia de que a maioria dos tratamentos de reprodução humana origina gêmeos. Na verdade, hoje, apenas 20% dos casos resultam em gestações gemelares”.

Segundo a especialista, a primeira técnica se baseia no modo de cultivo desse embrião. “O embrião que está no quinto dia de cultivo, chamado blastocisto, tem melhores chances de se transformar em uma gravidez bem sucedida. Isso acontece porque se correlaciona à gestação natural, em que, geralmente, o óvulo depois de fecundado se fixa ao endométrio no quinto dia”, esclarece. Ela observa que, para que esse embrião seja cultivado até o quinto dia, por exemplo, é preciso que o processo seja feito por profissionais bem treinados e com tecnologia de ponta.

A médica ressalta que essas novas tecnologias não são comuns a todos os centros, pois são muito específicas e exigem uma série de profissionais envolvidos. “Garantir essas condições é custoso, por isso muitas clínicas não conseguem fazer o cultivo até o quinto dia, mas, sim, no terceiro, o que pode diminuir as chances de sucesso no tratamento” observa a Dra. Claudia Gomes.

Outro motivo para diminuição na porcentagem de gestações múltiplas envolve diretamente a segunda técnica que possibilita a seleção do embrião mais apto a ter sucesso em todo o tratamento, e é chamada de biópsia embrionária pela técnica de CGH. “Trata-se de uma análise cromossômica do embrião que verifica se essas estruturas estão íntegras. Caso haja alteração em algum dos cromossomos, ele poderá não chegar a se fixar na parede intrauterina, e caso isso aconteça, a paciente pode sofrer um abortamento. Por isso, a integridade cromossômica é de suma importância para que ao transferirmos um único embrião a gravidez, de fato, se realize com grande probabilidade”, destaca.

Esses procedimentos mais modernos garantem que o melhor embrião seja selecionado para se transformar em uma única gravidez. Além da qualidade do embrião, é imprescindível que o organismo da mulher esteja em boas condições para que o único embrião implantado possa, de fato, se tornar no futuro um bebê. “Para a medicina da reprodução assistida, esses novos tratamentos são um passo importante, principalmente para evitar a gestação de gêmeos em mulheres que não procuram por isso. Do ponto de vista médico, é cada vez maior a chance de sucesso gestacional. Já para os pacientes, é uma chance maior de que tudo ocorra dentro do esperado para uma gravidez saudável”, completa.