A possibilidade de uma relação entre FIV e autismo é uma dúvida que pode surgir entre pessoas que estão considerando a Fertilização In Vitro para realizar o sonho da maternidade ou da paternidade. Com o aumento do acesso à reprodução assistida e da divulgação de informações na internet, é natural que questionamentos sobre a segurança do tratamento despertem preocupação.
No entanto, as evidências científicas mais recentes mostram que não há comprovação de que a FIV, por si só, aumente o risco de transtorno do espectro autista (TEA). Fatores como idade dos pais, causas da infertilidade e condições genéticas podem influenciar esse risco e precisam ser considerados na interpretação dos estudos.
Neste artigo, você vai entender o que a ciência diz sobre a relação entre FIV e autismo, quais fatores realmente podem estar envolvidos e por que o acompanhamento com especialistas é fundamental para tomar decisões seguras.
A Fertilização In Vitro causa autismo?
A resposta direta da comunidade científica é não. A técnica de FIV não é uma causa direta para o desenvolvimento do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Estudos demonstraram que a Fertilização In Vitro convencional não aumenta o risco de autismo em crianças, quando comparada à concepção natural.
Grandes estudos populacionais, incluindo revisões sistemáticas e meta-análises publicadas em periódicos de alto impacto, buscaram analisar essa questão a fundo. A conclusão majoritária é que, quando se ajustam os dados para fatores de confusão, o risco atribuível ao procedimento em si desaparece ou se torna estatisticamente insignificante. Portanto, a FIV, por si só, não aumenta o risco de autismo nos filhos.
“Podemos afirmar que, até o momento, as pesquisas e dados científicos não são conclusivos para mostrar aumento de risco de TEA em crianças nascidas por tratamentos de reprodução assistida”, ressalta a Dra, Renata Schaal, especialista em reprodução assistida.
Por que essa dúvida sobre FIV e autismo existe?
Geralmente, a associação entre FIV e autismo surge de uma interpretação equivocada de dados. Por isso, é muito importante diferenciar correlação de causalidade. Muitas vezes, os fatores que levam um casal a precisar de tratamentos de fertilidade são os mesmos que estão independentemente associados a um maior risco de TEA.
Um dos fatores mais bem estabelecidos para o aumento do risco de TEA é a idade parental avançada, tanto materna quanto, e principalmente, paterna. Em contrapartida, casais que adiam a parentalidade são o principal público dos tratamentos de reprodução assistida.
Portanto, a maior prevalência de crianças com TEA nesse grupo está muito mais ligada à idade dos seus pais do que ao método de concepção.
Quais são os verdadeiros fatores associados ao transtorno do espectro autista?
O TEA é uma condição de neurodesenvolvimento complexa e de origem multifatorial. Não há uma causa única, mas sim uma interação de diferentes elementos. Os principais fatores conhecidos são:
- Genética: a hereditariedade desempenha o papel mais significativo, então, se há casos de autismo na família, a probabilidade aumenta. No entanto, envolve centenas de genes, e não apenas um;
- Idade parental avançada: tanto a idade da mãe quanto, principalmente, a do pai no momento da concepção são fatores de risco documentados;
- Complicações na gestação e no parto: questões como prematuridade extrema, baixo peso ao nascer e falta de oxigenação durante o parto podem aumentar o risco de TEA. Essas condições também podem influenciar diretamente a relação entre a reprodução assistida e o risco de autismo;
- Fatores ambientais: a exposição a certas substâncias durante a gravidez é investigada, mas a evidência ainda é limitada e muitas vezes inconclusiva.
É possível diagnosticar ou prevenir o autismo com a FIV?
Não é possível fazer um “diagnóstico” de autismo em um embrião. Além disso, como o TEA é multifatorial e não causado por um único gene, não existe um teste genético que possa confirmar ou descartar a condição antes da implantação.
O que a tecnologia da FIV permite é a realização do Teste Genético Pré-implantacional (PGT), que analisa as células do embrião para identificar alterações cromossômicas (PGT-A) ou doenças genéticas específicas causadas por um único gene (PGT-M).
O PGT-M pode ser usado para prevenir a transmissão de certas síndromes genéticas raras que estão associadas a um alto risco de autismo, como a Síndrome do X Frágil. Contudo, essas síndromes representam uma pequena fração de todos os casos de TEA. Para a grande maioria dos casos de autismo, de origem multifatorial, o PGT não tem aplicabilidade.
Como tomar decisões seguras antes da Fertilização In Vitro?
A melhor forma de combater a desinformação é conversar abertamente com profissionais qualificados. O médico especialista em reprodução humana é a pessoa mais indicada para avaliar cada caso, explicar os processos e esclarecer os riscos e benefícios reais da FIV.
Além disso, para casais com histórico familiar de doenças genéticas, o aconselhamento genético é uma etapa valiosa, pois ajuda a entender as probabilidades e as opções disponíveis de rastreamento genético, oferecendo suporte para uma tomada de decisão consciente e tranquila.
Em todo caso, a FIV é uma ferramenta segura e eficaz que já ajudou a formar milhões de famílias. A preocupação com o autismo deve ser direcionada para os fatores de risco conhecidos, e não para o método que viabiliza o sonho da parentalidade.
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REFERÊNCIAS
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