A gravidez por FIV representa a realização de um sonho para milhares de famílias que buscam a reprodução assistida para superar desafios de fertilidade. É natural que surjam dúvidas e receios sobre a segurança dessa gestação, especialmente após um longo percurso de tentativas. Por isso, reunimos informações importantes e tranquilizadoras.
Afinal, a gravidez por FIV é considerada de risco?
Uma gestação obtida por meio da técnica de Fertilização In Vitro não é considerada de alto risco apenas pelo método de concepção. O que define a necessidade de cuidados redobrados são as características de saúde da paciente e os fatores que levaram à necessidade do tratamento.
“A mulher que está em tratamento apresenta, com frequência, algum fator que contribui para a infertilidade e também para eventos obstétricos adversos. Há mulheres com miomas, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, trombofilias ou apenas com idade avançada”, explica o Dr. Ricardo Marinho, especialista em reprodução assistida.
Muitas mulheres que recorrem à FIV possuem condições prévias, como idade avançada ou problemas de saúde subjacentes, que exigem monitoramento contínuo. Dessa forma, o acompanhamento rigoroso serve como uma camada adicional de proteção para assegurar uma evolução tranquila da gestação.
Quais fatores influenciam a segurança da gestação?
Toda paciente candidata a gestar deve ser avaliada adequadamente antes mesmo do início do tratamento. Na Huntington, nosso objetivo é sempre minimizar as intercorrências por meio de um planejamento personalizado, analisando os diversos fatores que influenciam a segurança da gestação para cada paciente, em comum acordo com o seu futuro obstetra.
A influência da idade materna
A idade da mulher é um dos fatores mais determinantes para a saúde gestacional, independentemente de a concepção ser natural ou assistida. Mulheres acima dos 35, e principalmente após os 40 anos, têm uma maior predisposição a condições como diabetes gestacional e hipertensão arterial, aumentando o risco materno e fetal.
O impacto da saúde prévia da paciente
Condições preexistentes, como endometriose, miomas ou Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), mas não só ginecológicas, podem impactar na evolução da gestação, e devem ser adequadamente avaliadas antes da gestação, minimizando o risco de complicações.
Gestações múltiplas
Historicamente, a FIV era associada a uma maior incidência de gêmeos ou até trigêmeos, como consequência do número de embriões que eram transferidos, para compensar as baixas taxas de gravidez naquela época. No entanto, a gestação múltipla está associada a um aumento dos riscos obstétricos maternos e fetais, especialmente à prematuridade.
Atualmente, a tendência é a transferência de um único embrião por vez, com a intenção de reduzir drasticamente a ocorrência de gestações múltiplas e dos riscos associados.
Conforme explica o Dr. Ricardo Marinho: “transfere-se apenas um embrião para evitar a gestação múltipla, que é o maior dos fatores de risco para a prematuridade e baixo peso”.
Quais são as principais diferenças no acompanhamento gestacional?
O acompanhamento gestacional na reprodução assistida começa muito cedo, logo após a confirmação do teste de beta-hCG positivo. Durante as primeiras semanas, o suporte hormonal pode ser necessário para auxiliar na manutenção da gravidez até que a placenta assuma plenamente essa função.
Além disso, o vínculo com a clínica de reprodução assistida costuma ser mantido até o final do primeiro trimestre. Após esse período, a paciente continua o acompanhamento com o seu obstetra de confiança, levando consigo um histórico detalhado do tratamento realizado.
Como reduzir as chances de complicações na gravidez por FIV?
A ciência avançou significativamente para tornar o processo de reprodução assistida cada vez mais seguro e previsível para as famílias. Portanto, algumas práticas fundamentais adotadas por centros de excelência incluem:
- Individualização do protocolo: cada organismo responde de forma única às medicações e procedimentos;
- Testes genéticos pré-implantacionais (PGT-A): ajudam a identificar embriões com maiores chances de uma gestação saudável;
- Transferência de embrião único: recomendação atual para evitar os riscos de uma gravidez múltipla;
- Suporte emocional e psicológico: o bem-estar mental da paciente é essencial para uma experiência gestacional positiva.
Além disso, a realização de exames preparatórios minuciosos, como a histeroscopia, também é uma estratégia essencial para o sucesso. Esse exame permite identificar e tratar alterações no útero antes da transferência, o que aumenta as chances de uma gestação segura sem elevar os riscos.
Assista ao vídeo a seguir para entender o passo a passo da FIV na prática e entender como o tratamento é planejado para garantir a sua segurança!
É possível ter um parto normal após a FIV?
Sim, a via de parto é uma decisão técnica baseada na saúde da mãe e na saúde e posição do bebê ao final da gestação. Ter realizado uma Fertilização In Vitro não obriga a paciente a passar por uma cesariana, permitindo que o desejo pelo parto normal seja respeitado sempre que houver segurança clínica.
No entanto, é importante lembrar que a escolha final deve ser discutida adequadamente com o obstetra, levando em conta todo o histórico médico e o progresso da gravidez. O foco será sempre a saúde e o nascimento seguro do bebê, honrando todo o esforço dedicado para tornar esse sonho realidade.
Se você deseja entender melhor como a medicina reprodutiva pode apoiar o seu desejo de aumentar a família com segurança e acolhimento, agende uma consulta com os nossos especialistas e tire todas as suas dúvidas!
REFERÊNCIAS
EUROPEAN SOCIETY OF HUMAN REPRODUCTION AND EMBRYOLOGY. Guideline on the number of embryos to transfer in IVF/ICSI. Human Reproduction, 2023/2024.
AMERICAN SOCIETY FOR REPRODUCTIVE MEDICINE. Multiple gestation associated with infertility therapy: a committee opinion. Fertility and Sterility, v. 118, n. 1, p. 98–109, 2022.
AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS. Perinatal risks associated with assisted reproductive technology. Obstetrics & Gynecology, n. 671, 2016.
