Embriologista avaliando a possibilidade de FIV com embriões congelados para a paciente de reprodução assistida

FIV com embriões congelados: o que é e quando a técnica é indicada?

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A FIV com embriões congelados é uma forma de Fertilização In Vitro em que embriões são congelados após a fertilização e transferidos para o útero em outro momento do tratamento. A técnica pode ser indicada quando o médico aponta essa como a melhor estratégia.

Nesse caso, os embriões podem permanecer congelados por semanas, meses ou até anos antes de serem utilizados, e o tratamento inclui etapas como o congelamento, o armazenamento, o preparo do endométrio e a transferência embrionária.

A decisão de congelar os embriões e adiar a transferência para outro momento costuma levantar muitas dúvidas. Por isso, entender como cada etapa acontece ajuda a paciente a saber o que esperar do tratamento como um todo.

O que é a FIV com embriões congelados?

A Fertilização In Vitro com transferência de embriões congelados, também chamada de TEC, é um tratamento em que os embriões formados na FIV são congelados para serem transferidos ao útero em outro ciclo.

O processo começa com a estimulação dos ovários, a coleta dos óvulos e a fecundação em laboratório. Depois do desenvolvimento inicial, os embriões são congelados por vitrificação, uma técnica que faz o congelamento de forma rápida para preservar as células.

A transferência acontece em outro momento, quando o corpo da mulher já se recuperou da estimulação hormonal. Nesse período, o útero é preparado para receber o embrião descongelado, o que pode ajudar a tornar o ambiente mais favorável para a gestação.

Quando essa técnica é recomendada?

A decisão de congelar todos os embriões, técnica que é chamada de freeze-all, ou só parte deles depende da avaliação médica e das condições de cada tratamento. Nesse sentido, as indicações mais comuns envolvem:

  • Embriões excedentes: quando o ciclo de FIV resulta em mais embriões de boa qualidade do que o número transferido, os excedentes são congelados, e isso permite novas tentativas sem a necessidade de repetir toda a estimulação ovariana;
  • Preparo inadequado do endométrio: em alguns ciclos, o endométrio não atinge o padrão ideal para receber o embrião. Nesses casos, os embriões são congelados para que a transferência aconteça em um ciclo futuro, com preparo mais adequado do útero;
  • Preservação da fertilidade: em casos como tratamentos oncológicos ou cirurgias que podem afetar a fertilidade, os embriões podem ser congelados para uso futuro. Essa estratégia também pode ser usada no planejamento reprodutivo antes de terapias que afetem a função ovariana;
  • Necessidade de teste genético pré-implantacional (PGT): quando existe a indicação de analisar os embriões para identificar alterações cromossômicas ou doenças genéticas, o congelamento é necessário. O exame leva alguns dias para ficar pronto, o que impede a transferência imediata no mesmo ciclo;
  • Risco de Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO): em mulheres que respondem de forma intensa à estimulação hormonal, a transferência no mesmo ciclo pode aumentar o risco de SHO. Nesses casos, o congelamento dos embriões permite que o organismo se recupere antes da transferência, o que pode reduzir complicações e tornar o tratamento mais seguro.

Em alguns casos, o congelamento também é usado para melhorar o timing da transferência, isto é, o momento em que o embrião é colocado no útero em relação ao preparo do endométrio, que é a camada interna do útero onde a gestação se implanta.

Como é a transferência de embriões congelados?

Diferente do ciclo a fresco, na TEC o foco fica no preparo do útero para receber o embrião. O objetivo é alinhar o desenvolvimento do endométrio com o estágio em que o embrião foi congelado, para que essa sincronia favoreça a implantação.

Preparo do endométrio

O preparo do endométrio pode acontecer em ciclo natural ou com uso de hormônios. 

No ciclo natural, o acompanhamento é feito por ultrassons para identificar a ovulação espontânea, e a transferência é marcada de acordo com o estágio do embrião congelado. Um embrião de cinco dias, por exemplo, é transferido cinco dias após a ovulação.

Já no ciclo com reposição hormonal, o endométrio é preparado com medicamentos à base de estrogênio, que estimulam seu crescimento. Quando a espessura está adequada, entra a progesterona, que ajusta o endométrio para receber o embrião. 

A transferência acontece depois de alguns dias de uso da progesterona, segundo o médico.

Transferência dos embriões

A transferência embrionária é considerada um procedimento rápido e, na maioria das vezes, sem dor, parecido com um exame ginecológico. Com um ultrassom abdominal, o médico introduz um cateter fino pelo colo do útero e deposita o embrião na cavidade uterina.

Depois do procedimento, a paciente fica em repouso por pouco tempo e, em seguida, pode voltar à rotina. Em geral, são dadas apenas algumas orientações para os dias seguintes.

Quais são as vantagens desse método?

A escolha entre transferir embriões a fresco ou congelados depende das características de cada tratamento. Ainda assim, a TEC traz algumas vantagens que ajudam a organizar melhor o processo e, em muitos casos, tornam a condução mais segura, como:

  • O momento da transferência pode ser definido com mais flexibilidade, levando em conta o melhor encaixe entre o preparo do útero e a rotina da paciente;
  • Quando existe a necessidade de testes genéticos nos embriões, a TEC se torna o caminho natural, já que o resultado dessas análises exige tempo antes da transferência;
  • O preparo do útero pode ser feito de forma mais controlada, com ajuste dos hormônios para deixar o endométrio em condições mais adequadas para receber o embrião;
  • O risco de piora da síndrome de hiperestimulação ovariana não está presente, já que a transferência acontece em um ciclo sem estímulo intenso dos ovários, permitindo mais tempo de recuperação do organismo.

Além desses pontos, uma revisão publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews aponta que a TEC pode ser mais adequada em situações em que o ambiente hormonal do ciclo estimulado não favorece a implantação.

Quanto tempo um embrião pode ficar congelado?

Os embriões congelados podem ficar armazenados por longos períodos sem perda significativa de viabilidade. Na vitrificação, as atividades celulares ficam praticamente “interrompidas”, já que o embrião é mantido em nitrogênio líquido a -196 °C.

No Brasil, a criopreservação de embriões segue normas estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que orientam o armazenamento e possíveis decisões sobre descarte. Ainda assim, cada clínica pode ter políticas próprias para o armazenamento de longo prazo, por isso esses pontos costumam ser discutidos ao longo do tratamento.

É seguro fazer o congelamento de embriões?

O congelamento por vitrificação é uma técnica muito estudada na reprodução assistida e, até o momento, os dados disponíveis não mostram aumento no risco de malformações congênitas quando comparado à transferência a fresco ou à concepção natural. 

Conforme uma meta-análise publicada na Human Reproduction Update, a vitrificação mantém boa taxa de sobrevivência embrionária depois do descongelamento e não altera de forma significativa os desfechos avaliados em segurança reprodutiva.

De qualquer forma, a decisão sobre o congelamento de embriões deve sempre levar em conta o histórico de cada paciente e os objetivos do tratamento, com acompanhamento próximo do especialista em reprodução humana. 

Quando indicado, o procedimento segue protocolos bem estabelecidos e faz parte da rotina da reprodução assistida. Para esclarecer dúvidas ou avaliar a melhor estratégia para o seu caso, agende uma consulta com os especialistas do Grupo Huntington!

REFERÊNCIAS

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