A istmocele uterina é uma condição que pode gerar muitas dúvidas e preocupações, especialmente para mulheres que já passaram por uma cesariana. Por isso, compreender o que ela significa é o primeiro passo para encontrar o acolhimento e o tratamento adequados para cuidar da saúde e planejar o futuro familiar com segurança.
Em resumo, trata-se de um pequeno defeito ou uma falha na cicatrização da parede do útero, no local exato onde foi feita a incisão da cesárea. Estudos indicam que a istmocele pode ocorrer em um número significativo de mulheres, variando de 20% a 70% das que tiveram esse tipo de parto.
Essa condição cria uma pequena bolsa ou cavidade no miométrio (a camada muscular do útero), que pode ou não gerar sintomas. Saiba as principais informações sobre ela a seguir!
O que é exatamente a istmocele uterina?
A istmocele uterina, também conhecida como nicho uterino ou defeito na cicatriz de cesariana, é uma complicação que pode ocorrer após o parto cesáreo. Ela se forma quando o tecido do útero não cicatriza de forma completamente uniforme, resultando em uma reentrância na parede uterina.
Nessa pequena bolsa, pode haver acúmulo de sangue menstrual e muco, o que pode levar a alguns dos sintomas associados à condição.
Além disso, é importante destacar que a formação da istmocele não é necessariamente um erro médico, mas uma possível consequência do processo de cicatrização individual de cada mulher.
Quais são as principais causas da istmocele?
A causa direta da istmocele uterina é a cicatrização inadequada do corte realizado no útero durante uma cesariana. Embora o motivo exato para essa cicatrização incompleta não seja totalmente esclarecido, alguns fatores podem estar associados a um maior risco de desenvolvimento:
- Múltiplas cesáreas: cada nova cirurgia aumenta a chance de uma cicatrização irregular;
- Técnica cirúrgica: a forma como a sutura do útero é realizada pode influenciar na qualidade da cicatrização. Pesquisas apontam que o tipo de sutura utilizado na primeira camada do útero, especialmente a contínua com travamento, pode estar associado a um risco aumentado da formação do nicho;
- Processo de cicatrização individual: fatores biológicos e genéticos de cada mulher influenciam na recuperação dos tecidos;
- Posição do útero: um útero retrovertido (inclinado para trás) pode exercer mais tensão sobre a cicatriz.
Quais sintomas podem indicar a presença de uma istmocele?
Muitas mulheres com istmocele podem não apresentar sintoma algum, e a condição é descoberta em exames de rotina. No entanto, quando presentes, os sintomas mais comuns geralmente incluem:
- Sangramento uterino anormal: especialmente o sangramento de escape (spotting) marrom ou avermelhado dias após o término da menstruação;
- Dor pélvica crônica: um desconforto contínuo na região inferior do abdômen;
- Aumento do fluxo ou da duração menstrual;
- Dor durante a relação sexual (dispareunia);
- Infertilidade secundária: dificuldade para engravidar novamente após já ter tido um filho.
Como a istmocele uterina afeta a fertilidade?
A relação entre a istmocele e a dificuldade para engravidar é uma das principais preocupações, pois a condição pode afetar a fertilidade de diferentes maneiras. O acúmulo de sangue e fluidos dentro do nicho, por exemplo, pode criar um ambiente hostil aos espermatozoides, dificultando sua chegada às trompas.
Além disso, a inflamação crônica no local da cicatriz pode alterar a qualidade do endométrio, o tecido que reveste o útero, prejudicando a implantação do embrião. Essa inflamação também pode impactar a qualidade do muco cervical, essencial para o transporte dos espermatozoides.
Mulheres que desenvolveram istmocele após a cesárea também podem ter um risco três vezes maior de apresentar Endometrite Crônica (EC). Esta é uma inflamação que pode ser assintomática, mas que está frequentemente associada à infertilidade, complicando ainda mais o caminho para a gravidez.
A istmocele pode trazer riscos para uma futura gravidez?
Sim, uma istmocele, especialmente se for grande, pode apresentar alguns riscos para uma gestação futura. Por isso, mulheres com o diagnóstico da condição que desejam engravidar devem receber um acompanhamento médico especializado desde o planejamento da gravidez.
Os principais riscos associados incluem uma maior chance de placenta prévia (quando a placenta se implanta muito baixo no útero), acretismo placentário (aderência anormal da placenta à parede uterina) e, em casos mais raros e de defeitos maiores, um risco aumentado de ruptura uterina durante a gestação ou o parto.
Como é feito o diagnóstico da istmocele?
Geralmente, o diagnóstico de istmocele é realizado por meio de exames de imagem, que permitem ao médico visualizar a parede do útero e identificar a presença do nicho. O especialista também avaliará a suspeita clínica com base nos sintomas e no histórico.
Os principais exames utilizados são:
- Ultrassonografia transvaginal: costuma ser o primeiro exame a ser solicitado, podendo identificar a presença do defeito;
- Histerossonografia: um tipo de ultrassom em que uma solução salina é injetada no útero para distender a cavidade, facilitando a visualização da istmocele uterina;
- Histeroscopia diagnóstica: um procedimento em que uma pequena câmera é inserida no útero para uma visualização direta da cicatriz e do defeito;
- Ressonância magnética: pode ser solicitada em casos específicos para uma avaliação mais detalhada da parede uterina.
Quais são as opções de tratamento para a istmocele?
O tratamento da istmocele uterina depende de diversos fatores, como a presença e a intensidade dos sintomas, o tamanho do defeito e, principalmente, o desejo da mulher de engravidar. A decisão sobre qual caminho seguir precisar ser individualizada e discutida com seu médico.
Para mulheres sem sintomas, a conduta pode ser apenas de observação. Para aquelas com sintomas leves, como sangramento de escape, o tratamento hormonal pode ser uma opção para controlar o sangramento. Já para casos sintomáticos ou que impactam a fertilidade, o tratamento cirúrgico é o mais indicado.
A cirurgia, chamada de istmoplastia, visa remover o tecido fibroso da cicatriz e reconstruir a parede do útero. Ela pode ser realizada por histeroscopia (via vaginal, para defeitos menores) ou por laparoscopia (cirurgia minimamente invasiva, para defeitos maiores).
É possível engravidar após o tratamento da istmocele?
Sim, o objetivo do tratamento cirúrgico é justamente restaurar a anatomia do útero, aliviar os sintomas e, consequentemente, melhorar as chances de uma gravidez segura e saudável. Muitos estudos mostram que a correção da istmocele aumenta as taxas de sucesso tanto para a concepção natural quanto para tratamentos de reprodução assistida.
Em alguns cenários, recomenda-se técnicas como a Fertilização In Vitro (FIV), pois permitem que a transferência do embrião seja feita em um momento ideal do ciclo, contornando algumas das dificuldades impostas pela istmocele.
“São tratamentos que podem requerer tentativas. Claro que queremos ter o melhor resultado já na primeira tentativa e o mais rápido possível, mas às vezes é preciso insistir um pouco mais. E se a paciente tem uma boa experiência, ela vai conseguir persistir mais e ter maior chance de sucesso”, explica a Dra. Camila Campos, especialista em reprodução assistida.
Como a Huntington pode ajudar?
Entendemos que um diagnóstico como a istmocele pode trazer incertezas, principalmente quando o sonho de aumentar a família está em seus planos. Por isso, na Huntington, contamos com uma equipe de especialistas dedicados à saúde reprodutiva, prontos para oferecer um diagnóstico preciso e um plano de tratamento totalmente personalizado.
Nossa missão é acolher sua história e utilizar o que há de mais avançado na medicina para cuidar de você. Portanto, se você recebeu o diagnóstico de istmocele uterina ou suspeita que possa ter a condição, não hesite em procurar ajuda.
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REFERÊNCIAS
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