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    Quando um casal entra no consultório, claro que muitas questões são feitas. Mas aquela que nunca falta é: “quais são as chances de se obter uma gestação?”. E essa é uma questão complexa, por vários motivos.

    Clínicas sérias devem reportar seus dados de forma clara e transparente para a Rede Latino Americana. Os números devem seguir parâmetros estabelecidos para conferir fidelidade, mesmo que sejam ruins. Por exemplo, muito antes de existir uma “lei” que obriga os casais a receber um numero X de embriões, conforme a idade da mulher, a rede já cobrava que nossa clínica reduzisse nossa taxa de gemelaridade que estava dos 20% aceitáveis (olha que era na ocasião de 22%!). Portanto, começamos a reduzir o número de embriões transferidos muito antes da lei. E com taxas muito boas.

    As taxas de gestação de hoje devem ficar entre 40 e 50%. Ainda temos valores mais próximos de 40%, mas isso está mudando progressivamente, principalmente pela capacidade do laboratório em levar os embriões a estágios mais evoluídos e assim mais fisiológicos. Isto é uma conquista. Há menos de dois anos, ter uma taxa de embriões transferidos em dia 5 (blastocistos) de 80% era utópico. Hoje é a regra!

    Sempre tomo cuidado com estes números. Por uma questão de matemática simples, estes números são gerais. Quando olhamos para o individuo, a regra é clara: 0 ou 100%. Não há meio termo. Contudo, acho importante saber que o casal irá interpretar estes números de forma clara.

    Quero ainda alertar que estas taxas são muito variáveis. Recentemente estive no último congresso europeu em Istambul e era muito comum ver que muitos países se contentam com taxas de 25 a 30%. Realidades diferentes e financiamentos públicos podem ser determinantes para estas taxas. Muitos países europeus têm formas diferentes de entender reprodução humana. Diferente das Américas, por exemplo.

    Não acho que estamos num patamar de conforto, pelo contrário, acredito que temos muito a crescer em termos de resultados: entender melhor o útero, obter dados mais concretos dos embriões e talvez a popularização (principalmente financeira) das biópsias embrionárias podem ser um início.

    Espero que em um dia próximo, quando o casal perguntar sobre as chances de sucesso  do tratamento, eu possa tranquilamente responder que nossa preocupação não é mais obter a gestação e, sim, evitar os múltiplos.

    Dr. Vamberto Maia Filho, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington

     

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