Receber o diagnóstico de baixa reserva ovariana pode gerar muitas dúvidas e ansiedade. No entanto, essa condição não significa, necessariamente, que a gravidez seja impossível.
Embora, nesses casos, a quantidade de óvulos disponíveis seja menor, existem diferentes estratégias e tratamentos que podem aumentar as chances de gestação, de acordo com a idade da mulher, a saúde reprodutiva e o grau da redução da reserva ovariana.
O mais importante é buscar uma avaliação com um especialista em reprodução humana o quanto antes. Isso porque, com um diagnóstico preciso e um plano de tratamento individualizado, é possível identificar o caminho mais adequado para cada caso, seja por meio da tentativa de gravidez espontânea ou através da reprodução assistida.
Neste artigo, você vai entender o que é a baixa reserva ovariana, como ela afeta a fertilidade e quais são as principais opções para quem deseja engravidar.
O que significa ter baixa reserva ovariana?
A baixa reserva ovariana é a redução da quantidade de óvulos disponíveis nos ovários em comparação ao esperado para a idade da mulher. Porém, diferente do que se pode pensar, não é sinônimo de infertilidade.
Toda mulher já nasce com um número finito de óvulos, que diminui progressivamente a cada ciclo menstrual. A condição refere-se à quantidade de folículos (estruturas que contêm os óvulos) nos ovários, quando está abaixo do esperado para a faixa etária.
Assim, uma reserva ovariana reduzida indica que o “estoque” de óvulos está diminuindo de forma mais acelerada. Isso sinaliza uma janela reprodutiva potencialmente mais curta, o que torna a avaliação e o planejamento com um especialista ainda mais importantes.
Quais são as principais causas da reserva ovariana diminuída?
Vários fatores podem levar à redução da quantidade de óvulos. Por isso, conhecer as causas ajuda a direcionar a investigação e a traçar a melhor estratégia reprodutiva.
“Várias condições médicas podem afetar a reserva ovariana. As mais comuns são: endometriose, cirurgias de retirada de cistos no ovário, tratamentos para câncer, menopausa precoce, doenças da tireoide e doenças autoimunes”, afirma a Dra. Bárbara Melo , especialista em reprodução assistida.
Fator idade: o principal elemento
A principal causa da baixa reserva ovariana é o envelhecimento natural. Isso porque a partir dos 35 anos, a queda na quantidade e na qualidade dos óvulos se torna mais acentuada, com uma aceleração significativa após os 40 anos. Trata-se de um processo fisiológico do corpo feminino.
Condições médicas e cirúrgicas
Algumas condições de saúde e procedimentos podem impactar diretamente os ovários. Cirurgias para remover cistos ovarianos ou tratar endometriose severa, por exemplo, podem remover tecido ovariano saudável junto com a lesão.
Além disso, tratamentos oncológicos como quimioterapia e radioterapia na região pélvica são conhecidos por seu efeito tóxico sobre os folículos ovarianos.
Fatores genéticos e estilo de vida
Histórico familiar de menopausa precoce (antes dos 40 anos) pode ser um sinal de alerta. Doenças autoimunes e o tabagismo são outros fatores que podem acelerar a perda de óvulos.
Como o diagnóstico é confirmado?
A suspeita de baixa reserva ovariana é confirmada por meio de exames específicos, que avaliam indiretamente o potencial reprodutivo dos ovários. Os dois principais são:
- Dosagem do Hormônio Antimülleriano (AMH): um exame de sangue que mede os níveis desse hormônio, produzido pelas células dos folículos em crescimento. Níveis mais baixos de AMH (geralmente abaixo de 1,0 ng/mL) sugerem uma reserva reduzida;
- Contagem de Folículos Antrais (CFA): um ultrassom transvaginal, realizado no início do ciclo menstrual (entre o 2º e o 5º dia), que permite ao médico visualizar e contar o número de folículos presentes nos ovários. Em resumo, uma contagem baixa indica menor reserva.
O especialista em reprodução humana é o profissional que deve analisar os resultados em conjunto com a idade e o histórico clínico da paciente para oferecer um panorama completo.
É possível engravidar naturalmente com baixa reserva ovariana?
Sim, é possível. A gravidez espontânea pode acontecer enquanto houver ovulação, mas o principal desafio é o tempo. Com menos óvulos disponíveis, a probabilidade de um óvulo saudável ser liberado e fecundado a cada ciclo diminui. Por isso, para mulheres com baixa reserva, especialmente acima dos 35 anos, a recomendação é não adiar a consulta com um especialista em reprodução assistida.
A orientação médica é fundamental para definir a melhor estratégia, que pode variar desde tentativas naturais assistidas (como o coito programado) até a indicação de tratamentos mais complexos. De qualquer forma, para muitas mulheres com baixa reserva ovariana, a reprodução assistida é considerada a principal alternativa para alcançar a gravidez.
Quais tratamentos de reprodução assistida são indicados?
A medicina reprodutiva oferece diversas alternativas para mulheres com baixa reserva ovariana. No entanto, a escolha do tratamento depende da idade, dos resultados dos exames e do histórico do casal.
Fertilização In Vitro
A Fertilização In Vitro (FIV) é um dos tratamentos mais indicados no caso de baixa reserva ovariana. Nesse caso, o objetivo é estimular os ovários com hormônios para obter o maior número possível de óvulos maduros em um único ciclo. Esses óvulos são coletados e fecundados em laboratório. Os embriões gerados são cultivados e, em seguida, transferidos para o útero.
Para pacientes com baixa reserva, existem protocolos de estimulação específicos, como o uso de doses adaptadas de medicação ou a técnica de “duplo estímulo” (DuoStim), que realiza duas coletas de óvulos no mesmo ciclo menstrual. Nesse contexto, estratégias como a FIV e o rastreamento genético são fundamentais para personalizar os tratamentos, adaptando-os às necessidades individuais de cada mulher.
Mini-FIV como uma abordagem mais suave
A Mini-FIV utiliza doses menores de medicação hormonal e o objetivo não é recrutar um grande número de folículos, mas sim focar na obtenção de poucos óvulos de melhor qualidade. Essa abordagem pode ser indicada para mulheres que respondem mal às altas doses de hormônios, além de reduzir custos e efeitos colaterais.
Congelamento de óvulos
Para mulheres jovens com diagnóstico de baixa reserva ovariana que não desejam engravidar no momento, o congelamento de óvulos é uma excelente opção. A técnica, chamada de vitrificação, permite preservar os óvulos com a qualidade da idade em que foram coletados, para serem utilizados no futuro em uma FIV..
Ovodoação
Quando a reserva ovariana está muito comprometida ou a qualidade dos óvulos é baixa, a ovodoação se torna uma alternativa de alta eficácia. Nesse tratamento, utiliza-se o óvulo de uma doadora anônima, que é fecundado com o sêmen do parceiro ou de um doador. Em seguida, o embrião formado é transferido para o útero da paciente, que irá gestar o bebê.
O que fazer após receber o diagnóstico?
A informação é a melhor ferramenta para lidar com o diagnóstico de baixa reserva ovariana. O primeiro passo é não se desesperar. Em seguida, procure um especialista em reprodução humana para discutir seus resultados e entender suas opções de forma clara e realista.
Lembre-se de que cada caso é único e que um diagnóstico não define seu futuro, mas sim orienta os próximos passos na sua jornada para a maternidade. O acompanhamento médico especializado é indispensável para traçar o melhor plano para você.
Se você recebeu o diagnóstico de baixa reserva ovariana e deseja entender quais são as melhores opções para o seu caso, agende uma consulta com um especialista da Huntington. Uma avaliação individualizada pode ajudar a definir o tratamento mais adequado para aumentar suas chances de realizar o sonho da maternidade!
REFERÊNCIAS
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