Ter pouco espermatozoide é normal? Entenda o que pode indicar
Representação de pouco espermatozoide se aproximando de um óvulo.

Ter pouco espermatozoide é normal? Entenda o que o volume do sêmen pode indicar

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Perceber que há pouco espermatozoide ou, mais precisamente, um volume reduzido de sêmen, é uma preocupação que pode gerar muitas dúvidas e ansiedade. No entanto, é importante esclarecer que a quantidade de líquido ejaculado (sêmen) e a concentração de espermatozoides são coisas diferentes, embora relacionadas.

A condição de baixo volume de sêmen é chamada de hipospermia e pode ter diversas causas, desde hábitos de vida até questões médicas específicas. Sendo assim, o importante é saber que existem caminhos para investigar e tratar essa condição, e você não está sozinho nessa jornada!

Qual é a diferença entre sêmen e espermatozoides?

Muitas vezes usados como sinônimos, os dois termos representam componentes distintos do processo reprodutivo masculino.

O sêmen, ou esperma, é o fluido esbranquiçado que é liberado durante a ejaculação. Ele é composto por líquidos produzidos pela próstata e pelas vesículas seminais, que servem para nutrir e transportar os espermatozoides.

Os espermatozoides, por sua vez, são as células reprodutivas microscópicas responsáveis por fecundar o óvulo. Portanto, um baixo volume de sêmen não significa, necessariamente, que há “pouco espermatozoide”.

O que é considerado um volume normal de sêmen?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um volume de sêmen considerado normal é igual ou superior a 1,5 mililitros (mL) por ejaculação. Volumes consistentemente abaixo desse valor caracterizam a hipospermia.

Porém, é importante lembrar que o volume pode variar naturalmente de um dia para o outro, influenciado por fatores como o nível de hidratação e o tempo desde a última ejaculação. Ou seja, uma única medição baixa não é motivo para alarme, mas a persistência do quadro merece atenção.

Quais são as principais causas para a redução do volume de sêmen?

A diminuição do volume do sêmen pode ser causada por múltiplos fatores, que podem ser agrupados em diferentes categorias. Contudo, vale lembrar que a avaliação de um especialista é crucial para identificar a origem do problema de forma individualizada.

Fatores relacionados ao estilo de vida

Alguns hábitos podem impactar diretamente a produção do líquido seminal. Felizmente, muitos deles são reversíveis com mudanças no dia a dia. Entre os principais, destacam-se:

  • Desidratação: como o sêmen é composto majoritariamente por água, a baixa ingestão de líquidos pode reduzir seu volume;
  • Má alimentação: dietas pobres em nutrientes essenciais, como zinco e vitaminas, podem afetar a saúde reprodutiva. Por outro lado, o consumo de uma dieta rica em suplementos específicos, como L-carnitina, zinco e ômega-3, pode melhorar significativamente o volume, a concentração e a motilidade dos espermatozoides;
  • Abuso de álcool e tabaco: substâncias tóxicas presentes no cigarro e o consumo excessivo de álcool prejudicam a produção seminal;
  • Estresse crônico: níveis elevados de estresse podem interferir no equilíbrio hormonal, afetando a produção de sêmen.

Condições médicas

Diversas condições de saúde podem levar à hipospermia. Por isso, é fundamental investigar a presença de quadros como:

  • Ejaculação retrógrada: ocorre quando o sêmen, em vez de ser expelido pela uretra, retorna para a bexiga;
  • Obstrução dos ductos ejaculatórios: bloqueios causados por infecções, cirurgias ou cistos podem impedir a passagem do sêmen. Infecções como a clamídia (Chlamydia trachomatis) são uma causa comum a ser investigada, pois podem levar à inflamação e obstrução dos dutos ejaculatórios, contribuindo para o baixo volume seminal;
  • Infecções: infecções no trato reprodutivo, como prostatite, podem impactar as glândulas produtoras de líquido seminal;
  • Varicocele: a dilatação das veias nos testículos pode afetar tanto a produção de espermatozoides quanto o volume seminal;
  • Deficiências hormonais: baixos níveis de testosterona ou outros desequilíbrios hormonais podem afetar a produção de sêmen.

“A testosterona em níveis normais é muito importante no processo da formação do espermatozoide e, portanto, procuramos regulá-la através de tratamentos, buscando vias endógenas – do próprio organismo -, evitando a reposição com derivados sintéticos”, explica o Dr. Eduardo Mourthé, especialista em infertilidade masculina.

Frequência da ejaculação

A frequência da atividade sexual também influencia o volume. Ejaculações muito frequentes em um curto período podem resultar em um volume menor em cada uma delas, pois o corpo precisa de tempo para repor os fluidos.

Por outro lado, longos períodos de abstinência também não são ideais para a qualidade do sêmen.

Pouco sêmen significa infertilidade?

Não necessariamente. A hipospermia é um fator que pode dificultar a concepção natural, pois um volume menor de fluido pode ter mais dificuldade em transportar os espermatozoides até o óvulo. No entanto, a fertilidade depende de múltiplos fatores.

A concentração, a motilidade (capacidade de movimento) e a morfologia (formato) dos espermatozoides são tão ou mais importantes que o volume do sêmen. Sendo assim, é possível ter um volume baixo, mas com uma excelente contagem e qualidade de espermatozoides, e ainda assim alcançar a gravidez.

Como é feito o diagnóstico da hipospermia?

A principal ferramenta para avaliar a saúde reprodutiva masculina é o espermograma, um exame laboratorial analisa uma amostra de sêmen e fornece informações detalhadas sobre diversos parâmetros.

No espermograma, são avaliados:

  • Volume: a quantidade total de líquido ejaculado;
  • Concentração: o número de espermatozoides por mL de sêmen. Segundo a OMS, uma baixa concentração de espermatozoides (oligozoospermia) é definida como menos de 15 milhões por mililitro de sêmen;
  • Motilidade: a porcentagem de espermatozoides que se movem de forma progressiva;
  • Morfologia: a porcentagem de espermatozoides com formato considerado normal.

Além do espermograma, o médico pode solicitar exames de sangue para avaliar os níveis hormonais e, em alguns casos, exames de imagem, como o ultrassom da bolsa escrotal, para investigar possíveis obstruções ou outras alterações anatômicas.

Existem tratamentos para o baixo volume de sêmen?

Sim, existem diversas abordagens terapêuticas, e a escolha dependerá diretamente da causa identificada. O tratamento é sempre personalizado para atender às necessidades de cada paciente e seus objetivos reprodutivos.

Tratamento de causas específicas

Se a hipospermia for causada por um desequilíbrio hormonal, a terapia de reposição hormonal pode ser indicada. No caso de infecções, o uso de antibióticos pode resolver o problema. Já para obstruções, procedimentos cirúrgicos podem ser necessários para desobstruir os canais.

Técnicas de reprodução assistida

Quando o objetivo é a gravidez e a hipospermia dificulta a concepção, as técnicas de reprodução assistida são um caminho de esperança e alta eficácia. Procedimentos como a Fertilização in Vitro (FIV), especialmente com a técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI), permitem selecionar os melhores espermatozoides e injetá-los diretamente no óvulo.

Em casos de contagem de espermatozoides muito baixa, como na oligozoospermia grave ou azoospermia, é fundamental realizar exames genéticos, como a cariotipagem e a análise de microdeleção do cromossomo Y, antes de iniciar tratamentos como a ICSI. Isso ajuda a identificar possíveis riscos de transmissão de problemas genéticos para os futuros filhos.

Dessa forma, mesmo com baixo volume seminal ou baixa contagem de espermatozoides, é totalmente possível realizar o sonho de construir uma família.

Entenda o tratamento de FIV no vídeo abaixo e descubra como ele pode ajudar na fertilidade.

Passo a passo da FIV: entenda o tratamento | Huntington

Quando devo procurar um especialista?

É recomendado procurar um médico especialista em reprodução humana ou um urologista se você notar uma redução persistente no volume de sêmen, especialmente se estiver tentando engravidar há mais de um ano sem sucesso (ou seis meses, se a parceira tiver mais de 35 anos). Qualquer mudança súbita ou acompanhada de dor ou desconforto também deve ser avaliada.

Lembre-se que cuidar da saúde reprodutiva é um ato de cuidado consigo mesmo e com o seu futuro. Na Huntington, estamos aqui para acolher suas dúvidas com empatia, oferecer um diagnóstico preciso e traçar o melhor plano de tratamento para ajudar você a fazer dos seus sonhos a sua vida. Agende uma consulta e vamos conversar!

REFERÊNCIAS

CIRIBÉ, F. et al. Hypospermia improvement in dogs fed on a nutraceutical diet. The Scientific World Journal, 2018. DOI: https://doi.org/10.1155/2018/9520204.

CHOUDHARY, S. et al. Male Infertility: Causes and Management at a Tertiary Care Center in India. Cureus, [S. l.], [2023]. DOI: https://doi.org/10.7759/cureus.45584.

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