A gestação com óvulos doados faz parte de um procedimento de reprodução assistida que oferece uma nova perspectiva para mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar com os próprios gametas.
Indicada em situações como baixa reserva ovariana, falência ovariana precoce, idade materna avançada ou alterações genéticas, essa técnica permite a formação de embriões a partir de óvulos de uma doadora, que são fecundados e transferidos para o útero da paciente.
Neste artigo, reunimos tudo o que você precisa saber sobre a gestação com óvulos doados: quando ela é recomendada, como funciona cada etapa do tratamento, quais são os critérios para doação e o que considerar antes de tomar essa decisão!
O que é a gestação com óvulos doados?
Também conhecida como ovodoação, essa técnica consiste no uso de óvulos de uma doadora anônima para a realização de um tratamento de Fertilização In Vitro (FIV).
Os óvulos doados são fecundados em laboratório com os espermatozoides do parceiro da receptora ou de um banco de sêmen. E, após o desenvolvimento inicial, o embrião resultante é transferido para o útero da mulher que irá gestar o bebê.
Para muitas famílias, o tratamento de FIV com óvulos doados representa o caminho mais seguro para superar a infertilidade.
Quando a ovodoação é indicada?
A indicação para uma gestação com óvulos doados ocorre quando a mulher não possui óvulos próprios ou quando estes não têm a qualidade necessária para gerar um embrião saudável.
Essa é uma técnica muito bem-sucedida para mulheres que enfrentam a menopausa precoce ou que tiveram falhas em tratamentos anteriores de FIV, por exemplo. Em resumo, as situações mais comuns incluem:
- Baixa reserva ovariana: redução significativa da quantidade de óvulos;
- Menopausa precoce: quando a função ovariana cessa antes dos 40 anos;
- Falhas repetidas em tratamentos de FIV: quando os ciclos anteriores com óvulos próprios não resultaram em gravidez;
- Idade materna avançada: naturalmente, a qualidade dos óvulos diminui com o passar dos anos;
- Doenças genéticas: para evitar a transmissão de condições hereditárias graves.
Como funciona o processo de recepção de óvulos?
O processo de ovorecepção é planejado de forma individualizada para garantir segurança e conforto à paciente receptora. Geralmente, o passo a passo segue as seguintes etapas:
- Escolha da doadora: a equipe médica seleciona uma doadora com características físicas e compatibilidade sanguínea semelhantes às da receptora, respeitando o anonimato obrigatório;
- Sincronização e preparo do útero: a receptora utiliza medicamentos hormonais para preparar o endométrio, camada que reveste o útero, para receber o embrião;
- Fecundação: os óvulos da doadora são fertilizados em laboratório;
- Transferência embrionária: o embrião é colocado delicadamente no útero da receptora através de um procedimento simples;
- Suporte hormonal: a paciente mantém o uso de progesterona para auxiliar na manutenção da gravidez inicial.
O bebê terá as características genéticas da mãe?
Embora o DNA contido no óvulo seja o da doadora, estudos mostram que a mãe receptora exerce um papel fundamental no desenvolvimento do bebê por meio da epigenética. Ela explica que o ambiente uterino pode influenciar a forma como os genes do bebê se expressam.
De acordo com a Dra. Ana Paula Aquino, especialista em reprodução assistida, “o útero não é só uma incubadora, um ‘forno’ no qual eu coloco o embrião, sem nenhuma interferência. O embrião gerado tem características diferentes do que se estivesse em outro útero, há interferências epigenéticas do organismo em que se desenvolve”.
Além disso, o corpo da mulher se adapta de forma incrível para garantir uma gravidez segura. O organismo aumenta a produção de substâncias que ajudam a relaxar as artérias, compensando as diferenças genéticas entre a mãe e o bebê.
Os hábitos de vida, a nutrição e o vínculo emocional construído durante os nove meses de gestação também são determinantes para a formação da criança. É uma conexão profunda que vai muito além da carga genética inicial.
Quais são as chances de sucesso da gestação com óvulos doados?
A doação de óvulos apresenta uma das maiores taxas de sucesso entre os tratamentos de reprodução assistida. Isso acontece porque os óvulos provêm de doadoras jovens, geralmente com menos de 35 anos, cujos gametas possuem alto potencial de fertilização. Esses óvulos apresentam um risco muito menor de alterações cromossômicas, o que favorece o desenvolvimento saudável do embrião.
Por depender mais da qualidade do óvulo do que da idade do útero, a técnica traz esperança renovada para muitas mulheres. No entanto, é importante lembrar que a saúde uterina da receptora e a qualidade do sêmen também influenciam o resultado final.
Quais são as regras para a doação de óvulos no Brasil?
No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece normas éticas rigorosas para garantir a segurança de todos os envolvidos. Algumas das principais regras incluem:
- Anonimato: a doadora e receptora não devem conhecer a identidade uma da outra;
- Caráter não comercial: a doação não pode ter fins lucrativos ou comerciais;
- Idade da doadora: a doadora deve ter menos de 37 anos obrigatoriamente, mas aqui na clinica aceitamos preferencialmente doadoras com menos de 35 anos;
- Parentesco: a doação pode ser feita por parentes de até quarto grau de um dos parceiros. Somente nesse caso a doação não será anônima.
A doação feita por familiares é uma opção que permite manter o vínculo genético dentro da família. Para muitas mulheres, essa alternativa torna o processo emocionalmente mais tranquilo e acolhedor. É uma forma de compartilhar o sonho da maternidade com o apoio de pessoas próximas.
Existem riscos na gravidez com óvulos doados?
Os riscos de uma gestação por ovodoação são semelhantes aos de uma gravidez espontânea na mesma faixa etária.
Isso porque o corpo da mãe receptora atua ativamente para proteger a gestação, produzindo substâncias que regulam a pressão arterial e facilitam a circulação. Esses mecanismos biológicos naturais trabalham para que o desenvolvimento do bebê ocorra sem intercorrências.
A Dra. Ana Paula Aquino destaca que doar e receber óvulos são técnicas seguras que aumentam significativamente as chances de gravidez. Ela reforça que a coleta não consome a reserva futura da doadora, pois são colhidos apenas óvulos que seriam naturalmente descartados naquele ciclo.
Assista ao vídeo a seguir para aprofundar os seus conhecimentos sobre a doação de óvulos.
Na Huntington, acreditamos que cada história é única e merece um olhar humano e técnico de excelência. Por isso, nossa equipe multidisciplinar oferece suporte médico, laboratorial e emocional para que você se sinta segura e acolhida durante todo o tratamento.
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REFERÊNCIAS
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