Para muitas mulheres, o diagnóstico da menopausa pode parecer o fim das chances de engravidar. Afinal, o encerramento da função ovariana e a interrupção definitiva da menstruação costumam ser associados ao término da vida reprodutiva. Mas existe a possibilidade de fazer FIV na menopausa?
Os avanços da medicina reprodutiva mostram que, em algumas situações, a maternidade ainda pode ser uma possibilidade. Embora a gravidez espontânea após a menopausa não seja possível, a Fertilização In Vitro pode viabilizar uma gestação quando há indicação médica, geralmente com o uso de óvulos doados.
No entanto, antes de iniciar o tratamento, a mulher passa por uma avaliação criteriosa para verificar as condições de saúde e garantir que a gravidez possa ocorrer com segurança. Neste artigo, você vai entender se é possível fazer FIV na menopausa, como o tratamento funciona, quais são os principais requisitos e o que considerar antes de iniciar essa jornada.
O que acontece com a fertilidade na menopausa?
A menopausa é definida como a última menstruação, um marco que confirma o fim da fase reprodutiva natural da mulher. Isso ocorre porque os ovários deixam de liberar óvulos e reduzem drasticamente a produção de hormônios como o estrogênio.
Apesar dessa queda de estrogênio, os tecidos reprodutivos na pós-menopausa ainda mantêm receptores capazes de responder a nutrientes essenciais. Essa capacidade é fundamental para a saúde e para a preparação do útero para uma possível gestação.
Além disso, vale ressaltar que esse processo é gradual. Anos antes, no climatério, a reserva ovariana (o “estoque” de óvulos com que toda mulher nasce) já começa a diminuir de forma acelerada, comprometendo tanto a quantidade quanto a qualidade dos óvulos disponíveis.
Como a Fertilização In Vitro funciona para mulheres na menopausa?
A Fertilização In Vitro (FIV) é um dos tratamentos recomendados porque contorna as barreiras impostas pela menopausa ao focar na preparação do útero e utilizar óvulos de uma fonte externa. O tratamento é adaptado para criar as condições ideais para a implantação do embrião e o desenvolvimento da gravidez.
A necessidade de óvulos doados (ovodoação)
Como os ovários não produzem mais óvulos, a solução é recorrer a óvulos doados. A ovodoação é um processo anônimo no qual uma mulher jovem e saudável doa seus óvulos para a realização do procedimento. Esses gametas são fertilizados em laboratório com o sêmen do parceiro da receptora ou de um doador.
Uma alternativa é o uso de óvulos próprios, caso a mulher tenha realizado o congelamento dos gametas (criopreservação) antes de entrar na menopausa. Essa é uma opção cada vez mais procurada por mulheres que decidem adiar a maternidade.
O preparo do útero
O útero de uma mulher na menopausa é perfeitamente capaz de gestar um bebê, desde que devidamente preparado. Esse preparo, chamado de preparo endometrial, é feito com a administração de medicamentos hormonais.
A terapia consiste no uso de estrogênio para promover o crescimento do endométrio. Em seguida, a progesterona é introduzida para tornar essa camada receptiva à implantação do embrião. Esse processo mimetiza as fases de um ciclo menstrual natural, criando as condições ideais para a implantação do embrião.
Como funciona a FIV na menopausa?
O processo de Fertilização In Vitro na menopausa é meticulosamente planejado para simular as condições ideais de uma gestação. Geralmente, as etapas incluem:
Avaliação médica completa
Antes de iniciar o tratamento, a mulher passa por uma série de exames para avaliar sua saúde geral, incluindo condições cardíacas e metabólicas. Além disso, a avaliação detalhada da saúde do útero é fundamental nesta etapa.
Também é preciso identificar alterações benignas muito comuns como pólipos e miomas, que podem interferir no sucesso da FIV. O objetivo é garantir que a mulher possa levar uma gravidez a termo com segurança.
- Preparação do endométrio: como o corpo não produz mais os hormônios necessários, a paciente recebe medicamentos à base de estrogênio e progesterona. Eles preparam o endométrio, a camada interna do útero, para que ele atinja a espessura ideal para a implantação do embrião;
- Fertilização em laboratório: enquanto a receptora prepara seu útero, os óvulos (doados ou previamente congelados) são fecundados com os espermatozoides. Em seguida, os embriões são cultivados em laboratório por alguns dias;
- Transferência do embrião: o embrião de melhor qualidade é selecionado e transferido para o útero da paciente. É um procedimento simples, rápido e indolor, realizado em clínica especializada.
No vídeo a seguir, confira o passo de uma FIV na prática:
Existe um limite de idade para realizar o procedimento?
De acordo com a Resolução nº 2.320/2022, do Conselho Federal de Medicina (CFM), a idade sugerida para tratamentos de reprodução assistida é de até 50 anos, baseando-se nos riscos associados a uma gestação tardia.
Em todo caso, a decisão final é sempre do médico responsável, que fará uma avaliação individualizada da saúde da paciente. Se a mulher apresentar condições clínicas favoráveis, o procedimento pode ser realizado com segurança mesmo após os 50 anos.
A FIV pode antecipar a menopausa?
Não, isso é um mito, pois o processo de estimulação ovariana realizado em mulheres mais jovens para um ciclo de FIV recruta folículos que, naturalmente, seriam perdidos naquele mesmo ciclo menstrual. Portanto, o tratamento não afeta a reserva ovariana nem acelera a chegada da menopausa.
“Doar óvulos não leva à menopausa precoce, nem consome todos os óvulos da mulher. São colhidos apenas os que o corpo disponibilizou naturalmente para aquele mês e que seriam, de toda forma, descartados após a ovulação”, explica a Dra. Ana Paula Aquino, especialista em reprodução assistida.
Quais são os riscos e cuidados em uma gestação tardia?
Embora a FIV possa ser considerada, uma gravidez após os 40 anos, e especialmente na menopausa, requer um acompanhamento pré-natal mais rigoroso. Isso porque há um risco aumentado para certas condições, como:
- Pré-eclâmpsia (pressão alta na gestação);
- Diabetes gestacional;
- Parto prematuro;
- Maior chance de necessidade de uma cesariana;
- Pequeno aumento no risco de câncer de mama após a menopausa, especialmente para quem tem histórico de infertilidade e engravida em idade avançada.
Por isso, é fundamental que o acompanhamento seja feito por uma equipe multidisciplinar, garantindo o bem-estar da mãe e do bebê durante toda a gestação.
Quando devo procurar um especialista em reprodução humana?
Se você está na menopausa e considera a possibilidade de uma gestação, o primeiro passo é agendar uma consulta com um especialista em reprodução humana. Ele poderá avaliar seu caso, solicitar os exames necessários e apresentar todas as opções de tratamento disponíveis, guiando você em cada etapa dessa jornada.
Portanto, se você deseja entender se a FIV é uma opção para o seu caso, passar por uma avaliação personalizada é o primeiro passo para conhecer as possibilidades da reprodução assistida e planejar sua jornada para a maternidade com segurança e confiança!
REFERÊNCIAS
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