Embora muitas vezes usados como sinônimos, esterilidade e infertilidade descrevem cenários distintos. Em resumo, a infertilidade aponta uma dificuldade, enquanto a esterilidade indica uma impossibilidade de conceber de forma natural.
Compreender essa distinção é essencial não apenas para o diagnóstico correto, mas também para direcionar a busca por ajuda especializada. Por isso, reunimos informações sobre cada condição, quais são as principais causas e caminhos que podem ser seguidos a partir do diagnóstico.
O que é infertilidade?
A infertilidade é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a dificuldade de um casal obter uma gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares e sem o uso de métodos contraceptivos. Esse período é reduzido para seis meses para mulheres com mais de 35 anos.
Dados globais apontam que entre 8% e 12% dos casais enfrentam dificuldades para engravidar. Desses, problemas relacionados à fertilidade masculina, como a baixa qualidade do espermatozoide, contribuem significativamente, respondendo por 40% a 50% dos casos.
É importante destacar que um diagnóstico de infertilidade não significa uma incapacidade total de engravidar. A condição, muitas vezes chamada de subfertilidade, indica uma redução na capacidade de conceber, mas não a impossibilidade total.
Existem fatores que diminuem as chances de uma concepção natural, mas que podem, em muitos casos, ser tratados ou contornados com auxílio médico, sendo a principal razão para buscar técnicas de reprodução assistida, como a Fertilização In Vitro (FIV).
E o que define a esterilidade?
A esterilidade, por outro lado, é a condição que impossibilita de forma absoluta a concepção por meios naturais. Geralmente, está associada à incapacidade de produzir gametas (óvulos ou espermatozoides) ou a uma obstrução física permanente que impede o encontro deles.
Diferente da infertilidade, a esterilidade representa um quadro onde as chances de gravidez sem intervenção médica são consideradas nulas. No entanto, isso não significa o fim do sonho da parentalidade, pois a medicina reprodutiva oferece alternativas.
Quais são as principais diferenças em um resumo prático?
Para simplificar, a principal distinção está na possibilidade de concepção. Em resumo, ambos os cenários exigem avaliação médica, mas o ponto de partida e as abordagens podem variar:
- Infertilidade: refere-se à dificuldade de engravidar naturalmente. As chances são reduzidas, mas existem. O tratamento pode focar em corrigir a causa ou em aumentar as probabilidades de concepção;
- Esterilidade: refere-se à impossibilidade de engravidar naturalmente, então, as chances são nulas sem intervenção. O caminho geralmente envolve técnicas de reprodução assistida mais complexas, como a doação de gametas.
Quais são as possíveis causas da infertilidade?
A infertilidade é uma condição que pode ser causada por fatores femininos, masculinos ou uma combinação de ambos. Portanto, uma avaliação detalhada é crucial para identificar a origem do problema.
Fatores femininos
- Distúrbios ovulatórios: como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP);
- Obstruções nas trompas: frequentemente causadas por infecções ou endometriose;
- Alterações uterinas: miomas, pólipos ou malformações congênitas. Além disso, a dificuldade prolongada para engravidar pode ser causada por anomalias estruturais raras nos órgãos reprodutivos;
- Endometriose: crescimento do tecido endometrial fora do útero;
- Idade avançada: a qualidade e a quantidade dos óvulos diminuem com o tempo.
Fatores masculinos
- Baixa produção de espermatozoides: ou problemas na qualidade e motilidade;
- Varicocele: dilatação das veias dos testículos que pode afetar a produção de sêmen.
- Obstruções nos ductos: impedem a passagem dos espermatozoides;
- Fatores hormonais ou genéticos.
Confira no vídeo a seguir quais doenças podem causar infertilidade e como identificá-las.
E as causas da esterilidade?
As causas da esterilidade costumam ser mais definitivas e ligadas a condições que impedem permanentemente a produção ou o encontro dos gametas.
- Azoospermia não obstrutiva: ausência total de produção de espermatozoides;
- Falência ovariana prematura: esgotamento da reserva de óvulos antes dos 40 anos;
- Ausência congênita de órgãos reprodutivos: como a ausência do útero ou dos testículos;
- Procedimentos cirúrgicos: vasectomia e laqueadura são formas de esterilização voluntária.
Como o diagnóstico é realizado?
O diagnóstico tanto da infertilidade quanto da esterilidade começa com uma consulta detalhada com um especialista em reprodução humana. A partir daí, o médico irá avaliar o histórico do casal ou da pessoa e solicitar exames específicos.
Entre os exames mais comuns estão as dosagens hormonais, o espermograma para avaliar a qualidade do sêmen, a ultrassonografia pélvica para visualizar os órgãos reprodutivos femininos e a histerossalpingografia, que verifica a saúde das trompas e do útero. Ou seja, cada caso é único e a investigação é personalizada.
A reprodução assistida é um caminho possível?
Sim, a medicina reprodutiva avançou significativamente e oferece esperança para a maioria dos casos. Para a infertilidade, tratamentos como a Inseminação Artificial (IA) ou FIV podem aumentar as chances de sucesso ao facilitar o encontro entre óvulo e espermatozoide.
Nos casos de esterilidade, a FIV continua sendo uma poderosa aliada. Inclusive, quando não há produção de gametas, é possível recorrer a um banco de óvulos ou sêmen doados. Para mulheres sem útero, o útero de substituição (conhecido popularmente como “barriga de aluguel”) é uma alternativa regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Qual o primeiro passo para quem busca ajuda?
O primeiro e mais importante passo é procurar um especialista em reprodução humana. Receber um diagnóstico pode ser um momento delicado, mas é fundamental para entender as possibilidades e os caminhos disponíveis.
“Quando envolvemos diversas especialidades médicas no tratamento de fertilidade, os pacientes sentem que estão sendo acolhidos como seres humanos, não como produtores de um óvulo ou de um espermatozoide que podem resultar em bons embriões. É o acolhimento ao paciente de forma completa”, explica a Dra. Livia Munhoz, especialista em reprodução assistida.
Lembre-se que cada jornada é única e o suporte de uma equipe médica acolhedora e experiente faz toda a diferença. Agendar uma conversa com um especialista é o passo inicial para receber orientação, cuidado individualizado e transformar o sonho de ter um filho em realidade!
REFERÊNCIAS
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