Saúde reprodutiva feminina: 5 hábitos que afetam a fertilidade
Médico explicando para uma mulher sobre Saúde Reprodutiva Feminina.

Saúde reprodutiva: 5 hábitos que podem afetar a fertilidade

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A fertilidade é um universo complexo e fascinante, diretamente conectado à nossa saúde e bem-estar geral. Para muitas mulheres, a capacidade de gerar uma nova vida é um desejo profundo, por isso, entender os fatores que influenciam esse processo é o primeiro passo para cuidar da sua saúde reprodutiva feminina.

Embora tratamentos e exames médicos sejam importantes, às vezes, esquecemos o poder que os hábitos do dia a dia têm sobre a capacidade de conceber. Pequenas escolhas diárias podem ser grandes aliados ou vilões para a fertilidade.

Neste artigo, vamos mergulhar nos principais comportamentos que impactam a fertilidade. Continue a leitura e descubra como otimizar a sua jornada!

O que é fertilidade feminina e como ela funciona?

A fertilidade feminina refere-se à capacidade do corpo de conceber e levar uma gestação até o nascimento. É um processo biológico complexo que envolve uma série de etapas e hormônios, começando com a ovulação – a liberação de um óvulo maduro pelos ovários – e culminando na implantação bem-sucedida de um embrião no útero.

Para que tudo funcione harmoniosamente, é necessário um equilíbrio delicado. Por isso, diversos fatores fisiológicos estão em jogo:

  • Ovulação regular: a liberação mensal de um óvulo saudável é fundamental;
  • Tubas uterinas desobstruídas: essenciais para que o óvulo e o espermatozoide se encontrem;
  • Útero saudável: um ambiente propício para a implantação e desenvolvimento do embrião;
  • Equilíbrio hormonal: hormônios como estrogênio, progesterona e hormônio folículo-estimulante (FSH) precisam estar em níveis adequados.

Quando falamos sobre como aumentar a fertilidade, estamos nos referindo a otimizar essas condições, preparando o corpo para o melhor cenário possível. E é aqui que o estilo de vida e fertilidade se conectam.

Hábitos que prejudicam a fertilidade feminina

Diversos hábitos podem interferir na saúde reprodutiva feminina e, consequentemente, na capacidade de uma mulher engravidar. Confira a seguir os principais:

1. Alimentação desequilibrada

Você sabia que o que você come pode ter um impacto profundo na fertilidade feminina? A nutrição é um dos pilares da saúde reprodutiva feminina, influenciando diretamente a qualidade dos óvulos, o equilíbrio hormonal e a capacidade do corpo de sustentar uma gestação.

Então, o que evitar?

  • Alimentos ultraprocessados: ricos em açúcares, gorduras trans e aditivos químicos, eles podem levar a inflamações e desequilíbrios hormonais;
  • Excesso de carboidratos refinados: pães brancos, massas e doces podem causar picos de insulina, impactando a ovulação e contribuindo para condições como ovários policísticos;
  • Gorduras trans: presentes em muitos alimentos industrializados, podem comprometer a saúde celular e hormonal;
  • Cafeína em excesso: embora pequenas quantidades sejam geralmente seguras, o consumo exagerado pode estar associado a um risco aumentado de dificuldades de concepção.

O que incluir para aumentar a fertilidade?

Uma dieta rica em nutrientes é crucial. Portanto, inclua alimentos que melhoram a fertilidade, como:

  • Frutas e vegetais coloridos: fontes de vitaminas, minerais e antioxidantes que protegem as células reprodutivas;
  • Gorduras saudáveis: abacate, azeite de oliva, nozes e sementes (linhaça, chia) são ricos em ômega-3, essenciais para a produção hormonal;
  • Proteínas magras: peixes, ovos, leguminosas e carnes brancas fornecem aminoácidos importantes;
  • Grãos integrais: arroz integral, quinoa, aveia, que liberam energia de forma gradual e ajudam a manter o açúcar no sangue estável;
  • Ácido fólico: essencial para a formação do tubo neural do bebê, encontrado em folhas verdes escuras, feijão e lentilha.

Além disso, manter um peso saudável através de uma alimentação equilibrada é fundamental, pois tanto o baixo peso quanto a obesidade podem desregular os hormônios e comprometer a ovulação.

2. Estresse crônico

Em um mundo cada vez mais acelerado, o estresse tornou-se uma parte comum da vida. No entanto, o estresse crônico é um dos hábitos que afetam a fertilidade de forma silenciosa e significativa.

Quando estamos estressados, o nosso corpo libera hormônios como o cortisol, que podem interferir no delicado equilíbrio dos hormônios reprodutivos com:

  • Desregulação hormonal: o cortisol elevado pode suprimir a produção de hormônios como o GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas), que é crucial para a ovulação;
  • Ciclos menstruais irregulares: o estresse pode levar a períodos irregulares ou anovulação (ausência de ovulação), dificultando a identificação do período fértil;
  • Diminuição da libido: um corpo estressado pode não ter a energia ou o desejo para a atividade sexual, o que naturalmente reduz as chances de concepção;
  • Pior qualidade do óvulo: há evidências de que o estresse prolongado pode afetar a qualidade dos óvulos.

Estratégias para gerenciar o estresse e aumentar a fertilidade:

  • Meditação e mindfulness: práticas que ajudam a acalmar a mente e reduzir os níveis de cortisol;
  • Yoga e alongamento: combinam movimento com técnicas de respiração, promovendo relaxamento;
  • Exercícios físicos regulares: uma caminhada, corrida ou natação são ótimos para liberar endorfinas e aliviar a tensão (mas cuidado com excessos!);
  • Tempo para lazer: dedique-se a hobbies e atividades que você ama e que a façam sentir-se bem;
  • Conexão social: compartilhar sentimentos e preocupações com amigos e familiares pode ser um grande alívio;
  • Sono de qualidade: como veremos adiante, um bom sono é fundamental para a recuperação e regulação hormonal.

Priorizar o seu bem-estar e saúde da mulher mental é tão importante quanto o físico na jornada da fertilidade.

3. Sedentarismo ou exercícios em excesso

A prática de exercícios físicos é essencial para a saúde geral, mas quando se trata de fertilidade feminina, tanto a falta quanto o excesso podem ser hábitos que afetam a fertilidade negativamente.

Sedentarismo

A falta de atividade física regular está associada a diversos problemas de saúde que podem impactar a fertilidade, como:

  • Obesidade: o excesso de peso corporal pode levar a desequilíbrios hormonais, resistência à insulina e disfunção ovulatória;
  • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): o sedentarismo pode agravar os sintomas da SOP, uma das principais causas de infertilidade feminina, que inclui irregularidades menstruais e ovulação comprometida;
  • Piora da circulação sanguínea: menor fluxo sanguíneo para os órgãos reprodutivos.

Exercícios em excesso

Por outro lado, o treinamento físico muito intenso e prolongado também pode ser prejudicial:

  • Amenorreia (ausência de menstruação): exercícios extenuantes podem levar a uma diminuição significativa da gordura corporal e do estresse fisiológico, suprimindo a produção de estrogênio e interrompendo os ciclos menstruais;
  • Desequilíbrio hormonal: assim como o estresse crônico, o excesso de exercícios pode elevar os níveis de cortisol, interferindo nos hormônios reprodutivos;
  • Estresse oxidativo: embora o exercício moderado seja antioxidante, o excesso pode gerar estresse oxidativo, danificando células, incluindo os óvulos.

O equilíbrio ideal para a saúde reprodutiva feminina

A chave é o equilíbrio! Por isso, especialistas recomendam atividades físicas moderadas na maioria dos dias da semana. Isso pode incluir:

  • Caminhadas rápidas;
  • Natação;
  • Ciclismo;
  • Yoga ou Pilates;
  • Musculação leve a moderada.

Contudo, converse com um profissional de saúde ou educador físico para criar um plano de exercícios seguro e eficaz que contribua para o bem-estar e para a saúde da mulher.

4. Tabagismo, álcool e outras substâncias

Substâncias como tabaco, álcool e drogas ilícitas são reconhecidas como grandes inimigos da saúde em geral, e a fertilidade feminina não é exceção. Eles estão entre os hábitos que afetam de forma mais direta e prejudicial.

Tabagismo

Fumar é um dos maiores contribuintes para a infertilidade feminina com causas evitáveis. Os produtos químicos tóxicos presentes no cigarro podem:

  • Acelerar o envelhecimento dos ovários: reduzindo a reserva ovariana e diminuindo a qualidade dos óvulos;
  • Prejudicar as tubas uterinas: aumentando o risco de gravidez ectópica e obstruções;
  • Interferir na implantação: dificultando que o embrião se fixe no útero;
  • Causar desequilíbrios hormonais: afetando a ovulação e o ciclo menstrual.

Além disso, mulheres fumantes podem ter sua menopausa antecipada em até 1 a 4 anos.

Álcool

O consumo excessivo de álcool é outro fator de risco, pois ele pode:

  • Alterar o ciclo menstrual: tornando-o irregular e imprevisível;
  • Afetar a qualidade do óvulo: prejudicando a maturação folicular;
  • Dificultar a implantação: por afetar o ambiente uterino.

Vale destacar que não há um nível “seguro” de consumo de álcool para quem está tentando engravidar ou já está grávida. Muitos especialistas recomendam a abstinência completa ao tentar aumentar a fertilidade e durante a gestação.

Drogas ilícitas e alguns medicamentos

Substâncias como maconha, cocaína e outras drogas recreativas têm impactos severos na saúde reprodutiva feminina, podendo causar:

  • Anovulação;
  • Danos aos óvulos;
  • Aumento do risco de aborto espontâneo.

Além disso, alguns medicamentos (mesmo prescritos) podem afetar a fertilidade. Por isso, é crucial discutir todos os medicamentos que você está tomando com seu médico ao planejar uma gravidez.

5. Sono inadequado e a regulação hormonal

O sono é muitas vezes subestimado, mas é um pilar fundamental para a saúde reprodutiva feminina. Um sono de má qualidade ou insuficiente é um dos hábitos que desregulam o sistema hormonal do corpo.

Como o sono afeta a fertilidade feminina?

  • Produção hormonal: muitos hormônios essenciais para a fertilidade, como o FSH (hormônio folículo-estimulante) e o LH (hormônio luteinizante), que regulam a ovulação, são liberados em pulsos durante o sono. A privação do sono pode alterar esses padrões;
  • Melatonina: o hormônio do sono, a melatonina, também tem um papel antioxidante e protetor nos ovários, influenciando a qualidade dos óvulos;
  • Cortisol: a privação do sono eleva os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, que, como vimos, pode inibir a ovulação e desequilibrar outros hormônios reprodutivos;
  • Resistência à insulina: a falta de sono pode contribuir para a resistência à insulina, um fator de risco para a SOP e para infertilidade feminina causas relacionadas.

Como manter um sono de qualidade?

  • Estabeleça uma rotina: tente ir para a cama e acordar nos mesmos horários todos os dias, inclusive nos fins de semana;
  • Crie um ambiente propício: mantenha o quarto escuro, silencioso e fresco;
  • Evite telas antes de dormir: a luz azul de celulares, tablets e computadores pode inibir a produção de melatonina;
  • Limite cafeína e álcool: evite consumi-los horas antes de deitar;
  • Relaxe antes de dormir: um banho morno, leitura de um livro ou meditação podem ajudar a acalmar a mente.

Investir em um sono reparador é um dos passos mais simples e eficazes para otimizar sua saúde reprodutiva feminina e seu bem-estar e saúde da mulher.

Outros fatores que influenciam a fertilidade

Enquanto os hábitos diários têm um papel crucial, é importante reconhecer que a fertilidade feminina também é influenciada por fatores que fogem ao nosso controle direto. Portanto, compreender outras causas é essencial para uma abordagem completa da saúde reprodutiva feminina. 

Idade

A idade é um dos fatores mais significativos na fertilidade feminina. A partir dos 30 anos, e mais acentuadamente após os 35, a qualidade e quantidade dos óvulos diminuem. Como consequência, isso torna a concepção mais desafiadora e aumenta os riscos de complicações na gravidez.

Embora o estilo de vida e fertilidade possam otimizar as condições, eles não revertem o envelhecimento ovariano.

Condições médicas

Diversas condições de saúde podem afetar a capacidade de engravidar, incluindo:

  • Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP): é caracterizada por desequilíbrios hormonais que afetam a ovulação;
  • Endometriose: condição em que o tecido semelhante ao revestimento uterino cresce fora do útero, podendo causar dor e afetar a fertilidade;
  • Fibromiomas uterinos: tumores benignos no útero que podem interferir na implantação ou no desenvolvimento da gravidez;
  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP): infecções nas tubas uterinas, ovários ou útero que podem causar aderências e obstruções;
  • Problemas de tireoide: disfunções da tireoide (hipo ou hipertireoidismo) podem afetar a ovulação e o equilíbrio hormonal;
  • Insuficiência ovariana primária (falência ovariana prematura): perda da função ovariana antes dos 40 anos.

Contudo, é fundamental buscar o diagnóstico e tratamento adequados para essas condições com um profissional de saúde. Afinal, a atenção médica para essas questões é indispensável.

Quando procurar ajuda médica para a fertilidade?

Decidir quando procurar ajuda para investigar a fertilidade é uma etapa importante na jornada de muitas mulheres. É natural ter dúvidas e ansiedades, mas saber o momento certo pode otimizar suas chances e oferecer o suporte necessário.

De modo geral, é importante seguir algumas recomendações:

  • Para mulheres com menos de 35 anos: recomenda-se procurar um especialista se não houver gravidez após 12 meses de tentativas regulares e sem uso de contraceptivos;
  • Para mulheres com 35 anos ou mais: a recomendação é buscar ajuda após 6 meses de tentativas, devido à diminuição natural da fertilidade feminina com a idade;
  • Para mulheres com 40 anos ou mais: é aconselhável procurar avaliação médica logo que decidir engravidar.

Cuidar da saúde reprodutiva feminina é um ato de autocuidado e empoderamento. Uma alimentação balanceada, o gerenciamento do estresse, a prática de exercícios moderados, o abandono de vícios e um sono reparador são pilares para aumentar a fertilidade e promover seu bem-estar e saúde da mulher como um todo.

No entanto, lembre-se que cada corpo é único, e a jornada da fertilidade pode ter seus desafios. Esteja atenta aos sinais do seu corpo e, se precisar de ajuda para engravidar, não hesite em buscar o apoio de profissionais de saúde.

Na Huntington, oferecemos o melhor suporte possível para nossos pacientes. Nossa equipe multidisciplinar de especialistas conta com ginecologistas, urologistas, obstetras, embriologistas, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos. Agende uma consulta e vamos, juntos, construir a sua jornada!

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