Dosagem hormonal: quando fazer para investigar a infertilidade?
Mão com luva segurando uma amostra de sangue para o exame de dosagem hormonal.

Exame de dosagem hormonal: quando é indicado na investigação de infertilidade?

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O exame de dosagem hormonal é um dos primeiros e mais importantes passos na investigação da infertilidade feminina, pois ajuda a mapear o funcionamento do seu sistema reprodutivo.

Essencialmente, ele mede os níveis de hormônios específicos que regulam o ciclo menstrual, a ovulação e a capacidade de sustentar uma gestação. Assim, a análise desses resultados oferece um panorama detalhado da saúde reprodutiva da mulher, permitindo um diagnóstico mais preciso e a definição do tratamento mais adequado.

O que é a dosagem hormonal e por que é importante?

Os exames de dosagem hormonal quantificam as concentrações de diferentes hormônios na corrente sanguínea. Para a saúde da mulher, eles são ferramentas diagnósticas poderosas, especialmente quando o assunto é a fertilidade.

Os hormônios funcionam como mensageiros químicos que orquestram processos complexos, como o amadurecimento dos óvulos e a preparação do útero para receber o embrião. Qualquer desequilíbrio pode dificultar a concepção. Portanto, a avaliação hormonal é crucial para identificar possíveis causas da dificuldade de engravidar.

Além dos hormônios diretamente ligados à reprodução, é importante considerar a avaliação de biomarcadores metabólicos na investigação da infertilidade, especialmente em mulheres com suspeita de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) ou resistência à insulina. Exames como hemoglobina glicada (HbA1c) e triglicerídeos (TG) auxiliam na análise do contexto metabólico, que pode impactar a função reprodutiva.

Quando a avaliação de dosagem hormonal é indicada na investigação da infertilidade?

Geralmente, o especialista em reprodução assistida solicita a avaliação da dosagem hormonal após uma avaliação inicial do casal. A recomendação é comum para mulheres que tentam engravidar há mais de um ano (ou seis meses, se tiverem 35 anos ou mais) sem sucesso.

Estudos globais mostram que desequilíbrios hormonais, como a Síndrome do Ovário Policístico (SOP), alterações da função tireoidiana e falência ovariana prematura, são causas frequentes de infertilidade em mulheres, o que reforça a necessidade de investigação nessas áreas.

Mesmo quando exames de reserva ovariana e ovulação indicam níveis hormonais dentro da normalidade, fatores como o tabagismo e o sedentarismo podem impactar negativamente a fertilidade. Esses hábitos estão associados a alterações na qualidade ovocitária, estresse oxidativo e prejuízo da função ovariana.

Além disso, a investigação é indicada em casos de:

  • Ciclos menstruais irregulares, muito curtos ou muito longos;
  • Suspeita de Síndrome dos Ovários Policísticos;
  • Histórico de abortos de repetição;
  • Sinais de menopausa precoce ou baixa reserva ovariana;
  • Antes de iniciar tratamentos de reprodução assistida, como a Fertilização In Vitro (FIV).

Quais são os principais exames hormonais solicitados para investigar a infertilidade feminina?

A análise é personalizada, mas alguns hormônios são chave na investigação da fertilidade. A coleta de sangue para a maioria deles é realizada em uma fase específica do ciclo menstrual, geralmente entre o segundo e o quinto dia, para garantir uma avaliação mais precisa.

Hormônio folículo-estimulante (FSH)

Produzido pela hipófise, o FSH estimula o crescimento dos folículos ovarianos, as estruturas que contêm os óvulos. Níveis elevados no início do ciclo podem indicar diminuição da reserva ovariana, especialmente quando avaliados em conjunto com o estradiol basal.

Hormônio luteinizante (IH)

Também secretado pela hipófise, o LH atua em conjunto com o FSH. Seu pico no meio do ciclo é o gatilho que provoca a ovulação, ou seja, a liberação do óvulo maduro. Alterações em seus níveis podem indicar distúrbios ovulatórios.

Estradiol

É o principal tipo de estrogênio produzido pelos folículos em crescimento. Seus níveis ajudam a avaliar a resposta ovariana ao estímulo do FSH e a saúde do endométrio, o revestimento interno do útero onde o embrião se implanta.

Progesterona

Esse hormônio é produzido pelo corpo lúteo após a ovulação e sua principal função é preparar o endométrio para a implantação e dar suporte à fase inicial da gravidez. Níveis inadequados na fase lútea podem indicar falhas na ovulação ou insuficiência lútea.

Hormônio anti-mülleriano (AMH)

O AMH é produzido pelos pequenos folículos ovarianos. É considerado um dos melhores marcadores da reserva ovariana, pois apresenta boa correlação com o número de folículos disponíveis. Diferente de outros hormônios, pode ser medido em qualquer fase do ciclo.

Prolactina

Responsável pela produção de leite materno, a prolactina, quando em excesso (hiperprolactinemia), pode interferir na ovulação e causar irregularidades menstruais. Sua dosagem é importante para descartar essa possível causa de infertilidade.

Hormônios da tireoide (TSH e T4 livre)

O bom funcionamento da tireoide é essencial para a saúde reprodutiva. Alterações como hipotireoidismo ou hipertireoidismo podem afetar a ovulação e aumentar o risco de perda gestacional. Por isso, a avaliação do TSH e do T4 livre é parte da investigação de rotina.

Globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG)

A SHBG é uma proteína responsável pelo transporte de hormônios sexuais no sangue. Sua dosagem pode auxiliar na avaliação de quadros de hiperandrogenismo e resistência à insulina, especialmente em pacientes com suspeita de SOP.

Como é feito o exame de dosagem hormonal?

O procedimento é simples e consiste na coleta de uma amostra de sangue. O ponto mais importante é o agendamento da coleta na fase correta do ciclo menstrual, conforme a orientação médica, já que os níveis hormonais variam ao longo do mês.

Como interpretar os resultados dos exames hormonais?

A interpretação dos resultados da dosagem hormonal deve ser realizada por um médico especialista em reprodução humana. Os valores de referência variam entre laboratórios, e a análise não deve ser feita de forma isolada.

O médico avalia o conjunto dos resultados, correlacionando-os com idade, histórico clínico e outros exames, como a ultrassonografia transvaginal. Somente com essa visão integrada é possível estabelecer um diagnóstico adequado.

E a dosagem hormonal masculina, também é necessária?

Sim. É importante lembrar que a investigação da infertilidade deve envolver o casal. Cerca de estão relacionados a fatores masculinos.

Sim. A investigação da infertilidade deve envolver o casal. Aproximadamente 30% dos casos são exclusivamente de causa masculina, e em até 50% pode haver participação de fator masculino isolado ou combinado.

A dosagem de hormônios como testosterona, FSH e LH no homem pode fornecer informações relevantes sobre a função testicular e a produção de espermatozoides.

Qual o próximo passo após o resultado dos exames?

Com os resultados em mãos, o próximo passo é a consulta de retorno com o médico. Ele explicará o significado dos achados no contexto individual e, caso haja alterações, discutirá as opções de tratamento mais adequadas.

O mais importante é saber que você não está sozinha nessa jornada e que um diagnóstico hormonal não representa o fim do caminho, mas o início de um plano de cuidado estruturado.

Na Huntington, nossa equipe está preparada para oferecer um atendimento humano, ético e individualizado, utilizando a ciência para transformar sonhos em vida.

Se você tem dúvidas sobre sua fertilidade, agende uma consulta com um de nossos especialistas. Estamos aqui para acolher, orientar e caminhar ao seu lado em cada etapa!

REFERÊNCIAS

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