A disfunção ovulatória é uma condição que gera muitas incertezas para quem sonha em ter um filho, pois é uma das causas mais comuns de infertilidade feminina.
No entanto, é fundamental destacar que existem caminhos e tratamentos. Então, se você está enfrentando ciclos irregulares ou dificuldade para engravidar, saiba que não está sozinha e que o primeiro passo é buscar informação de qualidade!
O que é a disfunção ovulatória?
A disfunção ovulatória é um termo que descreve uma irregularidade ou ausência de ovulação. Em um ciclo menstrual regular, os ovários liberam um óvulo maduro todos os meses. Quando essa liberação não ocorre ou acontece de forma imprevisível, a concepção natural se torna mais difícil.
É importante destacar que a disfunção ovariana crônica, que se manifesta pela ovulação infrequente ou totalmente ausente, é a principal causa da infertilidade anovulatória.
Essa condição pode se manifestar de duas formas principais: a anovulação é a ausência total da ovulação, enquanto a oligo-ovulação se refere a uma ovulação infrequente ou irregular. Ambas impactam diretamente a capacidade de engravidar, pois sem a liberação do óvulo, não há como ocorrer a fecundação pelo espermatozoide.
Quais são os principais sinais e sintomas?
O sinal mais evidente da disfunção ovulatória é a alteração no ciclo menstrual. No entanto, outros sintomas podem estar associados e servem como um alerta para buscar avaliação médica especializada. Por isso, é importante observar seu corpo e seus padrões.
Os sintomas mais comuns incluem:
- Ciclos menstruais irregulares: períodos que vêm com menos de 21 dias ou mais de 35 dias de intervalo;
- Ausência de menstruação (amenorreia): não menstruar por três meses ou mais;
- Fluxo menstrual muito leve ou muito intenso: alterações significativas no volume do sangramento;
- Sinais de excesso de hormônios masculinos: como aumento de pelos no rosto e no corpo (hirsutismo), acne severa e queda de cabelo.
Vale destacar que ter um ciclo irregular eventualmente pode ser normal. Contudo, a persistência desses sinais é o que indica a necessidade de uma investigação mais aprofundada.
No vídeo a seguir, entenda como seu ciclo menstrual impacta a fertilidade.
Quais são as causas mais comuns da disfunção ovulatória?
A ovulação é um processo complexo regulado por um delicado equilíbrio hormonal. Por isso, diversas condições podem interferir nesse mecanismo, levando à disfunção ovulatória. Identificar a causa é o passo fundamental para definir o tratamento mais adequado para cada pessoa.
Entre as principais causas, podemos citar:
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP): é a causa mais frequente e trata-se de um desequilíbrio hormonal que interfere na maturação dos óvulos. Essa é a condição endócrina mais comum em mulheres em idade fértil, afetando entre 5% e 21% da população feminina;
- Disfunções da tireoide: tanto o hipotireoidismo (baixa produção hormonal) quanto o hipertireoidismo (produção excessiva) podem afetar a ovulação;
- Hiperprolactinemia: níveis elevados do hormônio prolactina, responsável pela produção de leite, podem inibir a ovulação;
- Fatores de estilo de vida: estresse excessivo, baixo peso corporal, obesidade e prática de exercícios físicos extenuantes também podem desregular o eixo hormonal;
- Baixa reserva ovariana: está relacionada principalmente ao avanço da idade e indica uma quantidade reduzida de óvulos disponíveis.
Mas como a Dra. Gabriella de Oliveira, especialista em reprodução assistida, explica: “várias condições médicas podem afetar a reserva ovariana. As mais comuns são: endometriose, cistos no ovário, câncer, menopausa precoce, doenças da tireoide e doenças autoimunes.”
Como o diagnóstico é realizado?
O diagnóstico da disfunção ovulatória é feito por um médico especialista em reprodução humana por meio de uma avaliação cuidadosa e individualizada. Geralmente, o processo envolve algumas etapas para entender o quadro clínico completo da paciente:
- Anamnese detalhada: uma conversa sobre seu histórico de saúde, regularidade dos ciclos menstruais e estilo de vida;
- Exames de sangue hormonais: para medir os níveis de hormônios importantes como FSH, LH, estrogênio, progesterona, prolactina e hormônios da tireoide;
- Ultrassonografia transvaginal: permite avaliar a aparência dos ovários, contar os folículos antrais (que indicam a reserva ovariana) e acompanhar o crescimento folicular durante o ciclo.
É possível engravidar com disfunção ovulatória?
Sim, é totalmente possível engravidar! A chave para o sucesso é identificar a causa da disfunção e iniciar o tratamento adequado para restaurar a ovulação ou utilizar técnicas de reprodução assistida que contornem essa dificuldade.
Cada caso é único e o tratamento é personalizado, portanto, o acompanhamento médico é essencial para definir a melhor estratégia, sempre com acolhimento e cuidado, respeitando à sua jornada.
Quais tratamentos de reprodução assistida podem ajudar?
Quando a disfunção ovulatória é confirmada, existem alguns tratamentos eficazes que podem aumentar significativamente as chances de gravidez. No entanto, a escolha da técnica dependerá da causa base, da idade da mulher e de outros fatores de fertilidade do casal.
Indução da ovulação com coito programado
Geralmente, a indução da ovulação com coito programado é o primeiro passo. O tratamento utiliza medicamentos hormonais, via oral ou injetáveis, para estimular o desenvolvimento de um ou mais folículos ovarianos.
Em seguida, o crescimento é monitorado por ultrassom e, quando o folículo atinge o tamanho ideal, o casal é orientado a ter relações sexuais no período de maior fertilidade.
Inseminação intrauterina
A Inseminação Intrauterina (IIU), também conhecida como inseminação artificial, combina a indução da ovulação com a introdução de uma amostra de sêmen processada diretamente no útero. Esse procedimento aumenta a quantidade de espermatozoides que chegam às trompas, facilitando o encontro com o óvulo.
Para mulheres com infertilidade causada por disfunção ovulatória, a IIU é a técnica de reprodução assistida que oferece o maior benefício.
Fertilização In Vitro
A Fertilização In Vitro (FIV) é um tratamento de alta complexidade muito eficaz. O processo envolve a estimulação ovariana para produzir múltiplos óvulos, que são coletados e fertilizados em laboratório com os espermatozoides. Os embriões formados são cultivados e, em seguida, transferidos para o útero da paciente.
É importante ressaltar que para mulheres com SOP, uma causa comum de disfunção ovulatória, existe uma técnica específica. A Maturação In Vitro (MIV) pode ser utilizada para engravidar, e ela oferece uma grande vantagem: reduz muito o risco de desenvolver a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO).
Qual é o primeiro passo que devo dar?
O primeiro e mais importante passo é agendar uma consulta com um especialista em reprodução humana. Além disso, investigar a causa da irregularidade menstrual ou da dificuldade para engravidar é fundamental para traçar um plano de tratamento que seja eficaz e seguro para você.
Na Huntington, entendemos a delicadeza desta jornada. Por isso, nossa equipe está preparada para acolher a sua história, esclarecer todas as suas dúvidas e oferecer um cuidado humano e individualizado, baseado na excelência médica e científica!
REFERÊNCIAS
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