7ª Revista Cria: conteúdos especiais sobre fertilidade, saúde reprodutiva e reprodução assistida
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Receber um teste de gravidez positivo é um momento de grande expectativa e alegria. Por isso, entender o que é a gravidez química é fundamental quando essa jornada inicial não avança como o esperado. Essa é uma experiência mais comum do que se imagina, representando uma perda gestacional muito precoce.
Apesar de breve, a descoberta seguida da perda pode trazer um grande impacto emocional. Na Huntington, compreendemos a sensibilidade deste momento e estamos aqui para oferecer acolhimento, informação de qualidade e o suporte necessário para que você possa seguir em frente em sua jornada para realizar o sonho de ter um filho.
A gravidez química, também chamada de gravidez bioquímica, ocorre quando um óvulo é fecundado pelo espermatozoide e se inicia a produção do hormônio da gravidez, o beta-hCG (gonadotrofina coriônica humana). Esse hormônio é o que torna o teste de gravidez positivo, seja de urina ou de sangue.
No entanto, por diversas razões, o embrião para de se desenvolver muito cedo, logo após o início do processo de implantação na parede do útero. Como resultado, a gestação não evolui e a menstruação geralmente ocorre próximo à data esperada, podendo ser um pouco mais intensa que o habitual.
Muitas vezes, a gravidez química passa despercebida, pois ocorre antes que a maioria das mulheres perceba o atraso menstrual. Quando os sintomas estão presentes, eles podem ser sutis e facilmente confundidos com o período pré-menstrual:
Além disso, é importante destacar que a gravidez química não apresenta os sinais clássicos de uma gestação clínica, como náuseas ou crescimento da barriga, pois ela se interrompe antes que esses sintomas possam se desenvolver.
Na grande maioria dos casos, a gravidez química não está relacionada a algo que a mulher fez ou deixou de fazer. A causa mais comum está ligada a fatores que impedem o desenvolvimento saudável do embrião, como:
Cerca de 50% das perdas gestacionais precoces são causadas por alterações no número de cromossomos do embrião. Essas alterações ocorrem de forma aleatória durante a divisão celular logo após a fecundação e inviabilizam o desenvolvimento do embrião.
A qualidade dos gametas (óvulo e espermatozoide) é crucial para a formação de um embrião saudável. Sendo assim, fatores como a idade materna avançada podem impactar a qualidade dos óvulos, aumentando a chance de erros cromossômicos.
Alterações na cavidade uterina, como pólipos, miomas ou malformações, podem dificultar ou impedir a implantação do embrião no endométrio (a camada que reveste o útero).
Desequilíbrios hormonais, como uma produção inadequada de progesterona, podem afetar a receptividade do endométrio, tornando o ambiente uterino desfavorável para a implantação e o desenvolvimento inicial da gestação.
O diagnóstico de gravidez química é feito, principalmente, pelo acompanhamento dos níveis de beta-hCG no sangue. Após um teste positivo inicial, espera-se que os níveis desse hormônio dobrem a cada 48 a 72 horas no início da gestação. Na gravidez química, os níveis de beta-hCG são baixos e não aumentam conforme o esperado, começando a diminuir rapidamente até se tornarem negativos.
Além disso, como a perda ocorre muito cedo, nenhum sinal de gestação, como o saco gestacional, é visível em um exame de ultrassom.
Não. Por definição, a gravidez química é uma gestação que não evoluiu. O termo descreve justamente a situação em que a fecundação ocorreu e houve produção hormonal, mas o desenvolvimento embrionário foi interrompido antes da implantação ou logo após ela.
Ter uma gravidez química, no entanto, não significa que futuras gestações não possam ser bem-sucedidas. Na verdade, pode ser um sinal de que a fecundação é possível, o que é um dado positivo na jornada da fertilidade.
A jornada para a maternidade é repleta de emoções e expectativas. Uma gravidez química pode ser emocionalmente desafiadora, pois representa a perda de um sonho que acabara de se tornar real. A dor da perda é legítima, independentemente de quão precoce ela tenha sido.
Por isso, é fundamental validar esses sentimentos e buscar uma rede de apoio, seja com o parceiro, familiares, amigos ou suporte profissional. Permita-se viver o luto e lembre-se de que você não está sozinha. Cuidar da saúde emocional é tão importante quanto cuidar da saúde física.
Geralmente, não é necessário nenhum tratamento médico específico após uma gravidez química. O corpo expele naturalmente o tecido através do sangramento, que se assemelha a um ciclo menstrual. Contudo, o acompanhamento médico é importante para confirmar que os níveis de beta-hCG voltaram a zero.
Após a confirmação, o ciclo menstrual tende a se regularizar, e novas tentativas de engravidar podem ser consideradas assim que o profissional de saúde liberar e o casal se sentir emocionalmente preparado.
Para mulheres que planejam uma nova gestação, é importante focar na saúde geral.
Uma única ocorrência de gravidez química geralmente não é motivo para grande preocupação. No entanto, é aconselhável procurar um especialista em reprodução humana em algumas situações:
Um especialista poderá realizar uma investigação detalhada para identificar possíveis causas e orientar sobre os melhores caminhos a seguir.
Na Huntington, nossa equipe multidisciplinar, com médicos, embriologistas, psicólogos e nutricionistas, oferece um atendimento acolhedor e individualizado, utilizando as mais avançadas tecnologias da medicina reprodutiva para investigar as causas da infertilidade e das perdas gestacionais.
“O principal objetivo de um tratamento humanizado e individualizado é aumentar as chances de uma gravidez segura e saudável para quem procura pela reprodução assistida”, afirma a Dra. Livia Munhoz, especialista em reprodução assistida.
Sabemos que o caminho pode ter obstáculos, mas estamos comprometidos em oferecer o melhor suporte científico e humano para ajudar a realizar seu sonho. O primeiro passo é entender o que você precisa.
Vamos conversar? Agende uma consulta com um de nossos especialistas e vamos juntos construir um plano para o seu futuro!
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