A aspiração folicular é uma etapa fundamental e cercada de expectativas no tratamento de Fertilização In Vitro (FIV), sendo o momento em que os óvulos são coletados para a fertilização em laboratório. Estudos mostram que esse procedimento é realizado de forma rotineira e segura, representando o ponto de transição entre a estimulação ovariana e a criação dos embriões.
Compreendemos que esse momento pode gerar ansiedade e dúvidas sobre o processo clínico. Por isso, detalhamos cada fase para que você se sinta segura e acolhida, transformando a técnica médica em um passo tranquilo rumo à realização do seu sonho.
O que é a aspiração folicular?
A aspiração folicular, também conhecida como punção ovariana, é o procedimento médico que consiste na coleta dos óvulos presentes dentro dos folículos ovarianos. Após o período de estimulação hormonal, os folículos atingem o tamanho ideal e o procedimento é agendado para captar as células reprodutivas femininas antes que ocorra a ovulação natural.
O objetivo central é obter óvulos maduros e com boa qualidade para que possam ser fecundados pelos espermatozoides em ambiente laboratorial. Esse processo é essencial tanto para a Fertilização In Vitro quanto para o congelamento de óvulos, garantindo que o material genético seja preservado com todo o rigor científico necessário.
De acordo com a Dra. Sofia Andrade, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington, explica que “a maior parte dos folículos disponíveis naquele ciclo menstrual serão puncionados para obter o melhor número possível de óvulos dentro do menor espaço de tempo.”
Para garantir a máxima precisão, o médico utiliza o auxílio do ultrassom durante todo o tempo. Isso permite que a coleta seja feita de forma certeira, focando apenas nos folículos desenvolvidos.
Como é feito o preparo para o procedimento?
O preparo para a aspiração folicular começa cerca de 34 a 36 horas antes do procedimento, com a aplicação do medicamento conhecido como gatilho ou trigger. Essa medicação finaliza a maturação dos óvulos, permitindo que eles se soltem das paredes dos folículos para serem aspirados com sucesso pela equipe médica.
Segundo a Dra. Sofia Andrade, “a dose hormonal utilizada é controlada de acordo com a reserva ovariana da paciente e pode ser reajustada a cada ultrassonografia.”
Estatísticas indicam que o momento ideal para realizar a coleta fica em uma janela entre 32 e 39 horas após essa última injeção. Seguir esse cronograma com exatidão garante que os óvulos estejam no ponto certo de amadurecimento para serem fertilizados.
No dia da aspiração, algumas orientações fundamentais devem ser seguidas:
- Jejum absoluto: o período de jejum costuma ser de 8 horas, incluindo água, devido à necessidade de sedação;
- Presença de acompanhante: por envolver anestesia, é indispensável que a paciente esteja acompanhada para o retorno à residência;
- Vestimentas confortáveis: recomenda-se o uso de roupas leves e a remoção de esmaltes, joias ou maquiagem para facilitar a monitorização clínica;
- Horário rigoroso: a pontualidade é crucial para garantir que os óvulos sejam coletados antes da ovulação espontânea.
Como o procedimento é realizado na prática?
A aspiração folicular é considerada um procedimento minimamente invasivo e rápido, com duração média de 20 a 30 minutos. O processo ocorre em ambiente ambulatorial controlado, garantindo total assepsia e segurança para a paciente e para os gametas coletados.
Em resumo, o passo a passo técnico envolve:
- Sedação: a paciente recebe uma anestesia leve por via endovenosa para garantir que não sinta nenhuma dor ou desconforto durante a coleta;
- Guiagem por ultrassom: o médico utiliza um transdutor de ultrassom transvaginal para visualizar os folículos em tempo real e guiar a coleta;
- Aspiração: uma agulha muito fina acoplada ao sistema de vácuo alcança os ovários para coletar o líquido onde o óvulo se encontra;
- Técnicas de lavagem: em alguns casos, utilizam-se lavagens seguras que ajudam a coletar mais óvulos sem interferir na saúde do material genético;
- Coleta imediata: o líquido aspirado é depositado em tubos de ensaio aquecidos e entregue imediatamente ao embriologista.
O que acontece com os óvulos após a coleta?
Enquanto a paciente inicia a recuperação da sedação, o trabalho continua no laboratório de embriologia. O profissional analisa o líquido sob o microscópio para identificar os óvulos e classificá-los de acordo com seu estágio de maturação.
Apenas os óvulos maduros são seguidos para as próximas etapas, que podem ser a fertilização imediata com os espermatozoides ou o processo de vitrificação (congelamento ultrarrápido).
É importante lembrar que o número de folículos vistos no ultrassom pode nem sempre corresponder ao número exato de óvulos aproveitáveis, pois alguns folículos podem estar vazios.
Assista ao vídeo a seguir e entenda os outros passos da Fertilização In Vitro:
Como é a recuperação após a aspiração folicular?
A recuperação costuma ser rápida e tranquila, permitindo que a paciente retorne para casa cerca de duas horas após o término do procedimento. Durante esse tempo, ela permanece em observação na clínica até que os efeitos da sedação desapareçam completamente e os sinais vitais estejam estáveis.
Alguns sintomas leves podem ser observados nas primeiras 24 horas:
- Cólica abdominal: sensação semelhante ao período menstrual, que costuma ceder com analgésicos comuns prescritos pelo médico;
- Leve sangramento vaginal: pequenas manchas de sangue podem ocorrer devido à punção da parede vaginal;
- Sensação de inchaço: o abdômen pode permanecer levemente sensível devido à estimulação ovariana prévia.
Além disso, é recomendável o repouso relativo no dia da coleta, evitando esforços físicos intensos ou relações sexuais. Geralmente, a rotina habitual pode ser retomada no dia seguinte, conforme a orientação individualizada do seu especialista.
Existem riscos envolvidos no processo?
A aspiração de óvulos é um procedimento de alta segurança e as complicações são consideradas raras na medicina reprodutiva moderna. O uso contínuo de tecnologias de imagem e o monitoramento preciso garantem um ambiente protegido para a mulher.
Como qualquer intervenção médica, existem riscos mínimos de infecção, sangramento interno ou reações à anestesia, que são rigorosamente monitorados pela equipe clínica.
A Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (SHO) é uma condição que a equipe médica busca prevenir durante todo o tratamento. Segundo protocolos atuais, o ajuste das medicações e o acompanhamento constante minimizam significativamente essas possibilidades, garantindo que sua saúde esteja sempre em primeiro lugar.
Manter uma comunicação aberta com seu médico e seguir todas as recomendações é o melhor caminho para uma jornada segura. Se você deseja iniciar o tratamento de FIV ou tirar dúvidas específicas sobre cada etapa, agende uma consulta com os especialistas em reprodução humana do Grupo Huntington!
REFERÊNCIAS
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