Entender o que causa aborto espontâneo é um passo importante para muitas mulheres e casais que enfrentam a dor da perda gestacional. Afinal, embora seja um evento mais frequente do que se imagina, especialmente no início da gravidez, nem sempre as causas são claras.
Diversos fatores podem estar envolvidos, como alterações genéticas, condições de saúde materna, questões hormonais e fatores externos. Por isso, neste artigo, trouxemos algumas explicações do que pode levar ao aborto espontâneo e quando é fundamental procurar orientação especializada.
Quais são as principais causas de um aborto espontâneo?
O aborto espontâneo é definido como a interrupção involuntária da gravidez antes da 20ª semana, e estima-se que ocorra em cerca de 15% a 20% das gestações clinicamente reconhecidas em pacientes até 35 anos.
Contudo, é importante ressaltar que, na maioria das vezes, a perda não ocorre por algo que a mulher fez ou deixou de fazer. As causas são complexas e frequentemente relacionadas a fatores que fogem ao controle. Somente as investigações médicas podem ajudar a identificar a origem do problema, mas as principais são:
Alterações cromossômicas do embrião
Essa é a causa mais comum, responsável por mais da metade das perdas no primeiro trimestre. Essas alterações são erros genéticos que ocorrem no momento da concepção, de forma aleatória, inviabilizando o desenvolvimento saudável do embrião.
Fatores uterinos e anatômicos
Alterações na estrutura do útero podem dificultar a implantação ou o desenvolvimento da gestação. Entre as condições mais conhecidas estão miomas, pólipos, aderências ou malformações uterinas, como o útero septado.
Condições hormonais e metabólicas
Desequilíbrios hormonais podem interferir no ambiente necessário para a gravidez prosperar. Doenças como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), distúrbios da tireoide ou diabetes não controlada são exemplos de fatores que precisam de acompanhamento.
A deficiência de vitamina B9 (folato) no sangue, o excesso de uma substância chamada homocisteína e até mesmo uma variação genética específica (genótipo MTHFR 677TT) foram identificados como fatores de risco para abortos espontâneos que ocorrem no início da gestação.
Mesmo nesses casos, o manejo geralmente é apenas: suplementação com ácido fólico ou metilfolato ou correção de B12.
Doenças autoimunes e trombofilias
Trombofilias são condições que aumentam a propensão à formação de coágulos, que podem obstruir os vasos sanguíneos da placenta. Doenças autoimunes, como o lúpus, também podem estar associadas a um maior risco de perda gestacional.
Idade materna avançada
A qualidade dos óvulos tende a diminuir com o passar dos anos, o que aumenta a probabilidade de alterações cromossômicas nos embriões. Por isso, a idade materna é considerada um fator de risco para o aborto espontâneo.
Estudos indicam que a idade da mulher é um fator crucial: a partir dos 30 anos, o risco de aborto espontâneo pode aumentar anualmente, principalmente devido à diminuição da qualidade dos óvulos e à maior frequência de erros cromossômicos. A probabilidade de aborto espontâneo cresce acentuadamente após os 35 anos de idade, sendo este um fator de risco independente.
Fatores ambientais
O ambiente em que vivemos também pode influenciar a saúde da gestação. A exposição a certas substâncias nocivas presentes no ar tem sido objeto de estudo.
A exposição a poluentes do ar, como o Monóxido de Carbono (CO) no primeiro trimestre e partículas finas (material particulado – PM) ao longo de toda a gravidez, pode estar associada a um risco elevado de aborto espontâneo.
Quais são os sintomas de um aborto espontâneo?
Os sinais podem variar, mas os mais comuns necessitam de atenção imediata. Além disso, é importante lembrar que nem todo sintoma significa uma perda gestacional, mas a avaliação médica é sempre indispensável:
- Sangramento vaginal: pode variar de um fluxo leve a intenso, com ou sem coágulos;
- Cólicas e dores abdominais: geralmente mais fortes que as cólicas menstruais;
- Dor na região lombar: pode ser contínua ou intermitente;
- Desaparecimento de sintomas da gravidez: como náuseas ou sensibilidade nos seios.
Ao perceber qualquer um desses sinais, procure seu médico ou um serviço de emergência para uma avaliação adequada.
O estresse pode causar um aborto espontâneo?
Essa é uma dúvida muito comum e uma fonte de grande ansiedade. O estresse cotidiano, vindo do trabalho ou de preocupações normais da vida, não é considerado uma causa direta de aborto espontâneo. No entanto, o estresse crônico e intenso pode afetar a saúde geral e o equilíbrio hormonal, sendo importante buscar formas de gerenciá-lo com apoio profissional.
Como é feito o diagnóstico após a suspeita?
Quando há suspeita de um aborto, o médico realiza uma avaliação completa para confirmar o diagnóstico e orientar os próximos passos.
Geralmente, o processo inclui um exame físico, uma ultrassonografia transvaginal para visualizar o útero e o embrião, e exames de sangue para medir os níveis do hormônio beta-hCG.
É possível prevenir um aborto espontâneo?
Como a principal causa são as alterações cromossômicas aleatórias, a maioria das perdas não pode ser prevenida. O foco está em cuidar da saúde para criar o melhor ambiente possível para uma futura gestação.
Isso inclui o controle de doenças crônicas, a adoção de um estilo de vida saudável e a realização de um acompanhamento pré-natal rigoroso desde o início.
Quando devo procurar ajuda médica especializada?
Se você passou por uma perda gestacional, o apoio médico é essencial para sua recuperação física e emocional.
A busca por um especialista em reprodução humana é especialmente indicada em casos de aborto de repetição, que é a ocorrência de duas ou mais perdas consecutivas. Isso porque a investigação detalhada pode identificar causas tratáveis e aumentar as chances de sucesso em uma futura gravidez.
Na Huntington, nossa missão é acolher cada paciente com empatia, oferecendo um cuidado humano, individualizado e baseado na mais alta excelência médica. Realizamos uma investigação completa para identificar as possíveis causas da perda gestacional e, a partir do diagnóstico, traçamos um plano de tratamento personalizado.
“O principal objetivo de um tratamento humanizado e individualizado é aumentar as chances de uma gravidez segura e saudável para quem procura pela reprodução assistida”, destaca a Dra. Hérica Mendonça, ginecologista.
Nosso compromisso é estar ao seu lado em cada etapa, ajudando você a transformar o sonho da família em vida. Agende uma consulta e vamos conversar sobre o seu caminho!
REFERÊNCIAS
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