Questionar se infertilidade masculina tem cura é muito comum entre homens que suspeitam ou têm diagnóstico da condição. Afinal, o impacto vai além da saúde física, envolvendo expectativas pessoais, planos familiares e questões emocionais.
No entanto, podemos ressaltar que a infertilidade não é uma sentença definitiva, já que, para muitas causas, existem tratamentos eficazes e caminhos possíveis para realizar o sonho da paternidade.
Estima-se que em cerca de 30% a 40% dos casos de dificuldade para engravidar, o fator masculino esteja envolvido. Contudo, a medicina reprodutiva avançou significativamente, oferecendo diagnósticos precisos e diferentes abordagens terapêuticas.
Descubra o que é, quais são as causas, como diagnosticar e os possíveis tratamentos para infertilidade masculina!
O que define a infertilidade masculina?
A infertilidade masculina é definida pela incapacidade de um casal engravidar após um ano de tentativas com relações sexuais regulares e sem o uso de métodos contraceptivos onde o fator masculino é o principal fator causal. Portanto, é importante diferenciar infertilidade de esterilidade, que é a incapacidade total de produzir espermatozoides.
Muitas condições que causam a infertilidade são reversíveis ou podem ser contornadas com o auxílio de tratamentos especializados. Por isso, o primeiro passo é sempre buscar uma avaliação médica detalhada para identificar a origem do problema.
Quais são as principais causas da infertilidade masculina?
As causas da infertilidade masculina são variadas e podem ser agrupadas em diferentes categorias. Um diagnóstico preciso é o que direciona o tratamento mais adequado para cada situação. Abaixo, listamos as mais comuns.
Fatores pré-testiculares
Os fatores pré-testiculares estão relacionados a desequilíbrios hormonais. Problemas na hipófise ou no hipotálamo, glândulas localizadas no cérebro, podem afetar a produção dos hormônios que estimulam os testículos a produzir espermatozoides e testosterona.
Fatores testiculares
Referem-se a problemas que afetam diretamente a produção de espermatozoides nos testículos. Entre as principais causas estão:
- Varicocele: é a dilatação das veias dos testículos, que aumenta a temperatura local e pode prejudicar a qualidade e a produção do sêmen. É a causa reversível mais comum de infertilidade masculina;
- Fatores genéticos: alterações cromossômicas, como a Síndrome de Klinefelter, ou microdeleções no cromossomo Y podem comprometer a produção de espermatozoides;
- Infecções: orquite (inflamação dos testículos), muitas vezes causada por caxumba na vida adulta, ou infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) podem deixar sequelas;
- Traumas ou torção testicular: lesões na região podem afetar a função testicular de forma permanente se não forem tratadas a tempo.
Fatores pós-testiculares
Neste grupo, a produção de espermatozoides é normal, mas existe um problema no transporte deles. Obstruções nos ductos que levam o sêmen para fora do corpo, como os epidídimos e os canais deferentes, são as causas mais frequentes. A vasectomia é um exemplo de obstrução intencional.
Estilo de vida e fatores ambientais
Hábitos diários e a exposição a certas substâncias também podem influenciar a fertilidade do homem. Fatores como obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de anabolizantes, estresse crônico e exposição a toxinas ambientais (pesticidas, metais pesados, etc.) podem ter um impacto negativo na qualidade do sêmen.
Muitos casos de infertilidade masculina que antes eram considerados sem causa aparente, ou idiopáticos, agora são compreendidos como resultantes do Estresse Oxidativo Masculino (MOSI). Esta condição, que afeta a qualidade do espermatozoide, pode ser tratada de forma eficaz com o uso direcionado de antioxidantes e importantes mudanças no estilo de vida.
No vídeo a seguir, confira as principais doenças que podem causar infertilidade e como identificá-las.
Como o diagnóstico é realizado?
Para entender a causa da infertilidade e definir o melhor plano de tratamento, é necessário fazer uma investigação cuidadosa com especialistas. Geralmente, o processo diagnóstico envolve algumas etapas principais, como:
1. Análise do sêmen (espermograma)
O espermograma é o principal exame para avaliar a fertilidade masculina, pois ele analisa diversos parâmetros seminais, como: concentração, motilidade (capacidade de movimento) e morfologia (formato) dos espermatozoides.
2. Avaliações hormonais e genéticas
Exames de sangue são utilizados para medir os níveis de hormônios como a testosterona, o FSH e o LH, que são essenciais para a produção de esperma. Além disso, testes genéticos podem ser solicitados se houver suspeita de alguma condição hereditária em alterações mais graves, principalmente.
Com o avanço da ciência, a identificação de mais de 100 genes relacionados à infertilidade masculina por meio de novos testes genéticos se tornou uma ferramenta valiosa. Isso permite diagnósticos mais precisos e orienta o desenvolvimento de tratamentos personalizados para cada paciente.
3. Exames de imagem
A ultrassonografia da bolsa testicular com utilização do doppler (avaliação dos vasos) é frequentemente utilizada para diagnosticar a varicocele ou identificar possíveis obstruções nos ductos. Em alguns casos, outros exames de imagem podem ser necessários para uma avaliação mais completa.
Quais tratamentos de infertilidade estão disponíveis?
Em resumo, a resposta para a pergunta “infertilidade masculina tem cura?” depende diretamente da causa. Muitas condições são tratáveis e, mesmo quando não são, as técnicas de reprodução assistida oferecem excelentes chances de gravidez.
A seguir, listamos os tratamentos mais comuns em casos de infertilidade:
Mudanças no estilo de vida
Para casos relacionados a hábitos, a primeira recomendação é adotar um estilo de vida mais saudável. Manter um peso adequado, ter uma alimentação balanceada, praticar exercícios físicos, parar de fumar e reduzir o consumo de álcool podem melhorar significativamente a qualidade do sêmen.
Em situações onde o Estresse Oxidativo Masculino é identificado como causa, a adoção de um estilo de vida mais saudável, aliada ao uso direcionado de antioxidantes, tem se mostrado eficaz para melhorar a concentração e a mobilidade dos espermatozoides. Portanto, isso reforça a importância das escolhas diárias na saúde reprodutiva.
Tratamentos medicamentosos
Quando a causa é hormonal, o tratamento com indução hormonal pode restabelecer o equilíbrio e normalizar a produção de espermatozoides. Além disso, antibióticos também são eficazes para tratar infecções que estejam afetando a fertilidade.
De acordo com o Dr. Thiago Nunes, especialista em urologia e reprodução assistida, “a testosterona em níveis normais é muito importante no processo da formação do espermatozoide e, portanto, procuramos regulá-la através de tratamentos, buscando vias endógenas – do próprio organismo -, evitando a reposição com derivados sintéticos”.
Procedimentos cirúrgicos
A cirurgia é o tratamento de escolha para corrigir a varicocele (varicocelectomia). Contudo, outros procedimentos cirúrgicos podem ser realizados para reverter uma vasectomia ou desobstruir os canais deferentes, permitindo que o fluxo de espermatozoides seja restaurado.
Técnicas de reprodução assistida
Quando os tratamentos convencionais não são suficientes ou a causa da infertilidade é mais complexa, a reprodução assistida oferece soluções avançadas.
Inseminação intrauterina (IIU)
Na inseminação intrauterina, os espermatozoides de melhor qualidade são selecionados em laboratório e inseridos diretamente no útero da mulher durante o período fértil, encurtando o caminho até o óvulo.
Fertilização in vitro (FIV) com ICSI
A Fertilização in Vitro (FIV) é um tratamento de alta complexidade em que a fecundação ocorre em laboratório. Para casos de fator masculino grave, utiliza-se a técnica de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides (ICSI), na qual um único espermatozoide é injetado diretamente dentro de cada óvulo maduro, aumentando as chances de fertilização.
Quando é o momento certo para procurar ajuda especializada?
Recomenda-se que um casal procure um especialista em reprodução humana se não conseguir engravidar após 12 meses de tentativas. Esse prazo cai para seis meses se a parceira tiver mais de 35 anos ou se houver algum fator de risco conhecido, como histórico de caxumba, cirurgias testiculares ou tratamentos oncológicos.
Em todo caso, não adie a busca por orientação! Um diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso dos tratamentos e permite que vocês planejem os próximos passos com mais segurança e tranquilidade.
Construindo seu caminho para a paternidade com apoio e cuidado
Entendemos que a jornada da fertilidade pode ser complexa, mas você não precisa percorrê-la sozinho. Na Huntington, unimos excelência médica, tecnologia de ponta e um atendimento humano para oferecer o suporte que você e sua família merecem.
Cada caso é único, e o tratamento ideal é aquele que considera suas necessidades individuais. O mais importante é saber que existem opções e que a realização do sonho de ter um filho está ao seu alcance.
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REFERÊNCIAS
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