Médica apontando para um modelo anatômico dos órgãos reprodutores femininos para explicar o que é um mioma submucoso.

Mioma submucoso: entenda os sintomas e tratamentos

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O mioma submucoso é uma condição que pode gerar muitas dúvidas e inseguranças, especialmente para mulheres que sonham em construir uma família. Trata-se de um nódulo benigno (não canceroso) que se desenvolve na camada mais interna do útero, no local onde o embrião se implanta. Por sua localização, ele pode impactar tanto a qualidade de vida quanto a fertilidade.

No entanto, é fundamental entender que, apesar dos desafios, existem caminhos e tratamentos eficazes. Então, compreender o que é a condição, seus sintomas e os tratamentos disponíveis é o primeiro passo para uma jornada de cuidado para a realização do seu sonho!

O que é um mioma submucoso?

O mioma uterino, também conhecido como leiomioma, é um tumor benigno formado por tecido muscular liso do útero, classificado de acordo com a sua localização na parede uterina. Já o mioma submucoso é aquele que cresce para dentro da cavidade do útero, podendo distorcê-la.

Esse subtipo, especificamente, está associado aos sintomas mais graves, como infertilidade e sangramento vaginal intenso ou fora do período menstrual normal, além de um fluxo menstrual excessivo, conhecido como hipermenorreia.

Para contextualizar, existem outros tipos de miomas:

  • Intramurais: localizam-se inteiramente dentro da parede muscular do útero (miométrio);
  • Subserosos: crescem na superfície externa do útero, projetando-se para a cavidade pélvica.

Dentre os três tipos, o submucoso é o que mais frequentemente está associado a sintomas como sangramento intenso e dificuldades para engravidar, pois afeta diretamente o ambiente onde a gestação se inicia.

Quais são os principais sintomas do mioma submucoso?

Os sintomas do mioma submucoso podem variar em intensidade de mulher para mulher, mas geralmente estão ligados a alterações no ciclo menstrual e desconforto pélvico.

Por distorcerem a cavidade uterina, os miomas submucosos são uma causa conhecida de sangramento menstrual abundante e intenso, que pode ser acompanhado de cólicas. Além disso, essa condição pode levar à infertilidade e aumentar o risco de abortos espontâneos.

A avaliação médica é essencial para um diagnóstico preciso, mas alguns sinais merecem atenção. Os mais comuns incluem:

  • Sangramento uterino anormal: é o sintoma mais característico, com fluxo menstrual muito intenso (menorragia) ou com duração prolongada;
  • Cólicas menstruais intensas: a presença do mioma pode aumentar as contrações uterinas durante o período menstrual;
  • Anemia: como consequência do sangramento excessivo, pode ocorrer uma queda nos níveis de ferro no sangue, causando cansaço e fraqueza;
  • Dor pélvica ou pressão: algumas mulheres relatam uma sensação de peso ou dor na região pélvica;
  • Dificuldade para engravidar ou abortos de repetição: devido à alteração na cavidade uterina.

Como o mioma submucoso afeta a fertilidade?

A relação entre o mioma submucoso e a infertilidade é um ponto de grande preocupação. Por estar localizado no endométrio, ele pode criar um ambiente desfavorável para a gravidez de várias maneiras. A presença do nódulo pode dificultar a fixação do embrião na parede do útero, um processo essencial conhecido como nidação, além de aumentar o risco de aborto espontâneo.

Além disso, o mioma pode causar uma inflamação crônica no endométrio, alterar o fluxo sanguíneo local e até mesmo obstruir a entrada das trompas de falópio, impedindo o encontro do espermatozoide com o óvulo. Por esses motivos, sua remoção é frequentemente recomendada para mulheres que desejam engravidar.

O mioma submucoso é perigoso?

É importante reforçar que o mioma submucoso é uma condição benigna, o que significa que não é câncer e não apresenta risco de se transformar em uma lesão maligna. No entanto, os sintomas e as complicações associadas a ele podem impactar significativamente a saúde e o bem-estar da mulher.

O principal risco está relacionado ao sangramento intenso, que pode levar a uma anemia grave se não for tratado. Para mulheres que desejam engravidar, o mioma pode representar um obstáculo importante, além de estar associado a um maior risco de complicações durante a gestação, como abortamento e parto prematuro.

Em alguns casos específicos, após o parto, um mioma submucoso pode se projetar para fora do útero ou sofrer uma necrose (morte do tecido). Nessas situações, a mulher pode sentir dor abdominal intensa e apresentar um odor fétido, exigindo, em alguns cenários, a remoção manual do mioma por via vaginal.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico do mioma submucoso começa com uma consulta ginecológica detalhada, onde o médico irá avaliar o histórico clínico e os sintomas da paciente. Para confirmar a suspeita, alguns exames de imagem são fundamentais para visualizar a cavidade uterina.

Os métodos mais utilizados incluem:

  • Ultrassonografia transvaginal: é o exame inicial mais comum, que permite identificar a presença, o tamanho e a localização dos miomas;
  • Histerossonografia: uma variação do ultrassom onde uma solução salina é injetada no útero para delinear melhor a cavidade e o mioma;
  • Histeroscopia diagnóstica: considerado o padrão-ouro, esse exame permite a visualização direta do interior do útero com uma microcâmera, confirmando a presença do mioma submucoso e avaliando sua extensão.

Quais são as opções de tratamento para o mioma submucoso?

A escolha do tratamento deve ser individualizada, levando em conta a intensidade dos sintomas, o tamanho e a localização do mioma, a idade da paciente e, principalmente, seu desejo de engravidar. Em resumo, as abordagens podem variar desde o acompanhamento até a intervenção cirúrgica:

Acompanhamento clínico

Para mulheres com miomas pequenos e sem sintomas significativos, ou que não desejam engravidar, o médico pode optar por apenas monitorar o crescimento do nódulo com exames periódicos.

Tratamento medicamentoso

O uso de medicamentos hormonais, como pílulas anticoncepcionais ou DIU hormonal, não elimina o mioma, mas pode ser eficaz para controlar os sintomas, principalmente o sangramento excessivo e as cólicas.

Geralmente, essa abordagem é indicada para mulheres que não planejam uma gestação a curto prazo.

Tratamentos cirúrgicos

Para mulheres com sintomas intensos ou que desejam engravidar, a técnica mais utilizada para o mioma submucoso é a histeroscopia cirúrgica. Esse é um procedimento minimamente invasivo, realizado por via vaginal, sem cortes, que remove o mioma e restaura a anatomia normal da cavidade uterina.

Outra opção minimamente invasiva para o tratamento de miomas uterinos é o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU), que tem demonstrado capacidade de reduzir os sintomas e o tamanho do mioma.

Em casos muito específicos, dependendo do tamanho e da complexidade, outras abordagens como a cirurgia videolaparoscópica ou a histerectomia (retirada do útero) podem ser consideradas, sendo a última uma opção definitiva reservada para casos selecionados em mulheres com prole constituída.

É possível engravidar após o tratamento?

Sim, a remoção do mioma submucoso através da histeroscopia cirúrgica tem como principal objetivo não apenas aliviar os sintomas, mas também restaurar a fertilidade. Ao remover o nódulo, a cavidade uterina volta à sua normalidade, criando um ambiente favorável para a implantação do embrião e o desenvolvimento de uma gestação saudável.

“Quando a doença é descoberta precocemente, a mulher tem tempo para tratar ou para recorrer ao congelamento de óvulos ou embriões, assegurando que, no futuro, possa conquistar o sonho de ser mãe”, afirma o Dr. Frederico Corrêa, especialista em reprodução assistida. Estudos mostram que as taxas de gravidez aumentam significativamente após o procedimento.

Para casais que enfrentam outras dificuldades para conceber, a Fertilização In Vitro (FIV) pode ser uma opção complementar após a correção da cavidade uterina, potencializando as chances de sucesso.

Entendemos que um diagnóstico como o de mioma submucoso pode ser um momento delicado, repleto de incertezas. Porém, na Huntington, nossa missão é acolher, oferecer um diagnóstico preciso e traçar o melhor plano de tratamento, sempre com foco no seu bem-estar e no seu sonho de vida.

Cada caso é único, por isso, uma avaliação especializada é o primeiro passo para encontrar as respostas que você procura. Agende uma consulta com nossos especialistas para que possamos entender sua história e caminhar ao seu lado nesta jornada!

REFERÊNCIAS

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Autores

  • Dr. Frederico Correa é o Diretor Médico da nossa Unidade Brasília. Possui doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade de São Paulo (USP) e mestrado em Ciências Genômicas pela Universidade Católica de Brasília, além do título de especialista em ginecologia e obstetrícia pela FEBRASGO (TEGO).

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