Imagine ir a uma consulta de rotina e ouvir seu médico usar uma sigla diferente para descrever uma condição que você conhece há anos. Essa situação pode se tornar cada vez mais comum para mulheres diagnosticadas com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).
A mudança na nomenclatura tem despertado dúvidas: afinal, a doença mudou? O tratamento será diferente? Quem já recebeu o diagnóstico precisa fazer novos exames? Embora o novo nome possa causar estranhamento, ele representa um importante avanço no entendimento científico sobre essa condição.
Ao longo dos últimos anos, pesquisas mostraram que a síndrome vai muito além das alterações nos ovários. Além de impactar a ovulação e a fertilidade, ela também está relacionada a desequilíbrios hormonais, resistência à insulina, aumento do risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outras alterações metabólicas.
Por esse motivo, um consenso internacional publicado em 2026 propôs que a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passasse a ser denominada Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). O novo nome busca refletir de forma mais ampla e precisa a complexidade da condição.
Qual é o novo nome da SOP?
A condição anteriormente conhecida como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou a ser denominada Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), conforme proposta de um consenso internacional que reuniu especialistas de diversas áreas da saúde, sociedades científicas e representantes de pacientes.
A proposta foi publicada em maio de 2026 na revista científica The Lancet e reflete décadas de pesquisa que demonstraram que a síndrome é muito mais complexa do que o nome original sugeria.
Por que a SOP mudou de nome?
A principal razão para a mudança foi a necessidade de maior precisão. O nome “Síndrome dos Ovários Policísticos” gerava confusão e não representava adequadamente a natureza sistêmica da condição, cujos efeitos vão muito além dos ovários.
A atualização busca corrigir três pontos centrais. O novo nome enfatiza que se trata de uma condição complexa, com importantes repercussões metabólicas e hormonais, e não apenas de uma doença dos ovários.
O termo “ovários policísticos” era impreciso
Um dos maiores equívocos gerados pelo nome antigo é a ideia de que a condição é causada por “cistos”. Na realidade, as estruturas visualizadas ao ultrassom correspondem, na maioria das vezes, a folículos ovarianos que interromperam seu desenvolvimento devido a alterações hormonais.
Essas estruturas não são cistos no sentido patológico da palavra. Dessa forma, o termo “ovários policísticos” era considerado impreciso e frequentemente gerava ansiedade desnecessária.
A condição é mais do que um problema ginecológico
Limitar a síndrome aos ovários era uma visão restrita. Hoje, sabe-se que a SOP, agora denominada SOMP, é uma condição endócrino-metabólica complexa. Seus efeitos podem se manifestar em diversos sistemas do organismo, afetando o metabolismo da glicose, a saúde cardiovascular, a pele, a fertilidade e a qualidade de vida.
O foco agora é na saúde metabólica e hormonal
O novo nome direciona a atenção para os dois principais eixos envolvidos na síndrome: o sistema endócrino (hormonal) e o metabolismo.
A SOMP é reconhecida como uma condição hormonal complexa que vai muito além dos ovários, envolvendo alterações metabólicas que influenciam diretamente a saúde reprodutiva e geral da mulher.
Esse entendimento reforça, para pacientes e profissionais de saúde, que o manejo deve ser integral, indo muito além do tratamento das irregularidades menstruais ou das dificuldades para engravidar.
O que significa cada parte da sigla SOMP?
A nova nomenclatura foi escolhida para descrever de forma mais precisa os principais aspectos da síndrome.
| Termo | Significado |
|---|---|
| Ovariana | Mantém a referência aos ovários, reconhecendo seu papel central nos sintomas reprodutivos, como anovulação e irregularidade menstrual. |
| Metabólica | Destaca as alterações no metabolismo, Destaca as alterações metabólicas, especialmente a resistência à insulina, associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, obesidade e doenças cardiovasculares. |
| Poliendócrina | Reflete o envolvimento de múltiplos sistemas hormonais, incluindo o hiperandrogenismo e alterações na produção e na ação da insulina, evidenciando que a síndrome afeta diferentes eixos endócrinos. |
O que essa mudança representa para as pacientes?
A atualização da nomenclatura tem implicações positivas no cuidado e na compreensão da síndrome:
Diagnóstico e abordagem mais completos
Com uma visão mais ampla da doença, a avaliação clínica passa a valorizar não apenas os aspectos reprodutivos, mas também a investigação de alterações metabólicas, como glicemia, resistência à insulina e perfil hormonal, permitindo um tratamento mais individualizado e preventivo.
Foco na saúde integral
Ao reduzir o foco exclusivo nos ovários, a nova nomenclatura reforça que a síndrome deve ser acompanhada de forma global, contemplando não apenas a fertilidade, mas também a prevenção de complicações metabólicas e cardiovasculares ao longo da vida.
Os critérios de diagnóstico foram alterados?
Até o momento, a mudança da nomenclatura não altera os critérios diagnósticos atualmente utilizados, conhecidos como Critérios de Rotterdam. O diagnóstico continua sendo estabelecido pela presença de pelo menos dois dos três critérios abaixo:
- Sinais clínicos ou laboratoriais de excesso de androgênios;
- Ciclos menstruais irregulares ou ausentes (anovulação);
- Morfologia de ovários policísticos ao ultrassom ou volume do ovário elevado.
Entretanto, a nova nomenclatura reforça a relevância de investigar e tratar comorbidades médicas frequentemente associadas à síndrome.
O acompanhamento médico especializado continua sendo fundamental para um diagnóstico preciso e para a definição da melhor estratégia de tratamento, considerando os objetivos e as necessidades individuais de cada mulher.
Portanto, se você apresenta sintomas sugestivos da síndrome ou já recebeu esse diagnóstico, agende uma consulta com os especialista da Huntington para obter um diagnóstico preciso, tratar os sintomas e elaborar um plano de cuidado individualizado, seja para melhorar sua saúde metabólica e hormonal ou para ajudar na realização do seu projeto reprodutivo!
REFERÊNCIAS
American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Posicionamento oficial explicando a mudança de PCOS para PMOS e sua fundamentação científica;
Endocrine Society. Comunicado oficial apoiando a nova nomenclatura.
Monash Centre for Health Research and Implementation. Instituição que liderou o processo internacional de consenso e coordena a Diretriz Internacional sobre PMOS/PCOS.
Society for Endocrinology. Comunicado oficial apoiando a mudança da nomenclatura e descrevendo o processo de consenso.
Teede HJ, Khomami MB, Morman R, et al.; Global Name Change Consortium. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. Lancet. 2026;407(10545):2329-2339. doi:10.1016/S0140-6736(26)00717-8. PMID: 42119588.
