Especialista em reprodução humana explicando para a paciente se quem tem útero septado pode engravidar

Quem tem útero septado pode engravidar? Entenda as chances!

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O útero septado é a malformação uterina congênita mais frequente entre as mulheres e, embora gere inseguranças, não impossibilita a realização do sonho de engravidar. A gravidez é possível desde que haja o monitoramento adequado das condições anatômicas da cavidade uterina.

Receber esse diagnóstico pode trazer um misto de sentimentos e dúvidas sobre o futuro da fertilidade. No entanto, com o suporte da medicina reprodutiva e o acompanhamento de especialistas, é perfeitamente possível planejar uma gestação segura e saudável.

O que é o útero septado?

O útero septado é uma malformação congênita em que uma parede de tecido, chamada de septo, divide parcial ou totalmente a cavidade uterina. Essa alteração ocorre durante o desenvolvimento do feto, ainda na vida intrauterina.

Diferentemente de outras malformações uterinas, o formato externo do útero é normal, mas a cavidade uterina apresenta essa divisão interna. O septo pode ser parcial, quando ocupa apenas parte da cavidade, ou completo, quando se estende até o colo do útero.

Como essa condição afeta a fertilidade?

Na maioria das mulheres, o útero septado não impede a gravidez. No entanto, ele está associado a um maior risco de complicações gestacionais, principalmente abortos espontâneos.

Isso acontece porque o septo costuma apresentar menor vascularização do que o restante do útero, o que pode dificultar a implantação adequada do embrião e comprometer o desenvolvimento inicial da gestação. Dependendo da extensão do septo, também pode haver aumento do risco de parto prematuro e de apresentações fetais anormais, como a posição pélvica.

Quais são os principais sintomas?

Na maioria dos casos, o útero septado não provoca sintomas e é descoberto apenas durante a investigação da infertilidade, de abortos de repetição ou em exames ginecológicos de rotina.

Algumas mulheres podem apresentar cólicas menstruais mais intensas ou desconforto durante a relação sexual, embora esses sintomas não sejam específicos dessa condição. Por isso, o diagnóstico costuma depender de exames de imagem, sendo frequentemente realizado durante a investigação de perdas gestacionais recorrentes.

Assista ao vídeo a seguir e entenda o que pode causar abortos de repetição.

Como é feito o diagnóstico médico?

O diagnóstico do útero septado é realizado por exames de imagem capazes de avaliar tanto a cavidade interna quanto o formato externo do útero, já que o exame ginecológico convencional não identifica essa alteração.

Os principais exames utilizados são a ultrassonografia tridimensional (3D) e a ressonância magnética da pelve, que permitem diferenciar o útero septado de outras malformações congênitas, como o útero bicorno. Em alguns casos, a histeroscopia diagnóstica também pode ser indicada para avaliar diretamente a cavidade uterina, embora ela não permita analisar o contorno externo do útero isoladamente.

O útero septado tem tratamento?

O tratamento do útero septado nem sempre é necessário. A indicação depende do histórico reprodutivo da paciente, da extensão do septo e da presença de complicações, como abortos de repetição.

Quando há indicação, o tratamento é realizado por meio da metroplastia histeroscópica, um procedimento minimamente invasivo feito através do canal vaginal, sem cortes externos.

Durante a cirurgia, o septo é ressecado para restaurar uma cavidade uterina única. Em mulheres com histórico de perdas gestacionais recorrentes relacionadas ao septo, esse procedimento pode reduzir o risco de novos abortamentos e melhorar os desfechos obstétricos.

Após a recuperação, a cavidade uterina passa a apresentar condições mais favoráveis para a implantação embrionária e para o desenvolvimento da gestação.

É possível ter uma gestação segura após o tratamento?

Sim. Após a correção cirúrgica, muitas mulheres conseguem evoluir com uma gestação saudável. Entretanto, os resultados variam conforme a idade, a presença de outras causas de infertilidade e o histórico obstétrico de cada paciente.

Vale destacar que nem todas as mulheres com útero septado precisam ser operadas. Algumas conseguem engravidar e ter filhos saudáveis sem qualquer intervenção cirúrgica. Por isso, a decisão sobre o tratamento deve ser individualizada e baseada na avaliação cuidadosa da anatomia uterina, do histórico reprodutivo e dos objetivos da paciente.

Qual é o papel da reprodução assistida nesse processo?

Quando existem dificuldades para engravidar, a reprodução assistida pode ser uma importante aliada. A indicação do tratamento depende da causa da infertilidade e não apenas da presença do útero septado.

Técnicas como a Fertilização InVitro (FIV) podem ser recomendadas quando há outros fatores associados, como idade materna avançada, fator masculino, comprometimento tubário ou falhas de tratamentos prévios.

“A reprodução assistida oferece diferentes possibilidades de tratamento, que vão desde a inseminação intrauterina até a Fertilização In Vitro, além do uso de gametas doados quando indicado. A escolha da melhor estratégia depende sempre da avaliação individual de cada casal ou paciente”, explica a Dra. Leci Amorim, especialista em reprodução humana.

É importante destacar que a presença do útero septado, isoladamente, não é indicação para a Fertilização In Vitro. Da mesma forma, a cirurgia para correção do septo não é obrigatória para todas as mulheres antes da FIV. A decisão deve ser tomada de forma individualizada, considerando o histórico clínico e reprodutivo.

Se você recebeu o diagnóstico de útero septado ou está enfrentando dificuldades para engravidar, agenda uma consulta com especialistas da Huntington para uma avaliação completa. Um diagnóstico preciso é fundamental para definir a melhor estratégia e aumentar as chances de uma gestação saudável!

REFERÊNCIAS

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