Tratamento de Reprodução Assistida com sêmen doado é opção confiável no Brasil

Texto publicado no Portal saúde do Brasil 247 em 16/10/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

A reprodução assistida é um método que vem ganhando muito espaço no Brasil, pois se trata de uma ótima opção para casais que podem ter problemas de fertilidade ou até mesmo para casais homossexuais; “Não existe mais tabu e a maioria sabe a diferença entre impotência e infertilidade, que não tem relação direta”, afirma o Dr. Mauro Bibancos, especialista em reprodução humana do Grupo Huntington.

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A reprodução assistida com o sêmen de um doador já quebrou muitos tabus nos últimos anos. O total de doações de sêmen no Brasil saltou em 18 anos e a busca por esse método é cada vez mais comum nas clínicas de reprodução humana, tanto para casais homossexuais e mães independentes, quanto para casais heterossexuais, onde o homem apresenta algum problema de fertilidade sem solução.

“Hoje, o homem é muito mais participativo nas consultas e processos. Há menos preconceito. Não existe mais tabu e a maioria sabe a diferença entre impotência e infertilidade, que não tem relação direta. Também se sabe que a mulher não é sempre a responsável quando um casal não consegue ter filhos”, pondera o Dr. Mauro Bibancos, especialista em reprodução humana do Grupo Huntington.

Os casos de infertilidade masculina correspondem a 40% das ocorrências nas clínicas isoladamente e em 10% associado ao problema feminino.  Um homem fértil pode declinar sua produção de espermatozoides  devido a doenças ou problemas ocorridos ao longo da vida. As condições mais frequentes associadas à infertilidade masculina podem ser divididas entre varicocele, que  podem  comprometer a qualidade dos espermatozoides, interferindo na concentração e morfologia,  problemas genéticos, uso de anabolizantes, doenças sistêmicas além de doenças de agressividade maior como câncer de próstata ou testículo.

O especialista pondera que a opção de tratamento com sêmen doado não costuma ser a primeira, mas às vezes é necessária. “É evidente que a maioria dos casais que vem à clínica espera um filho geneticamente relacionado a eles. No entanto, em alguns casos, isso não é possível. O sêmen de um doador surge como uma opção viável e confiável”. Em 2012, foram cerca de 1.400 doadores no Brasil. O material genético procurado varia, de acordo com o perfil de quem o busca – em maioria, procura-se o próprio padrão fenotípico ou um que satisfaça gostos e desejos pessoais.

A doação é fácil e indolor, realizada com masturbação. Qualquer pessoa saudável do sexo masculino pode procurar um banco de sêmen para o procedimento. As características físicas do doador são registradas para que os casais interessados na utilização do sêmen recebam uma carga genética semelhante à sua própria.

Congelamento de sêmen

Uma alternativa para quem quer garantir a fertilidade por mais anos é o congelamento de sêmen. Ele pode ser realizado para a utilização futura pelo próprio doador. Os espermatozoides mantêm suas características originais por até 50 anos após o seu congelamento. O procedimento é indicado para quem quer preservar a fertilidade e para quem tem alguma doença que afete a produção de espermatozoides.

“Essa ação é cada dia mais comum e, porque não, necessária. Fatores como estresse, poluição, exposição a agrotóxicos e sedentarismo diminuíram o número de espermatozóides por doadores. Em 1992, era comum ter doadores com 100 a 200 milhões de espermatozoides por ml e atualmente o mais habitual é contar com 50 a 80 milhões”. A constante exposição de determinados componentes químicos, como pesticidas, herbicidas ou chumbo, também são comprovadamente algumas das principais causas da infertilidade masculina.

Na lei

No Brasil não há lei que regulamente a doação de sêmen. A Resolução Nº 1.957/2010 do Conselho Federal de Medicina (CFM) normatiza os procedimentos no país. Em casos de problemas e contestações, a Justiça segue a determinação do CFM, que indica que o comércio de gametas é proibido e as doações não podem ser remuneradas.  Além disso, é preciso seguir as normas da Associação Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) sobre o assunto.