A infertilidade afeta cerca de 1 a cada 5 casais ao redor do mundo. Por ser uma condição cada vez mais frequente, é natural que surjam dúvidas a respeito de quais exames poderiam identificar alterações que expliquem a dificuldade de engravidar. Vamos falar sobre exames indicados para as mulheres embora os fatores femininos não sejam os únicos responsáveis.
Primeiramente, é importante ressaltar que uma avaliação completa começa com uma boa conversa com um médico especialista. Em seguida, pode ser que sejam necessários exames para estudar melhor a reserva ovariana, ovulação e as condições do útero e dos ovários.
Quer saber mais? Conheça 5 exames que podem fazer parte da investigação da infertilidade feminina e entenda porque eles são importantes!
O que é infertilidade feminina?
A infertilidade feminina é uma condição caracterizada pela dificuldade de conseguir engravidar após um período de tentativas regulares, sem o uso de métodos contraceptivos. Ela pode estar relacionada a diferentes fatores, incluindo alterações na ovulação, nas trompas, endometriose e outros aspectos da saúde reprodutiva.
De modo geral, a infertilidade é considerada quando a gestação não acontece após 12 meses de tentativas. No caso de mulheres com 35 anos ou mais, a busca por uma avaliação deve ser feita depois de 6 meses de tentativas sem sucesso.
Quais exames são feitos para diagnosticar a infertilidade feminina?
Para avaliar a saúde reprodutiva, diferentes exames podem ser solicitados de acordo com os sintomas apresentados e o histórico reprodutivo de cada mulher. Confira a seguir os principais e o que eles podem identificar.
1. Exame de dosagens hormonais
Os hormônios são os grandes responsáveis pelo controle do ciclo menstrual e da ovulação, por isso é importante solicitá-los mas, sobretudo, saber interpretá-los.
Destacamos o hormônio folículo-estimulante (FSH), o estradiol, a progesterona, a prolactina e os hormônios que avaliam a função tireoidiana. A dosagem do Hormônio Antimulleriano também pode ser considerada como uma ferramenta para auxiliar na avaliação da reserva ovariana.
2. Ultrassom transvaginal
O ultrassom endovaginal, ou transvaginal, é fundamental para avaliação da anatomia do sistema reprodutor feminino e do seu funcionamento. O exame verifica os ovários, detecta sinais de ovulação, identifica alterações na estrutura uterina como miomas, septos e outras malformações, e pode diagnosticar doenças como a endometriose e adenomiose.
Contudo, o achado isolado de qualquer uma dessas alterações pode não ser suficiente para explicar a infertilidade por isso a importância de uma análise crítica e completa com outras informações do casal.
3. Histerossalpingografia
A histerossalpingografia é um exame de imagem que utiliza contraste e radiografias para avaliar a cavidade uterina e as tubas uterinas (trompas de Falópio).
Seu principal objetivo é verificar a permeabilidade das trompas, ou seja, identificar possíveis obstruções que possam dificultar o encontro entre o óvulo e o espermatozoide ou o transporte do embrião até o útero. O exame também pode identificar algumas alterações na cavidade uterina.
Durante o procedimento, um contraste é introduzido pelo colo do útero por meio de um cateter fino. Embora possa provocar cólicas ou desconforto, a utilização de cateteres mais delicados e, quando indicada, a administração prévia de analgésicos podem ajudar a tornar o exame mais confortável.
4. Videohisteroscopia diagnóstica
A videohisteroscopia diagnóstica é um exame que permite visualizar diretamente o interior da cavidade uterina, sendo especialmente útil para investigar alterações como pólipos, miomas submucosos, aderências e algumas malformações uterinas.
O procedimento é realizado com a introdução de um instrumento fino, equipado com uma câmera, pela vagina e pelo colo do útero. Para facilitar a visualização, a cavidade uterina é distendida, geralmente com soro fisiológico.
Dessa forma, o especialista consegue examinar detalhadamente as paredes internas do útero e identificar alterações que podem interferir na fertilidade.
Embora não seja indicada de rotina na investigação inicial da infertilidade, a videohisteroscopia pode complementar outros exames.
5. Videolaparoscopia
A videolaparoscopia é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que permite visualizar os órgãos da pelve e da cavidade abdominal por meio de uma câmera introduzida através de pequenas incisões no abdome.
Na investigação da infertilidade, pode ser utilizada para avaliar estruturas como útero, ovários e trompas, além de identificar alterações como endometriose e aderências pélvicas, que podem comprometer a fertilidade.
Por ser um procedimento cirúrgico, geralmente realizado sob anestesia geral, a videolaparoscopia não faz parte da avaliação inicial de rotina da infertilidade. Sua indicação costuma ocorrer em situações específicas, principalmente quando existe suspeita de condições que podem exigir tratamento cirúrgico.
Uma de suas vantagens é a possibilidade de realizar o diagnóstico e, em determinados casos, tratar as alterações identificadas durante o mesmo procedimento.
E quais são os tratamentos para infertilidade?
O tratamento da infertilidade depende de diversos fatores, como a causa identificada, a idade, o histórico de saúde e as características de cada paciente. Por isso, não existe uma única abordagem indicada para todas as situações.
Entre as principais opções de tratamento, estão:
- Indução da ovulação: consiste no uso de medicamentos para estimular o desenvolvimento dos folículos ovarianos e favorecer a ovulação, especialmente em mulheres que apresentam alterações ovulatórias;
- Cirurgia: pode ser indicada em casos específicos para tratar condições que comprometem a fertilidade, como determinados tipos de miomas, aderências pélvicas e endometriose;
- Inseminação intrauterina (IIU): técnica em que os espermatozoides são preparados em laboratório e introduzidos diretamente no útero próximo ao momento da ovulação, facilitando seu encontro com o óvulo;
- Fertilização In Vitro (FIV): procedimento em que os óvulos são coletados e fertilizados em laboratório. Posteriormente, o embrião formado pode ser transferido para o útero;
- Doação de óvulos ou espermatozoides: pode ser uma alternativa quando há indicação médica para utilizar óvulos ou sêmen doados, de acordo com as necessidades e características de cada caso.
A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando não apenas as causas da infertilidade, mas também as possibilidades e expectativas de cada paciente.
Quando é o momento certo de investigar a fertilidade?
De modo geral, recomenda-se iniciar a investigação da infertilidade após 12 meses de relações sexuais regulares, sem uso de métodos contraceptivos e sem conseguir engravidar, para mulheres com menos de 35 anos. A partir dos 35 anos, a recomendação é procurar avaliação após 6 meses de tentativas. Já para mulheres com mais de 40 anos, a investigação deve ser realizada de forma mais imediata, devido à redução natural da fertilidade com o avanço da idade.
Entretanto, não é necessário esperar esse período em todas as situações. Mulheres com ciclos menstruais irregulares, endometriose, histórico de doenças que possam comprometer as trompas ou outras condições associadas à infertilidade devem buscar orientação especializada mais cedo.
Vale lembrar que a investigação da infertilidade também pode envolver a avaliação do parceiro, já que dificuldades para engravidar podem estar relacionadas a fatores femininos, masculinos ou à combinação de ambos.
Se você está tentando engravidar e deseja entender melhor sua saúde reprodutiva, contar com acompanhamento especializado pode fazer a diferença na definição dos próximos passos.
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