Novela Sete Vidas – Desmistificando Tabus

Hoje começa uma nova novela. E a trama aborda um tema ainda não muito debatido na nossa sociedade: a doação de gametas. Neste caso, mais precisamente, a doação de espermatozoides.

Nos dias atuais, a medicina tem proporcionado a muitos casais que antes não poderiam ter filhos, a formação de uma família. Um dos fatores de infertilidade conhecidos atualmente é o masculino, onde o homem não produz espermatozoides por algum motivo e a forma desse fator ser resolvido é recorrer ao banco de doadores de sêmen. Outras indicações para uso do banco de sêmen seriam casais homoafetivos femininos que querem formar sua família ou em casos em que a mulher gostaria de fazer uma produção independente, temas também tratados nesta novela.

Para desmistificar alguns tabus, é importante saber que no Brasil o Conselho Federal de Medicina (CFM) criou uma regulamentação para tratar do tema, entre elas que a doação não tem caráter comercial e que as identidades de doadores e receptores não pode ser conhecida. Em outros países a regulamentação sobre o assunto pode ser diferente, como por exemplo, nos Estados Unidos. Lá, quando o homem vai fazer uma doação de sêmen, ele assina um documento dizendo se permite ou não que sua identidade seja revelada após o filho gerado completar 18 anos. E o casal que escolher esta doação já terá esta informação no momento da escolha.

A revelação a uma criança de que foi necessário recorrer à doação de gametas para gerá-la cabe exclusivamente aos pais. Isso depende da vontade de cada um e da forma como cada família funciona e lida com a situação.  O amor e a alegria que envolve a formação de uma família podem guiar essa decisão.

É importante lembrar que uma novela é uma história de ficção que nem sempre trata a realidade como ela é! Por isso, segue na integra alguns itens da Resolução CFM 2013/2013, capítulo IV, referente à doação de gametas ou embriões:

- a doação nunca terá caráter lucrativo ou comercial;

- os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa;

- obrigatoriamente será mantido o sigilo sobre a identidade dos doadores de gametas e embriões, bem como dos receptores. Em situações especiais, as informações sobre doadores, por motivação médica, podem ser fornecidas exclusivamente para médicos, resguardando-se a identidade civil do doador;

- na região de localização da unidade, o registro dos nascimentos evitará que um (a) doador (a) tenha produzido mais que duas gestações de crianças de sexos diferentes, numa área de um milhão de habitantes.

 E nunca se esqueça: surgindo dúvidas, procure um especialista em Reprodução Assistida!

Dra. Flávia Torelli, médica especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.