A infertilidade no homem é um tema que gera muitas dúvidas e angústias, mas entender suas causas é o primeiro passo para encontrar caminhos para realizar o sonho de construir uma família.
Antes de tudo, é importante ressaltar que essa não é uma condição exclusiva. Na verdade, estima-se que em cerca de 40% dos casais com dificuldade para engravidar, o fator masculino está presente, seja como causa isolada ou associado a um fator feminino.
No entanto, a boa notícia é que a medicina reprodutiva é capaz de oferecer diagnósticos precisos e tratamentos eficazes para diversas condições. Neste artigo, reunimos tudo o que você precisa saber sobre a infertilidade masculina!
O que define a infertilidade no homem?
A infertilidade masculina é definida como a incapacidade de um casal conceber após 12 meses de relações sexuais regulares e sem o uso de métodos contraceptivos. Essa dificuldade pode estar relacionada a problemas na produção, qualidade ou transporte dos espermatozoides.
Contudo, vale destacar que infertilidade não significa impossibilidade de ter filhos. Na maioria dos casos, trata-se de uma dificuldade que pode ser tratada ou contornada com auxílio médico especializado.
De acordo com o Dr. Guilherme Wood, urologista e especialista em reprodução assistida, a busca por um especialista não deve ser negligenciada, pois “homens sexualmente ativos, que conseguem satisfazer suas parceiras sexualmente, podem ser inférteis. Não existe relação entre performance sexual e infertilidade.”
Quais são as principais causas da infertilidade masculina?
As causas da infertilidade no homem são variadas e podem ser agrupadas de acordo com a origem do problema. Elas afetam desde a produção dos espermatozoides até a sua capacidade de chegar ao óvulo. A seguir, detalhamos os fatores mais comuns.
Fatores pré-testiculares (hormonais)
Alterações no sistema hormonal, que regula a produção de espermatozoides, podem comprometer a fertilidade. Desequilíbrios em hormônios como a testosterona, o FSH (Hormônio Folículo-Estimulante) e o LH (Hormônio Luteinizante) impactam diretamente a função testicular.
Fatores testiculares (produção de espermatozoides)
Esses fatores afetam diretamente os testículos, local onde os espermatozoides são produzidos. As causas mais frequentes incluem:
- Varicocele: é a dilatação das veias dos testículos, semelhante às varizes que ocorrem nas pernas. Ela é considerada a principal causa tratável de infertilidade masculina, pois o aumento da temperatura local prejudica a produção e a qualidade dos espermatozoides;
- Infecções: Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como clamídia e gonorreia, ou mesmo a caxumba na vida adulta, podem causar inflamações e danos aos testículos;
- Causas genéticas: alterações cromossômicas, como a Síndrome de Klinefelter, ou microdeleções no cromossomo Y podem levar a uma produção muito baixa ou ausente de espermatozoides. Por isso, um diagnóstico precoce dessas causas genéticas é fundamental, pois pode orientar o tratamento e, em alguns casos, até mesmo alertar para riscos futuros à saúde, como certos tipos de câncer e doenças cardiovasculares.
- Traumas ou torção testicular: lesões na região podem afetar a estrutura testicular e sua capacidade de produção.
Fatores pós-testiculares (transporte dos espermatozoides)
Mesmo que os espermatozoides sejam produzidos em quantidade e qualidade adequadas, problemas no seu transporte podem impedir a fertilização. Obstruções nos canais que levam os espermatozoides até a próstata (ductos deferentes e epidídimo) são uma das principais causas, podendo ser consequência de cirurgias, infecções ou condições congênitas.
Causas relacionadas ao estilo de vida e fatores ambientais
Hábitos diários e a exposição a certos agentes externos também desempenham um papel significativo na saúde reprodutiva masculina. Por isso, é importante estar atento a:
- Tabagismo e consumo de álcool: substâncias presentes no cigarro e o consumo excessivo de álcool podem afetar a motilidade e a morfologia dos espermatozoides;
- Estresse crônico: níveis elevados de estresse podem interferir na produção dos hormônios responsáveis pela espermatogênese (produção de espermatozoides);
- Exposição ao calor excessivo: o uso de roupas muito apertadas, banhos muito quentes ou o trabalho em ambientes de alta temperatura podem elevar a temperatura testicular e afetar a produção espermática;
- Obesidade: o excesso de peso, especialmente um Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30 kg/m², pode causar alterações hormonais que prejudicam a fertilidade.
“A obesidade pode afetar a produção e a qualidade dos espermatozoides, comprometendo a capacidade reprodutiva. A boa notícia é que é possível reverter essa tendência ao cuidar da saúde, mudando o estilo de vida e perdendo peso”, explica o Dr. Guilherme Wood.
O médico ainda complementa que a obesidade “gera uma resposta inflamatória geral do organismo, produzindo substâncias como os radicais livres, por exemplo, que reduzem a produção e a qualidade de espermatozoides.”
Além disso, é importante destacar que a infertilidade no homem é uma condição complexa, onde a genética pode interagir com o ambiente. Sendo assim, a exposição a substâncias químicas presentes no ambiente, como pesticidas (chamados xenobióticos), pode afetar diretamente a qualidade do esperma.
Existem sintomas que indicam a infertilidade no homem?
Na maioria dos casos, a infertilidade masculina não apresenta sintomas evidentes além da própria dificuldade de conceber. No entanto, alguns sinais podem servir de alerta e devem motivar uma avaliação médica. Entre eles, se destacam:
- Dor, inchaço ou presença de um nódulo na região dos testículos;
- Problemas com a função sexual, como dificuldade de ejaculação ou disfunção erétil;
- Redução do desejo sexual;
- Alterações no crescimento de pelos ou outros sinais de desequilíbrio hormonal.
Como é feito o diagnóstico da infertilidade masculina?
Geralmente, o diagnóstico de infertilidade no homem começa com uma consulta detalhada com um médico urologista ou andrologista, que irá avaliar o histórico clínico, familiar e de hábitos de vida do paciente. Além do exame físico, o principal exame para investigar a fertilidade masculina é o espermograma.
O espermograma é uma análise laboratorial do sêmen que avalia diversos parâmetros, como a concentração, a motilidade (capacidade de se mover) e a morfologia (formato) dos espermatozoides. Dependendo dos resultados, o médico pode solicitar exames complementares, como dosagens hormonais e ultrassonografia da bolsa testicular.
No entanto, em cerca de 20% dos casais que enfrentam dificuldades para engravidar, a análise básica do sêmen pode não revelar a causa da infertilidade. Nesses casos, exames mais avançados são necessários para investigar problemas, como danos no DNA dos espermatozoides.
“A fragmentação do DNA espermático é o rompimento ou dano no material genético dos espermatozoides. Isso significa que o DNA dentro dos espermatozoides está dividido em fragmentos menores do que o normal, o que pode afetar a capacidade de fertilizar um óvulo e dificultar a gravidez”, afirma o Dr. Guilherme Wood.
No vídeo a seguir, você descobre quais exames são fundamentais para o diagnóstico da infertilidade e tudo o que você precisa saber.
A infertilidade masculina tem tratamento?
Sim, existem diversos caminhos possíveis para tratar a infertilidade masculina. No entanto, o tratamento é sempre individualizado e depende diretamente da causa diagnosticada. Sendo assim, as opções podem variar desde mudanças no estilo de vida até procedimentos mais complexos.
Por exemplo, para casos como a varicocele, uma cirurgia de correção pode restaurar a fertilidade. No entanto, quando a causa é hormonal, a terapia de indução da produção de espermatozoides pode ser indicada. E se o problema for uma obstrução, procedimentos cirúrgicos também podem ser uma solução.
Além disso, em outras situações, as técnicas de reprodução assistida, como a Fertilização In Vitro (FIV) com Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI), oferecem excelentes chances de sucesso.
Quando procurar um especialista?
Geralmente, é recomendado que um casal procure ajuda especializada após 12 meses de tentativas sem sucesso para engravidar. Contudo, se a mulher tiver 35 anos ou mais, esse período deve ser encurtado para 6 meses, pois a fertilidade feminina tende a diminuir mais rapidamente com a idade.
A jornada para a paternidade deve ser um caminho de cuidado, acolhimento e parceria. Por isso, dar o primeiro passo e agendar uma consulta com um especialista é a decisão mais importante para entender o que está acontecendo e conhecer as opções disponíveis para fazer dos sonhos a vida.
Na Huntington, estamos prontos para acolher você e sua família com a dedicação e a excelência que este momento exige. Conte conosco!
REFERÊNCIAS
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