Receber o diagnóstico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) pode trazer muitas dúvidas e angústias, especialmente quando ter filhos faz parte dos seus planos.
Essa é uma preocupação válida e sim, a DIP pode impactar a fertilidade. No entanto, é fundamental compreender como isso acontece e quais caminhos existem para driblar esse problema e realizar o sonho da maternidade.
A jornada para construir uma família pode ter seus desafios, mas a informação correta e o acompanhamento especializado são seus maiores aliados. Neste artigo, vamos responder às principais dúvidas para que você tenha clareza e cuidado em cada etapa.
O que é a Doença Inflamatória Pélvica (DIP)?
A Doença Inflamatória Pélvica, conhecida pela sigla DIP, é uma infecção que atinge os órgãos reprodutivos superiores femininos. Isso inclui o útero, as trompas de Falópio (ou tubas uterinas) e os ovários.
De forma geral, a infecção se inicia na vagina ou no colo do útero e, se não tratada adequadamente, pode se espalhar para os outros órgãos do sistema reprodutor, causando uma inflamação na região pélvica.
Quais são as principais causas da DIP?
A DIP é causada principalmente pela ascensão de bactérias. Em muitos casos, está associada a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), sendo as mais comuns a clamídia e a gonorreia. Por isso, a prevenção de ISTs é um passo importante na proteção da saúde reprodutiva.
Estudos indicam que mulheres com histórico de clamídia, uma das principais bactérias associadas à DIP, têm um risco que pode ser até quatro vezes maior de desenvolver infertilidade devido a danos nas trompas de Falópio.
Contudo, é importante ressaltar que a DIP também pode ser causada por outros microrganismos que normalmente habitam a vagina, sem que haja uma IST envolvida. Além disso, a realização de alguns procedimentos ginecológicos, como a inserção de um dispositivo intrauterino (DIU) em vigência de alguma infecção ou curetagens, pode, em raras situações, facilitar a ascensão desses microrganismos.
Quais sintomas podem indicar a doença inflamatória pélvica?
Os sintomas da DIP podem variar muito e em alguns casos a doença pode ser silenciosa, ou seja, não apresentar sintomas. Quando presentes, os sintomas mais comuns incluem:
- Dor na região pélvica ou na parte inferior do abdome;
- Corrimento vaginal com cor, cheiro ou aspecto anormais;
- Sangramento uterino irregular, fora do período menstrual ou após a relação sexual;
- Dor durante a relação sexual;
- Febre e calafrios;
- Dor ou dificuldade ao urinar.
Ao notar qualquer um desses sinais, é essencial procurar avaliação médica, pois o diagnóstico precoce é fundamental para um tratamento eficaz e para minimizar os riscos de complicações futuras, incluindo a infertilidade, gravidez ectópica (fora do útero) e a dor pélvica crônica.
Como a DIP afeta a fertilidade feminina?
A Doença Inflamatória Pélvica, especialmente quando atinge órgãos como ovários, trompas de Falópio e o peritônio (membrana que reveste a cavidade abdominal), aumenta consideravelmente o risco de infertilidade. Para mulheres com 40 anos ou menos, o risco pode ser 4,8 vezes maior, e para aquelas acima dessa idade, pode chegar a ser 6 vezes maior.
O principal impacto da doença inflamatória pélvica na fertilidade está relacionado aos danos que o processo inflamatório pode causar nas trompas de Falópio. A inflamação pode levar a sequelas permanentes, mesmo após a cura da infecção.
Formação de aderências e cicatrizes nas trompas
A inflamação crônica pode resultar na formação de tecido cicatricial, conhecido como aderências. Essas cicatrizes podem obstruir parcial ou totalmente as trompas, impedindo que o óvulo liberado pelo ovário encontre o espermatozoide. Sem esse encontro, a fecundação natural não pode ocorrer.
Risco aumentado de gravidez ectópica
Quando a obstrução nas trompas é parcial, o espermatozoide pode conseguir passar e fecundar o óvulo, mas o embrião, que é maior, pode não conseguir percorrer as trompas e alcançar o útero.
Nesse cenário, ele pode se implantar na própria trompa, resultando em uma gravidez ectópica, uma condição grave que exige intervenção médica imediata e que não tem chance de evoluir.
Desenvolvimento de abscessos tubo-ovarianos
Em casos mais severos, a infecção pode levar à formação de abscessos (acúmulo de pus) nas trompas e nos ovários. Esses abscessos podem causar danos estruturais significativos aos órgãos, comprometendo ainda mais a capacidade reprodutiva.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento da DIP?
O diagnóstico da DIP é baseado na avaliação clínica dos sintomas, no exame ginecológico e pode ser complementado por exames laboratoriais, como exames de sangue e análises de secreções, além de exames de imagem, como a ultrassonografia pélvica.
Já o tratamento é realizado com o uso de antibióticos, geralmente uma combinação de medicamentos para cobrir os principais agentes causadores. Além disso, o(s) parceiro(s) sexual(is) também deve(m) ser investigados e tratado(s) para evitar a reinfecção.
Também é importante reforçar que o tratamento deve ser completo, pois a não conclusão ou a falha no tratamento da DIP aguda pode levar à sua progressão para uma forma crônica, resultando em sequelas permanentes como a infertilidade tubária e o risco de gravidez ectópica.
É possível engravidar após ter tido doença inflamatória pélvica?
Sim, muitas mulheres que tiveram DIP conseguem engravidar, especialmente se a infecção foi diagnosticada e tratada precocemente. O prognóstico depende muito da extensão dos danos causados pela inflamação, principalmente nas trompas.
Nos casos em que houve comprometimento importante das trombas a Fertilização In Vitro (FIV) é o tratamento mais indicado, pois permite que o encontro do óvulo com o espermatozoide ocorra em laboratório, contornando completamente o problema nas trompas.
No vídeo a seguir, explore como a reprodução assistida oferece novas perspectivas para superar desafios de fertilidade.
Como a Huntington pode ajudar no seu sonho de ser mãe?
Na Huntington, compreendemos que cada jornada é única e que um diagnóstico como o da DIP pode gerar incertezas. Nossa equipe é especializada em investigar as causas da infertilidade e oferecer as mais avançadas soluções em Reprodução Assistida, sempre com um olhar humano e individualizado.
Realizamos uma avaliação completa da sua saúde reprodutiva para identificar se a DIP deixou sequelas e, a partir daí, traçamos o melhor plano terapêutico para você. Com tecnologias de ponta e um time dedicado, estamos preparados para oferecer todo o suporte necessário.
Se você está preocupada com sua fertilidade, não adie a busca por orientação. Agende uma consulta com um de nossos especialistas e tenha o melhor suporte na realização do seu sonho de construir uma família!
REFERÊNCIAS
ANYALECHI, G. E. et al. Self-reported infertility and associated pelvic inflammatory disease among women of reproductive age — National Health and Nutrition Examination Survey, United States, 2013–2016. Sexually transmitted diseases, [S. l.], [s. p.], [s. d.]. DOI: https://doi.org/10.1097/OLQ.0000000000000996.
HOENDERBOOM, B. M. et al. Relation between infection and pelvic inflammatory disease, ectopic pregnancy and tubal factor infertility in a Dutch cohort of women previously tested for chlamydia in a chlamydia screening trial. Sexually Transmitted Infections, [S. l.], 3 jan. 2019. DOI: https://doi.org/10.1136/sextrans-2018-053778.
LI, H. et al. Bioinformatic characterization of whole blood neutrophils in pelvic inflammatory disease: a potential prognostic indicator for transumbilical single-port laparoscopic pelvic abscess surgery. Computational and Mathematical Methods in Medicine, abr. 2022. DOI: https://doi.org/10.1155/2022/2555603.
SAVARIS, R. F. et al. Antibiotic therapy for pelvic inflammatory disease. The Cochrane Database of Systematic Reviews, [S. l.], 20 ago. 2020. DOI: https://doi.org/10.1002/14651858.CD010285.pub3.
TAO, X. et al. Relationships between female infertility and female genital infections and pelvic inflammatory disease: a population-based nested controlled study. Clinics, 2018. DOI: https://doi.org/10.6061/clinics/2018/e364.
