Zika Vírus e a Gravidez

O Brasil enfrenta uma epidemia do Zika Vírus. Este vírus é também transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e provoca sintomas parecidos, porém mais brandos do que os da dengue: febre, dor de cabeça e no corpo e manchas avermelhadas na pele, que é o principal sintoma.

O governo brasileiro afirma que existe uma relação entre o vírus e a microcefalia, uma afecção craniana na qual o bebê nasce com a cabeça de tamanho menor que o normal e onde podem existir graus de acometimento neurológico. A microcefalia era tida como uma doença de herança genética ou relacionada a doenças infecciosas como a toxoplasmose ou o citomegalovírus.

mosquito

Quais são os sintomas:

Inicialmente, os sintomas podem ser confundidos com uma simples gripe, provocando:

  • Manchas avermelhadas na pele;
  • Febre, entre 37,8°C e 38,5°C;
  • Dor nas articulações, principalmente das mãos e pés;
  • Dor nos músculos do corpo;
  • Dor de cabeça, que se localiza principalmente atrás dos olhos.
  • Dor abdominal
  • Diarreia
  • Conjuntivite
  • Pequenas úlceras na mucosa oral.

Lembrando que a maioria dos casos de infecção não manisfesta qualquer sintoma.

O Ministério da Saúde e os estados do Brasil investigam 3.836 casos suspeitos de microcefalia em todo o país. Isso representa 55% dos casos notificados. O último boletim divulgado aponta, também, que 2.066 notificações já foram descartadas e 1.113 confirmadas para microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita.

Os 1.113 casos confirmados ocorreram em 416 municípios, localizados em 22 unidades da federação: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul.

Vale ressaltar que alguns estados, incluindo o estado de são Paulo, não há casos confirmados de microcefalia que tenham sido reportados pelo Ministério da Saúde, relacionado ao vírus zika conforme quadro abaixo.

Distribuição dos casos notificados de microcefalia por UF, até até 16 de julho de 2016

Casos  de Microcefalia e/ou malformações, sugestivos de infecção congênita

Regiões e Unidades Federadas Casos  de Microcefalia e/ou malformações, sugestivos de infecção congênita Total acumulado1 de casos notificados de 2015 a 2016
Em investigação Confirmados *2,3 Descartados
Brasil 3.182 1.709 8.571 3.680
Alagoas 63 79 331 331
Bahia 668 277 1.205 1.205
Ceará 168 129 536 451
Maranhão 90 133 285 238
Paraíba 259 148 893 857
Pernambuco 513 371 2.061 1.849
Piauí 14 89 177 154
Rio Grande do Norte 201 123 447 414
Sergipe 75 117 249 207
Região Nordeste 2.051 1.466 6.184 5.449
Espírito Santo 80 21 170 121
Minas Gerais 69 3 132 79
Rio de Janeiro 316 87 578 394
São Paulo 352 10 548 259
Região Sudeste 817 43 1.428 853
Acre 9 121 41 35
Amapá 1 2 12 5
Amazonas 12 8 25 13
Pará 46 1 47 24
Rondônia 4 5 18 12
Roraima 6 10 27 16
Tocantins 61 17 166 134
Região Norte 139 50 336 239
Distrito Federal 2 6 47 37
Goiás 40 15 148 121
Mato Grosso 91 35 252 202
Mato Grosso do Sul 8 5 27 18
Região Centro-Oeste 141 61 474 378
Paraná 0 4 41 33
Santa Catarina 3 1 9 4
Rio Grande do Sul 31 6 99 59
Região Sul 34 11 149 88


Fonte: 
Secretarias de Saúde dos Estados e Distrito Federal (dados atualizados até 16/07/2016).

*2 Apresentam alterações típicas: indicativas de infecção congênita, como calcificações intracranianas, dilatação dos ventrículos cerebrais ou alterações de fossa posterior entre outros sinais clínicos observados por qualquer método de imagem ou identificação do vírus Zika em testes laboratoriais.
*3 Foram confirmados 130 casos por critério laboratorial específico para vírus Zika (técnica de PCR e sorologia). 
* 5 Conforme informado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac”, da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, 157 casos se encontram em investigação para infecção congênita. Desses, 39 são possivelmente associados com a infecção pelo vírus Zika, porém ainda não foram finalizadas as investigações. 

CASOS DE MICROCEFALIA NOTIFICADOS POR ANO NO BRASIL

  2010 2011 2012 2013 2014
Brasil 153 139 175 167 147

 

Cabe esclarecer que o Ministério da Saúde está investigando todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central, informados pelos estados e a possível relação com o vírus Zika e outras infecções congênitas. A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos além do Zika, como Sífilis, Toxoplasmose, Outros Agentes Infecciosos, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes Viral.

O diagnóstico confirmatório da infecção pelo vírus zika é realizada pela presença do vírus detectado por tecnologia de biologia molecular. Durante a apresentação dos novos dados de microcefalia no país, o diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis, Claudio Maierovitch, disse que o Ministério da Saúde está trabalhando no fortalecimento do diagnóstico para o vírus Zika. O teste para a confirmação do vírus Zika deve ser feito, de preferência, nos primeiros cinco dias de manifestação dos sintomas. Vale ressaltar que o vírus Zika é de difícil detecção, já que cerca de 80% dos casos infectados não manifestam sinais ou sintomas.

Fonte: Ministério da Saúde

Pesquisas relacionadas ao vírus zika estão sendo conduzidas no Brasil e no exterior em busca de vacinas e testes diagnósticos mais eficientes. Duas equipes brasileiras completaram nas últimas semanas o sequenciamento do material genético do vírus zika isolado nos estados de São Paulo e da Paraíba. Os resultados sugerem que a variedade do zika em circulação em diferentes regiões brasileiras é mesmo originária da Polinésia Francesa, onde houve um surto em 2013 e 2014. Também indicam que o vírus possivelmente foi introduzido no Brasil em um único evento.

Para saber mais a respeito, acesse o link

Fonte: Revista Fapesp

Orientação Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde orienta as gestantes adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.

Fonte: Ministério da Saúde

Como prevenir?

Os dois principais repelentes disponíveis no Brasil e considerados seguros para grávidas são:

Icaridina na concentração de 20 a 25% (Exposis) – é o repelente de maior duração na pele – aproximadamente 10 horas de proteção;

DEET na concentração de até 15% (OFF; Repelex) – confere proteção por 6 horas.