Útero retrovertido pode afetar a gravidez? Tire suas dúvidas!
Médico segudando com as duas mãos um modelo anatômico de órgãos reprodutivos femininos para explicar o que é útero retrovertido.

Útero retrovertido pode afetar a gravidez? Tire suas dúvidas!

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O útero retrovertido, também conhecido como útero invertido ou virado, é uma variação anatômica na qual o órgão se posiciona voltado para a parte de trás do corpo, em direção à coluna vertebral e ao reto.

Receber esse diagnóstico pode gerar muitas dúvidas e ansiedade, principalmente em relação à fertilidade. No entanto, vale ressaltar que é uma condição muito comum, presente em cerca de 20% a 25% das mulheres, e, na maioria das vezes, não representa um obstáculo para realizar o sonho da maternidade.

Quer saber mais sobre o assunto? Neste artigo, tire as suas principais dúvidas sobre a retroversão do útero!

O que é útero retrovertido?

Para entender o útero retrovertido, é útil visualizar a posição mais comum do útero, chamada de anteversão. Na maioria das mulheres, o útero está inclinado para a frente, apoiado sobre a bexiga. Em casos de retroversão, ocorre o oposto: ele se inclina para trás, em direção ao intestino.

Essa condição não é considerada uma doença, mas sim uma característica anatômica, como ter olhos de uma determinada cor. É uma variação normal da anatomia feminina.

A posição do útero pode, inclusive, mudar ao longo da vida ou até mesmo durante o dia, dependendo de quão cheios estão a bexiga e o intestino.

Quais são as principais causas do útero retrovertido?

A retroversão uterina pode ser classificada como congênita ou adquirida. A forma congênita significa que a mulher já nasce com o útero nessa posição, sendo uma característica natural do seu desenvolvimento.

Já a forma adquirida pode se desenvolver ao longo da vida, geralmente associada a outras condições ginecológicas. As principais causas adquiridas incluem:

  • Endometriose: a presença de tecido endometrial fora do útero pode criar aderências que “puxam” o órgão para trás;
  • Miomas uterinos: o crescimento desses tumores benignos pode alterar o formato e a posição do útero;
  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP): infecções podem causar cicatrizes e aderências, modificando a anatomia pélvica;
  • Cirurgias pélvicas anteriores: procedimentos cirúrgicos na região podem resultar em tecido cicatricial que altera a posição uterina;
  • Gravidez: o afrouxamento dos ligamentos que sustentam o útero durante a gestação pode fazer com que ele permaneça retrovertido após o parto.

Quais sintomas podem indicar um útero retrovertido?

Na grande maioria dos casos, o útero retrovertido é completamente assintomático, sendo descoberto em exames de rotina. No entanto, quando os sintomas estão presentes, geralmente estão ligados a uma condição associada, como a endometriose.

Geralmente, alguns dos sintomas que podem ser relatados são:

  • Dor durante a relação sexual (dispareunia de profundidade);
  • Cólicas menstruais mais intensas;
  • Dor na região lombar durante o período menstrual;
  • Dificuldade para inserir absorventes internos;
  • Infecções urinárias recorrentes.

Como o diagnóstico é realizado?

O diagnóstico do útero retrovertido é simples e pode ser feito de duas maneiras principais. A primeira é através do exame pélvico de rotina, no qual o ginecologista pode sentir a posição do colo do útero e do corpo uterino.

Para confirmar e obter mais detalhes, o médico pode solicitar um exame de imagem, como a ultrassonografia pélvica ou transvaginal. Isso porque ele permite visualizar claramente a posição e a anatomia do útero, além de investigar possíveis causas associadas, como miomas ou endometriose.

O útero retrovertido dificulta a gravidez?

Essa é a principal preocupação de quem recebe o diagnóstico, e a resposta é tranquilizadora: na maioria das vezes, o útero retrovertido não dificulta a gravidez. A posição do útero, por si só, não impede que os espermatozoides cheguem ao óvulo para a fecundação.

Contudo, embora o útero retrovertido não cause infertilidade de forma direta, é importante destacar que a condição pode estar associada a uma anatomia que diminui o suporte natural do órgão. Isso pode aumentar o risco de prolapso uterino, ou seja, a “queda” do útero.

No entanto, o desafio para engravidar, quando existe, geralmente está relacionado à causa da retroversão, e não à posição em si. Condições como endometriose severa ou aderências pélvicas podem afetar as trompas e os ovários, impactando a fertilidade.

Sendo assim, é fundamental realizar uma investigação completa para entender se há outros fatores que precisam de atenção. No vídeo a seguir, entenda o que fazer quando a endometriose impacta a fertilidade feminina:

Infertilidade por endometriose | Huntington

Além disso, para tratamentos de reprodução assistida, como a Fertilização In Vitro (FIV), a posição do útero não interfere nas taxas de sucesso do procedimento.

E durante a gestação, existe algum risco?

Durante a gravidez, o útero retrovertido também não costuma apresentar problemas. Essa variação anatômica é observada em cerca de 15% das gestações no primeiro trimestre.

Conforme o útero cresce, por volta da 10ª a 12ª semana de gestação, ele naturalmente se expande para cima e para a frente, assumindo uma posição mediana no abdômen. Normalmente, o útero se corrige sozinho, subindo para a cavidade abdominal até a 14ª semana de gravidez.

Embora a condição geralmente seja assintomática e não impeça a concepção, é importante estar ciente de uma complicação rara, mas significativa: o encarceramento uterino. Isso ocorre quando o útero fica “preso” na pelve durante o segundo trimestre da gestação, exigindo atenção médica urgente. Nesses casos, a intervenção rápida é essencial para a saúde da mãe e do bebê.

O parto normal é possível com útero retrovertido?

Sim. A posição retrovertida do útero não é um impeditivo para o parto normal. Como o útero se ajusta durante a gestação, a via de parto será decidida com base em outros fatores obstétricos, e não pela posição original do órgão.

Quando o útero retrovertido exige tratamento?

O tratamento para o útero retrovertido raramente é necessário. Isso porque a intervenção médica é indicada apenas quando a condição causa sintomas significativos ou está associada a outra doença que requer tratamento, como a endometriose ou miomas sintomáticos. Ainda assim, o foco é tratar a causa do problema, e não a posição uterina.

Contudo, é importante ressaltar que o útero retrovertido exige planejamento e manejo cuidadoso em alguns procedimentos ginecológicos, sobretudo em situações que dependem do posicionamento exato do órgão, como a inserção de alguns instrumentos internos.

Qual o próximo passo ao receber o diagnóstico?

Enfim, receber a notícia de que possui útero retrovertido não deve ser motivo de alarme. O passo mais importante é conversar abertamente com um especialista em reprodução humana para uma avaliação detalhada e individualizada.

Um diagnóstico preciso é essencial para entender se a posição do seu útero é apenas uma característica anatômica ou se está ligada a outra condição que merece atenção.

Na Huntington, nossa equipe está preparada para oferecer o acolhimento, a investigação e o cuidado necessários para que você siga sua jornada com segurança e tranquilidade. Agende uma consulta e vamos juntos cuidar da construção do seu sonho!

REFERÊNCIAS

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