A perimenopausa marca uma transição natural e significativa na vida de uma mulher. Porém, para muitas que sonham com a maternidade, essa fase pode trazer dúvidas e inseguranças.
A resposta direta para a pergunta é: sim, é possível engravidar na perimenopausa, mas o caminho pode apresentar mais desafios.
Essa fase, que antecede a menopausa, é caracterizada por flutuações hormonais que impactam diretamente a regularidade dos ciclos menstruais e a fertilidade. No entanto, com a informação correta e o acompanhamento médico adequado, existem estratégias e tratamentos que podem auxiliar na realização do sonho de ter um filho. Saiba mais!
O que é a perimenopausa e quando ela geralmente começa?
A perimenopausa é o período de transição entre a fase reprodutiva da mulher e a menopausa, sendo marcada pelo início do declínio da função ovariana. Essa etapa é oficialmente definida por 12 meses consecutivos sem menstruação.
Durante esse tempo, os ovários diminuem gradualmente a produção de estrogênio, o principal hormônio feminino, causando diversas mudanças no corpo.
Geralmente, a perimenopausa tem início na faixa dos 40 anos, mas para algumas mulheres, pode começar já em meados dos 30. A duração também é muito variável, podendo se estender por poucos meses ou por vários anos.
Portanto, é fundamental entender que cada mulher tem uma jornada única, e o início e a duração da perimenopausa são individuais.
Quais são os principais sinais e sintomas da perimenopausa?
As mudanças hormonais dessa fase podem se manifestar de diversas formas. Por isso, reconhecer os sinais é o primeiro passo para buscar orientação e cuidar da sua saúde reprodutiva. Alguns dos sintomas mais comuns da perimenopausa incluem:
- Irregularidades menstruais: os ciclos podem se tornar mais longos ou mais curtos, e o fluxo pode ser mais intenso ou mais leve;
- Ondas de calor (fogachos): sensações súbitas e intensas de calor, principalmente no rosto, pescoço e peito;
- Alterações de humor: irritabilidade, ansiedade ou sintomas depressivos podem se tornar mais frequentes;
- Dificuldades para dormir: muitas vezes associadas às ondas de calor noturnas e suores;
- Diminuição da libido: a queda hormonal pode afetar o desejo sexual;
- Secura vaginal: o baixo estrogênio pode causar desconforto durante a relação sexual.
Contudo, vale destacar que apresentar um ou mais desses sintomas não confirma o diagnóstico, sendo indispensável a avaliação de um especialista para um entendimento completo do seu quadro de saúde.
Além dos sintomas mais conhecidos, é fundamental estar atenta a quaisquer alterações ginecológicas incomuns. Tumores uterinos raros, como o adenosarcoma, podem se manifestar durante a perimenopausa, o que reforça a importância de um acompanhamento médico contínuo e exames regulares nessa etapa da vida.
Como a perimenopausa afeta a fertilidade?
A diminuição da fertilidade durante a perimenopausa ocorre principalmente por dois motivos interligados. O primeiro é a irregularidade na ovulação, pois, com os hormônios flutuando, a liberação de um óvulo a cada mês se torna imprevisível e, em alguns ciclos, pode nem mesmo acontecer.
Além disso, a qualidade dos óvulos, conhecida como qualidade oocitária, também tende a diminuir com o avanço da idade. Isso significa que, mesmo que ocorra a ovulação e a fecundação, os óvulos podem ter uma maior probabilidade de apresentar alterações cromossômicas, o que pode dificultar a implantação do embrião ou aumentar os riscos de aborto espontâneo.
É possível engravidar naturalmente durante a perimenopausa?
Sim, a gravidez natural ainda é uma possibilidade, embora as chances sejam consideravelmente menores. Como a ovulação, apesar de irregular, ainda pode ocorrer, a concepção é possível. No entanto, devido à menor frequência e à qualidade oocitária reduzida, o processo se torna mais desafiador.
É importante lembrar que, enquanto houver ciclos menstruais, mesmo que irregulares, a mulher que não deseja engravidar deve continuar usando métodos contraceptivos, como preservativo. Já para aquelas que sonham com a gestação, é o momento ideal para buscar ajuda especializada e avaliar as melhores estratégias.
Além disso, para além da idade, a saúde metabólica desempenha um papel crucial na jornada para a gestação. Por isso, manter condições como obesidade, diabetes e hipertensão sob controle rigoroso pode reduzir o risco de histerectomia, a remoção do útero, e assim preservar a fertilidade durante a transição para a menopausa.
Entenda no vídeo abaixo como a idade impacta a fertilidade e a possibilidade de engravidar.
Quais tratamentos de reprodução assistida podem ajudar?
A medicina reprodutiva oferece caminhos de esperança e possibilidades para mulheres na perimenopausa que desejam engravidar. O plano de tratamento é sempre individualizado, começando com uma avaliação detalhada da saúde.
Avaliação da reserva ovariana
Antes de definir qualquer estratégia, é essencial entender o potencial reprodutivo atual da mulher. Exames de sangue, como a dosagem do hormônio anti-mülleriano (AMH) e do FSH, juntamente com ultrassonografias para contagem de folículos antrais, nos dão um panorama da reserva ovariana. Isso porque a quantidade de óvulos disponíveis é um indicador crucial para a capacidade de engravidar.
O declínio dessa reserva tende a se acentuar significativamente por volta dos 47 anos, idade em que muitas mulheres podem apresentar níveis indetectáveis de AMH, um sinal de perimenopausa avançada ou menopausa.
Fertilização In Vitro (FIV)
A Fertilização In Vitro (FIV) é um dos tratamentos mais indicados nesses casos, pois o procedimento envolve a estimulação ovariana para recrutar os óvulos disponíveis, que serão coletados e fertilizados em laboratório.
Isso aumenta as chances de se obter um embrião saudável, que será posteriormente transferido para o útero.
Doação de óvulos (ovodoação)
Para casos em que a reserva ovariana está muito baixa ou a qualidade dos óvulos é um fator limitante, a ovodoação se apresenta como um caminho luminoso e cheio de esperança. O tratamento utiliza óvulos de uma doadora jovem e saudável, que são fertilizados com o sêmen do parceiro ou de um doador, e o embrião resultante é transferido para o útero da paciente.
Congelamento de óvulos
Para mulheres que estão na faixa dos 30 anos e ainda não têm planos imediatos de engravidar, mas desejam preservar sua fertilidade, o congelamento de óvulos é uma excelente opção. Esse procedimento permite guardar óvulos de boa qualidade para serem utilizados no futuro, quando a mulher decidir que é o momento certo para a maternidade.
Qual o papel do acompanhamento médico especializado nesta jornada?
Navegar pela perimenopausa e seus impactos na fertilidade pode gerar muitas emoções e incertezas. Por isso, o acompanhamento de uma equipe médica especializada em reprodução humana é fundamental não apenas para o sucesso técnico do tratamento, mas também para o acolhimento e suporte emocional.
“O principal objetivo de um tratamento humanizado e individualizado é aumentar as chances de uma gravidez segura e saudável para quem procura pela reprodução assistida”, enfatiza a Dra. Ana Luiza Nunes, especialista em reprodução assistida.
Cada mulher é única, e seu plano de tratamento também deve ser. Um especialista poderá avaliar seu histórico, realizar os exames necessários e, junto com você, traçar o caminho mais seguro e adequado para alcançar o seu sonho.
Na Huntington, entendemos que cuidamos de histórias e de projetos de vida, oferecendo um atendimento humano e personalizado em cada etapa. Portanto, se você está na perimenopausa e sonha em engravidar, saiba que existem possibilidades. Converse com nossos especialistas para entender suas opções!
REFERÊNCIAS
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