Mulher em um consultório fazendo exame de reserva ovariana para avaliar a fertilidade

Exame de reserva ovariana: saiba o que é e como avalia a fertilidade

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O exame de reserva ovariana avalia a quantidade de óvulos ainda disponíveis nos ovários da mulher. Ele pode ser pedido quando existe a necessidade de entender melhor o potencial fértil no momento ou quando há planejamento de uma gravidez.

No geral, a avaliação costuma combinar exames de sangue e de imagem. Entre eles, estão a dosagem do hormônio antimülleriano e a ultrassonografia transvaginal, que permite a contagem de folículos antrais.

A indicação do exame e a preocupação com o resultado costumam gerar dúvidas entre as pacientes. Sendo assim, compreender cada etapa ajuda a tornar o processo mais tranquilo e a saber o que esperar da investigação.

O que é a reserva ovariana e por que ela diminui?

A reserva ovariana é o termo usado para falar da quantidade de folículos que a mulher tem nos ovários em um determinado momento. Diferente dos homens, que produzem espermatozoides ao longo da vida, a mulher já nasce com todos os óvulos que vai ter.

Esse “estoque” vai diminuindo naturalmente a cada ciclo menstrual e com o passar dos anos. A queda costuma ficar mais evidente a partir dos 35 anos e se acentua depois dos 40. Algumas situações também podem acelerar essa redução, como cirurgias nos ovários, tratamentos oncológicos e algumas condições genéticas.

A relação entre idade e quantidade de óvulos

A idade é o principal fator que influencia a reserva ovariana. A mulher já nasce com um número finito de óvulos, cerca de um a dois milhões. Na puberdade, esse total já cai para algo em torno de 300 a 500 mil. E, ao longo da vida reprodutiva, milhares de óvulos são perdidos a cada ciclo, ainda que normalmente só um seja liberado na ovulação.

Acompanhar a reserva ovariana é, portanto, avaliar o “estoque” de óvulos que restam. 

Quando o exame de reserva ovariana é indicado?

Um especialista em reprodução humana ou um ginecologista pode pedir a avaliação da reserva ovariana em várias situações, já que a ideia é ter informações que ajudem a orientar decisões sobre fertilidade e planejamento familiar.

Sendo assim, as principais indicações costumam incluir:

  • Histórico familiar de menopausa precoce, antes dos 40 anos;
  • Mulheres com 35 anos ou mais que estão planejando engravidar;
  • Mulheres que pensam em congelar óvulos para preservar a fertilidade;
  • Períodos antes de procedimentos que possam impactar a fertilidade, como quimioterapia ou cirurgias nos ovários;
  • Casais com dificuldade para conseguir gestação depois de um ano de tentativas (ou seis meses, quando a mulher tem mais de 35 anos);
  • Períodos antes de começar tratamentos de reprodução assistida, como a Fertilização In Vitro (FIV), para ajudar a prever a resposta dos ovários à estimulação.

Além de ajudar a definir o momento certo de investigar a fertilidade, a avaliação da reserva ovariana traz informações que podem orientar a conduta médica. Em alguns casos, os resultados ajudam a ajustar o tipo de acompanhamento, indicar caminhos mais adequados e alinhar expectativas, sempre considerando o histórico e os objetivos de cada paciente.

Quais exames avaliam reserva ovariana?

Não existe um único exame capaz de determinar com 100% de certeza a reserva ovariana. O que se faz, na prática, é combinar vários marcadores para chegar a uma estimativa mais confiável. Assim, os dois mais usados são a dosagem do hormônio antimülleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais (CFA).

Dosagem do hormônio antimülleriano (AMH)

O AMH é um hormônio produzido pelas células dos folículos ovarianos em desenvolvimento e seus níveis no sangue costumam refletir a quantidade de folículos ainda presentes nos ovários. Por isso, esse é um dos exames mais usados na avaliação da reserva ovariana e pode ser especialmente útil antes de cirurgias ou tratamentos que possam afetar os ovários.

A coleta é feita por exame de sangue, e pode ser realizada em qualquer fase do ciclo menstrual, já que os níveis de AMH não sofrem variações significativas ao longo do mês.

Contagem de Folículos Antrais (CFA) por ultrassonografia

Outro exame importante na avaliação é a contagem de folículos antrais (CFA), que é feito por meio de uma ultrassonografia transvaginal, de preferência no começo do ciclo menstrual, geralmente entre o segundo e o quinto dia.

Nesse exame, o médico vê e conta os pequenos folículos presentes em cada ovário, que têm entre dois e 10 milímetros. A soma desses folículos ajuda a estimar a reserva ovariana. A quantidade de folículos presentes em cada ovário varia em cada ciclo.

Outros marcadores hormonais

Além do AMH e da CFA, outros hormônios também podem ajudar a complementar a avaliação. Entre eles, estão o hormônio folículo-estimulante (FSH) e o estradiol, que são dosados no início do ciclo menstrual.

Quando o FSH está alto, pode indicar uma reserva ovariana baixa, pois o organismo precisa de um estímulo maior para tentar fazer os ovários funcionarem. A inibina B, produzida pelos folículos, também pode ser analisada e entra como mais um dado na investigação.

Como os resultados do exame são interpretados?

Os resultados dos exames de reserva ovariana devem ser interpretados por um médico especialista, que considera o conjunto das informações, incluindo a idade da paciente, o histórico clínico e outros fatores que podem influenciar a fertilidade.

Com essa avaliação, é possível orientar a mulher sobre as chances de uma gestação espontânea e, quando necessário, indicar o acompanhamento ou o tratamento adequado.

Reserva ovariana e qualidade dos óvulos são a mesma coisa?

Os exames de reserva ovariana ajudam a estimar a quantidade de óvulos disponíveis, mas não avaliam a qualidade deles. A qualidade dos óvulos está relacionada principalmente à idade da mulher e influencia as chances de formar um embrião saudável.

Isso significa que uma mulher jovem pode ter uma reserva ovariana baixa, mas ainda contar com óvulos de melhor qualidade do que uma mulher mais velha com uma reserva maior.

Uma baixa reserva ovariana impede a gravidez?

Um diagnóstico de baixa reserva ovariana não significa que a mulher seja infértil. Nesse caso, o resultado indica que o número de óvulos disponíveis é menor e que o tempo para tentar engravidar pode ser mais limitado. Em algumas situações, a resposta aos tratamentos de fertilidade também pode ser reduzida. 

Ainda assim, muitas mulheres com baixa reserva ovariana conseguem engravidar naturalmente, principalmente quando mantêm ciclos ovulatórios regulares.

Na prática, o exame funciona como uma ferramenta para orientar as próximas decisões. Com essas informações, a paciente e o médico podem definir a estratégia mais adequada, seja intensificar as tentativas de gravidez, considerar o congelamento de óvulos ou iniciar um tratamento de reprodução assistida, como a FIV.

Como cada mulher tem uma história e uma realidade reprodutiva diferentes, os resultados dos exames sempre precisam ser avaliados em conjunto com a idade, o histórico de saúde e os planos para uma futura gestação. Se você quer entender sua reserva ovariana ou está planejando engravidar, agende uma consulta com os especialistas do Grupo Huntington!

REFERÊNCIAS

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