Quem tem hipotireoidismo pode engravidar?
Médica morando um exame para a paciente e explicando se quem tem hipotireoidismo pode engravidar.

Quem tem hipotireoidismo pode engravidar?

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Indo direto ao ponto, a resposta para a pergunta “quem tem hipotireoidismo pode engravidar?” é, felizmente, sim. Receber esse diagnóstico costuma gerar muitas dúvidas e inseguranças, mas é importante destacar que, com o acompanhamento médico e o tratamento corretos, a gestação é uma realidade totalmente possível.

Estudos indicam que o tratamento adequado pode restaurar a fertilidade em cerca de 76,6% das mulheres com hipotireoidismo, mostrando a grande possibilidade de realizar o sonho da maternidade. O caminho para realizar seu sonho pode exigir alguns cuidados extras, mas ele existe.

Neste artigo, reunimos todas as informações necessárias para você entender como lidar com a condição e realizar o sonho de ser mãe!

O que é o hipotireoidismo?

O hipotireoidismo é uma condição na qual a glândula tireoide, localizada no pescoço, não produz hormônios tireoidianos em quantidade suficiente. Esses hormônios, principalmente a triiodotironina (T3) e a tiroxina (T4), são essenciais para regular o metabolismo de todo o corpo, influenciando desde os batimentos cardíacos até o ciclo menstrual.

A causa mais comum do hipotireoidismo em mulheres em idade reprodutiva é a Tireoidite de Hashimoto. Trata-se de uma doença autoimune na qual o próprio sistema de defesa do corpo ataca e danifica a tireoide, comprometendo a capacidade de produção hormonal.

Além disso, é importante destacar que existe também o hipotireoidismo subclínico, uma forma da condição em que os níveis de TSH estão elevados, mas os sintomas ainda não são claros. Mesmo nesses casos, o monitoramento é crucial, pois há uma chance significativa de que a condição evolua para um hipotireoidismo mais severo se não for acompanhada.

Como o hipotireoidismo afeta a fertilidade feminina?

O equilíbrio hormonal é a base para um sistema reprodutivo saudável. Portanto, quando os níveis de hormônios tireoidianos estão baixos, pode ocorrer uma série de desequilíbrios que impactam diretamente a capacidade de engravidar e de manter uma gestação.

Os principais efeitos são:

Irregularidades na ovulação

Os hormônios da tireoide interagem diretamente com os hormônios reprodutivos, como o estrogênio e a progesterona. O hipotireoidismo pode levar a ciclos menstruais irregulares, mais longos, ou até mesmo à ausência de ovulação (anovulação), tornando a concepção natural mais difícil.

Dificuldades na implantação do embrião

Mesmo que a fecundação ocorra, um ambiente hormonal desregulado pode afetar a qualidade do endométrio, o tecido que reveste o útero. Um endométrio inadequado dificulta a implantação do embrião, uma etapa crucial para o início da gravidez.

Aumento do risco de abortamento

Estudos mostram que o hipotireoidismo não controlado está associado a um risco aumentado de abortamentos espontâneos, especialmente no primeiro trimestre. Sendo assim, o bom funcionamento da tireoide é fundamental para o desenvolvimento inicial da gestação.

Quem tem hipotireoidismo pode engravidar?

Sim! O ponto central para uma mulher com hipotireoidismo que deseja engravidar é o controle da condição. Isso porque, quando os níveis hormonais são normalizados com o tratamento, a maioria dos obstáculos à fertilidade causados pela tireoide é superada.

Para que a gestação ocorra de forma segura e o bebê se desenvolva bem, é fundamental que os níveis de TSH estejam controlados, idealmente abaixo de 2,5 mIU/L, antes mesmo da concepção.

O acompanhamento médico permite que o ciclo menstrual se regularize, a ovulação volte a ocorrer de forma previsível e o ambiente uterino se torne receptivo ao embrião. Dessa forma, as chances de engravidar se tornam muito semelhantes às de uma mulher sem a condição.

Quais são os riscos do hipotireoidismo não tratado na gravidez?

É essencial iniciar a gestação com os níveis hormonais já estabilizados. Isso porque o hipotireoidismo descontrolado durante a gravidez pode apresentar riscos tanto para a mãe quanto para o bebê.

Para a gestante, aumentam as chances de pré-eclâmpsia e parto prematuro. Já para o bebê, os hormônios tireoidianos maternos são fundamentais para o desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso, especialmente nas primeiras semanas. A falta desses hormônios pode impactar o desenvolvimento neurocognitivo da criança.

E o hipotireoidismo masculino, também impacta a fertilidade?

Embora seja mais comum em mulheres, o hipotireoidismo também pode afetar a fertilidade masculina. A condição pode estar associada a uma diminuição da libido e a alterações na qualidade e produção dos espermatozoides, impactando o potencial reprodutivo do casal.

Por isso, a investigação da saúde do homem e da mulher é sempre recomendada.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento para quem deseja engravidar?

O diagnóstico é simples e realizado por meio de um exame de sangue que mede os níveis do Hormônio Estimulante da Tireoide (TSH) e do T4 livre. Para mulheres que planejam engravidar, os médicos geralmente trabalham com níveis de TSH mais rigorosos do que para a população geral.

O tratamento consiste na reposição hormonal com levotiroxina sintética, um medicamento seguro e eficaz que substitui o hormônio que a tireoide não consegue produzir. No entanto, a dose é ajustada individualmente pelo médico endocrinologista em conjunto com o ginecologista, com base em exames de sangue periódicos.

Qual o papel da reprodução assistida neste cenário?

Para casais que enfrentam dificuldades para engravidar, mesmo após o controle do hipotireoidismo, ou que possuem outros fatores de infertilidade associados, a reprodução assistida pode ser um caminho. Tratamentos como a Fertilização In Vitro (FIV) são totalmente compatíveis com a condição.

No entanto, é essencial que a mulher inicie qualquer tratamento de reprodução assistida com a função tireoidiana completamente controlada. Isso otimiza as taxas de sucesso do procedimento, desde a resposta à estimulação ovariana até a implantação e o desenvolvimento saudável do embrião.

Como planejar uma gravidez segura com hipotireoidismo?

O planejamento é seu maior aliado. Portanto, ao decidir que deseja engravidar, o ideal é seguir um passo a passo cuidadoso em conjunto com a sua equipe médica:

  1. Consulte um endocrinologista: antes de iniciar as tentativas, converse com um especialista para avaliar seus níveis hormonais e, se necessário, iniciar ou ajustar o tratamento;
  2. Alcance a estabilidade hormonal: o médico irá ajustar a dose da medicação até que seu TSH atinja o nível considerado ideal para a concepção, o que pode levar alguns meses;
  3. Converse com um especialista em reprodução humana: ele poderá oferecer uma visão integrada da sua saúde reprodutiva e orientar sobre o melhor momento para iniciar as tentativas;
  4. Mantenha o acompanhamento: uma vez grávida, o monitoramento dos hormônios deve ser feito de perto, pois a necessidade de levotiroxina geralmente aumenta durante a gestação.

E lembre-se: ter hipotireoidismo não significa o fim do seu sonho de ter um filho, significa que a sua jornada para a maternidade começa com um passo importante: o cuidado com a sua saúde.

Com informação, planejamento e o suporte de profissionais dedicados, é possível construir a família que você deseja de forma segura e saudável. A equipe da Huntington está preparada para acolher sua história e ajudar a traçar o melhor plano para você. Agende uma consulta e vamos juntos fazer dos seus sonhos a sua vida!

REFERÊNCIAS

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