Endometriose

A endometriose, conhecida como a “doença da mulher moderna” é caracterizada pela presença do tecido do endométrio, a camada que reveste o interior o útero, em locais ectópicos, ou seja, fora de seu local habitual e causando sangramentos. Cada vez que a mulher menstrua e ocorre esse sangramento no local onde não deveria acontecer, as alças intestinais e os órgãos da pelve acabam bloqueando esse sangramento, provocando dor  pélvica, afetando mais comumente o tecido que reveste a cavidade abdominal (peritônio), os ovários, as tubas uterinas e causando infertilidade.

O endométrio é uma mucosa que reveste a parede interna do útero, sensível às alterações do ciclo menstrual, e local onde o óvulo, depois de fertilizado, se implanta. Se não houve fecundação, boa parte do endométrio é eliminada durante a menstruação. O que sobra volta a crescer e o processo todo se repete a cada ciclo.

 

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Origem

Muito provavelmente há uma predisposição genética para aparecimento da doença, pois é mais comum entre mulheres que têm parentesco com pessoas que têm a endometriose. Possivelmente, porém, há algum fator ambiental responsável pelo surgimento da patologia em pessoas que já têm alguma predisposição.

Refluxo do sangramento menstrual pelas tubas uterinas, transformação de determinadas células do peritônio em células de endométrio devido a alguma agressão, e mau posicionamento de algumas células endometriais no embrião, enquanto a mulher ainda está na barriga da mãe, são algumas das teorias, entretanto, nenhuma consegue responder completamente a todos os aspectos do surgimento da endometriose.

Os hormônios produzidos durante a ovulação também fazem proliferar os fragmentos de endométrio que estão fora do útero. Por isso, a endometriose é uma doença que afeta as mulheres em idade reprodutiva, produzindo uma inflamação crônica, que libera substâncias que podem causar cólica menstrual, dores pélvicas fora do período menstrual e até dificuldade para engravidar.

Características

A doença é frequente em mulheres na idade reprodutiva e acomete cerca de 10% da população feminina. Atualmente cerca de 40% das pacientes que chegam até as clinicas de reprodução assistida sofrem de endometriose. A fertilidade feminina pode ser afetada pela endometriose de diversas formas, dentre elas:

  • Obstrução das trompas ocorrida diretamente pelas lesões de endometriose;
  • Alteração nas tubas uterinas, podendo se tornar impérvias e sem mobilidade;
  • Formação de cistos nos ovários que alteram a capacidade ovulatória;
  • Alteração na ovulação: dificuldade de produção de ovular e perda de qualidade dos óvulos;
  • Interferência com a fertilização: dificuldade de penetração dos espermatozoides nos óvulos;
  • Liberação de substâncias inflamatórias na pelve que podem alterar a qualidade do óvulo, do embrião e o desenvolvimento da gestação aumentando a taxa de abortamento.

A dor é o principal sintoma da doença, porém de 20% a 25% das mulheres não apresentam nenhum sintoma. Quando os sintomas aparecem geralmente são: cólica menstrual intensa, dor durante as relações sexuais, dor abdominal antes ou durante a menstruação, dor e sangramento intestinal e urinário durante a menstruação.

Diagnóstico

Para diagnosticar esta doença, o exame ginecológico clínico é o primeiro passo, que pode ser confirmado pelos seguintes exames laboratoriais e de imagem: ultrassom transvaginal com preparo intestinal, laparoscopia, ressonância magnética e um exame de sangue chamado CA-125, que se altera nos casos mais avançados da doença. O diagnóstico de certeza, porém, depende da realização da biópsia.

Tratamento

A escolha do melhor tratamento dependerá do perfil de cada mulher. As alternativas hoje vão, desde tratamentos hormonais, como os anticoncepcionais, passando por cirurgias para a retirada das lesões, até tratamentos de reprodução assistida, como a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro para mulheres que desejam engravidar.

Lesões maiores de endometriose, em geral, devem ser retiradas cirurgicamente. Quando a mulher já teve os filhos que desejava, a remoção dos ovários e do útero pode ser uma alternativa de tratamento. Esta escolha deve ser individualizada, pois cada um dos tratamentos apresenta vantagens e desvantagens que devem ser avaliadas de acordo com os sintomas, com a quantidade de endometriose e com os anseios e desejos de cada pessoa.

É fundamental procurar um médico ginecologista sempre que sentir anormalidades no ciclo menstrual, realizando anualmente os exames e acompanhando a saúde reprodutiva. Se a doença for diagnosticada, é importante iniciar o tratamento adequado, pois a endometriose está entre as causas mais comuns da infertilidade, mas a fertilidade pode ser restabelecida com tratamento adequado.