É fundada a Rede Brasileira de Oncofertilidade

Internacionalmente conhecido como Oncofertility Consortium, uma iniciativa americana concebida para explorar o futuro reprodutivo de sobreviventes de câncer, a instituição oficializa a criação da Rede Brasileira de Oncofertilidade, ReBOC, conhecida como Brazilian Oncofertility Consortium – BOC.

A reunião de abertura foi realizada no dia 11 de abril, com a presença da Dra. Teresa Woodruff, fundadora e diretora do Oncofertility Consortium, e de representantes da Huntington de São Paulo, Dr. Mauricio Chehin e a biomédica Marcia Riboldi.

O Consórcio abrange mais de 50 locais nos EUA e representa uma rede global de especialistas médicos, cientistas e estudiosos que estão explorando as relações entre saúde, doença, sobrevivência e fertilidade em pacientes jovens com câncer.

A Huntington possui um programa de atendimento para homens e mulheres em idade reprodutiva, que é acompanhado integralmente por um médico de reprodução assistida especializado em oncologia. Para nós, o tratamento oncológico é sempre prioridade e, por isso, juntos, vamos avaliar cada caso com muito cuidado e atenção.

A fundação da ReBOC / BOC torna-se um importante passo para a medicina. Por meio desta rede brasileira, diversos pacientes com diagnóstico de câncer encontrarão nas clínicas participantes do grupo os protocolos de pesquisa mais avançados em criopreservação.

As taxas de sobrevivência entre os pacientes jovens com câncer têm aumentado ao longo das últimas quatro décadas, em parte por causa do desenvolvimento de tratamentos de câncer mais eficazes. Hoje, homens e mulheres podem olhar para a vida à frente depois do câncer, mas muitos podem ter de enfrentar a possibilidade de infertilidade, como resultado da própria doença.

Sobre o Oncofertility Consortium

O núcleo administrativo do Oncofertility Consortium se localiza na Northwestern University, que administra e organiza as atividades do Consórcio, Centros de Pesquisa e a Cooperativa dos médicos.

O consórcio reúne profissionais em medicina reprodutiva, pesquisa em saúde reprodutiva, oncologia, biomecânica, ciência dos materiais, matemática, ciências sociais, bioética, religião, política de pesquisa e de ciências da educação para ampliar o conhecimento atual, pesquisa, prática clínica e treinamento para a amplo espectro de questões, incluindo:

  • Mecanismos subjacentes à ameaça à fertilidade da vida, preservando drogas contra o câncer;
  • Métodos de criopreservação (congelamento), armazenamento e crescimento do ovário e tecido gonadal;
  • Crescimento folicular e maturação do oócito in vitro, utilizando um ambiente tridimensional;
  • Barreiras de comunicação entre pacientes com câncer e profissionais de saúde;
  • Preocupações éticas e legais sobre o uso de tecnologias de preservação da fertilidade em pacientes com câncer.

O câncer é hoje uma doença com um número de opções de tratamento altamente eficaz que estão levando a um maior número de sobreviventes que vivem vidas longas e produtivas.

Globalmente, há 10 milhões de pessoas diagnosticadas com câncer, e 10% dos homens e mulheres recém-diagnosticados estão sob os 40 anos de idade. Enquanto a radiação e a quimioterapia agressiva são capazes de salvar e prolongar suas vidas, a interrupção da função reprodutiva, incluindo fertilidade e função endócrina, pode ser uma consequência não intencional que é particularmente relevante para os pacientes jovens com câncer.

Técnicas usadas

Hoje, o tratamento de preservação da fertilidade conta com técnicas avançadas, dando ao paciente tempo hábil para começar os procedimentos quimioterápicos ou radioterápicos. No caso das mulheres, o procedimento é feito entre 10 e 15 dias antes do início do tratamento oncológico, e pode ser realizado em qualquer fase do ciclo sem que ela tenha que esperar a próxima menstruação.

Os óvulos obtidos seriam preservados, ou no caso de mulheres casadas, fertilizados e congelados por técnicas que não danificam de forma alguma as células. Para os homens, o processo é bem mais simples: seriam recolhidas e armazenadas de duas a três amostras de sêmen em até cinco dias, garantindo uma boa reserva reprodutiva. Existem ainda técnicas de congelamento de tecido ovariano e tecido testicular que podem ser realizados em casos específicos.