Muitas vezes, a conversa sobre aumentar a família muitas vezes vem acompanhada de sonhos e expectativas. Para casais que buscam a ajuda da reprodução assistida, uma dúvida comum surge ao se planejar é: será que há mais chances de gêmeos na Fertilização In Vitro?
Embora a FIV seja associada a gestações múltiplas, é fundamental destacar que o objetivo principal da medicina reprodutiva é garantir uma gravidez segura e o nascimento de um bebê saudável. A possibilidade de gêmeos é uma consequência do processo, não um objetivo a ser perseguido. Entenda o porquê!
A FIV aumenta as chances de uma gestação gemelar?
Geralmente, a Fertilização In Vitro está ligada a uma maior incidência de gêmeos devido à prática de transferir mais de um embrião para o útero. Essa estratégia visa aumentar as chances de implantação e, consequentemente, de uma gravidez bem-sucedida, especialmente em casos onde a qualidade embrionária ou a idade da paciente são fatores relevantes.
Quando dois ou mais embriões são transferidos, cada um deles tem a chance de se implantar no endométrio e se desenvolver. Se dois conseguem se fixar e evoluir, o resultado é uma gestação de gêmeos fraternos, também conhecidos como bivitelinos. No entanto, com os avanços da reprodução assistida, a transferência de um único embrião tem se tornado a conduta preferencial em muitos casos.
Qual a diferença entre gêmeos idênticos e fraternos na FIV?
É importante distinguir os dois tipos de gemelaridade para entender o que pode ocorrer durante o tratamento. A maior parte das gestações gemelares na Fertilização In Vitro ocorre de uma forma específica.
- Gêmeos fraternos (bivitelinos): são os mais comuns na FIV. Eles se originam de dois óvulos e dois espermatozoides diferentes, resultando em dois embriões distintos. Geneticamente, são como quaisquer irmãos que nasceram em partos diferentes, apenas compartilhando o mesmo útero;
- Gêmeos idênticos (univitelinos): ocorrem quando um único embrião, formado por um óvulo e um espermatozoide, se divide em dois após a fecundação. Esse é um evento biológico espontâneo e mais raro.
É possível garantir uma gravidez de gêmeos pela FIV?
A resposta direta é não! Não é possível “encomendar” uma gestação de gêmeos por Fertilização In Vitro. O principal motivo é que a medicina reprodutiva não trata a gemelaridade como uma meta, mas como um possível desfecho que exige monitoramento e cuidados redobrados.
Com o avanço das tecnologias de cultivo e seleção embrionária, tornou-se mais seguro e eficaz transferir um único embrião de alta qualidade. Essa abordagem reduz drasticamente as chances de uma gravidez múltipla, focando no resultado mais seguro: um bebê por vez.
Quais são os riscos de uma gravidez gemelar?
Embora a ideia de ter dois bebês de uma vez seja encantadora, uma gestação múltipla é classificada como de alto risco. Ela exige um acompanhamento pré-natal mais rigoroso devido às maiores chances de complicações tanto para a mãe quanto para os bebês.
Gestações de gêmeos por Fertilização In Vitro, por exemplo, apresentam um risco maior de pressão alta e pré-eclâmpsia quando comparadas a gestações múltiplas que ocorrem naturalmente.
Riscos para a mãe
- Pré-eclâmpsia: aumento da pressão arterial que pode afetar vários órgãos;
- Diabetes gestacional: elevação dos níveis de açúcar no sangue durante a gravidez;
- Maior desconforto: devido ao aumento do volume uterino e sobrecarga do corpo;
- Maior probabilidade de parto cesárea.
Riscos para os bebês
- Parto prematuro: a maioria das gestações gemelares termina antes das 40 semanas;
- Baixo peso ao nascer: bebês prematuros frequentemente nascem com peso inferior ao ideal;
- Complicações da prematuridade: como dificuldades respiratórias e necessidade de cuidados intensivos neonatais.
E se um único embrião transferido gerar gêmeos?
Sim, isso pode acontecer. Mesmo quando apenas um embrião é transferido para o útero, existe a possibilidade de ele se dividir e dar origem a gêmeos idênticos (univitelinos). Esse é um evento natural e imprevisível, cuja chance é de aproximadamente 1% a 2% nos tratamentos de FIV, um pouco maior do que nas gestações naturais.
Portanto, mesmo com a transferência de um único embrião para minimizar os riscos, a chance de gemelaridade, embora pequena, nunca é zero.
Como a decisão sobre o número de embriões é tomada?
A escolha de quantos embriões transferir é uma das decisões mais importantes do tratamento de FIV. Ela é feita pelo médico especialista em reprodução humana em conversa aberta com o casal ou paciente.
Diversos fatores são avaliados, como a idade da mulher, a qualidade dos embriões disponíveis, o histórico de tratamentos anteriores e as condições gerais de saúde. O objetivo é sempre personalizar a estratégia para maximizar a chance de um resultado positivo, com o menor risco possível.
Assim, o diálogo com seu médico é fundamental para alinhar expectativas e tomar a melhor decisão para a construção da sua família com segurança.
REFERÊNCIAS
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