As ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) são condições causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), elas registram mais de 1 milhão de novos casos curáveis por dia no mundo.
Sabemos que o desejo de ter um filho é um dos momentos mais esperados da vida de muitas pessoas, mas ele também traz muitas dúvidas e requer cuidados especiais. Para quem sonha em formar uma família, entender como essas infecções agem e quais afetam o sonho de engravidar é fundamental, pois muitas delas são silenciosas e podem interferir diretamente na capacidade reprodutiva de homens e mulheres.
O que são as ISTs?
A terminologia IST, ou Infecções Sexualmente Transmissíveis, substituiu a antiga sigla DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) para destacar que uma pessoa pode ter e transmitir uma infecção mesmo sem apresentar sinais ou sintomas visíveis.
Tratam-se de doenças transmitidas, prioritariamente, por meio do contato sexual sem proteção, seja por via vaginal, anal ou oral. Além disso, algumas infecções podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, o que reforça a necessidade de um acompanhamento pré-natal rigoroso e de exames de rotina para quem está tentando engravidar.
De acordo com a Dra. Bruna Queiroz, médica da Huntington Pró-Criar, “certas doenças preveníveis por vacinas, como hepatite B e HPV, podem estar associadas a complicações que afetam a saúde reprodutiva e a gestação. Por isso, manter a vacinação em dia é uma importante estratégia de prevenção, contribuindo para uma gestação mais segura e para a proteção da saúde materna e do bebê.”
Como as ISTs podem comprometer o sonho de engravidar?
As Infecções Sexualmente Transmissíveis podem afetar o sistema reprodutor de diversas maneiras, dependendo do agente causador e do tempo de permanência da infecção no organismo. De modo geral, o impacto ocorre por meio de processos inflamatórios que podem gerar cicatrizes e obstruções em canais essenciais para o encontro do óvulo com o espermatozoide.
Nesses casos, o diagnóstico precoce se torna essencial porque algumas infecções, como clamídia e gonorreia, costumam não apresentar sinais claros no corpo. E quando não são identificadas cedo, essas bactérias podem causar danos permanentes nas trompas, dificultando a passagem necessária para a fecundação.
Nas mulheres, a inflamação pode atingir o útero, os ovários e, principalmente, as tubas uterinas. Nos homens, as infecções podem prejudicar a produção de espermatozoides ou causar obstruções nos ductos que os transportam, além de alterar a qualidade do sêmen.
Quais são as principais ISTs que afetam a saúde reprodutiva?
Algumas ISTs são mais frequentemente associadas a dificuldades para conceber devido às complicações que geram a longo prazo. De modo geral as principais são:
Clamídia e gonorreia
A clamídia e a gonorreia são as causas mais comuns de infertilidade evitável no mundo. Nas mulheres, se não tratadas, podem evoluir para a Doença Inflamatória Pélvica (DIP), que causa cicatrizes e obstruções nas tubas uterinas, impedindo a passagem do embrião e aumentando o risco de gravidez ectópica. Nos homens, podem causar a epididimite, uma inflamação que prejudica a maturação e o transporte dos espermatozoides.
A clamídia, especificamente, é uma infecção muito discreta que pode levar ao entupimento das trompas sem que a mulher sinta nada. Além disso, se o tratamento não for realizado logo no início, o risco de enfrentar dificuldades para engravidar pode aumentar. Geralmente, os exames preventivos periódicos são a melhor forma de evitar que essa condição impeça o sonho de ter um bebê.
Sífilis
Embora não cause infertilidade diretamente de forma tão comum quanto a clamídia, a sífilis é uma preocupação grave para a saúde gestacional. Isso porque ela pode causar abortos espontâneos, parto prematuro e a sífilis congênita, trazendo sérias complicações para o desenvolvimento do bebê.
HPV (papilomavírus humano)
O HPV está relacionado ao surgimento de verrugas genitais e lesões no colo do útero. O tratamento dessas lesões, por vezes, envolve procedimentos que podem alterar a produção de muco cervical ou a elasticidade do colo uterino, o que pode dificultar a ascensão dos espermatozoides ou exigir um acompanhamento mais próximo durante a gravidez.
Além disso, o papilomavírus humano também pode impactar diretamente a saúde masculina ao reduzir a qualidade dos espermatozoides. Essa infecção eleva o risco de abortos espontâneos, criando obstáculos tanto na tentativa de gravidez natural quanto em procedimentos de reprodução assistida. É um fator que pode prejudicar a fertilidade do homem mesmo quando ele não apresenta sintomas visíveis.
Micoplasma e ureaplasma
As bactérias micoplasma e ureaplasma, muitas vezes negligenciadas, podem causar inflamações crônicas na uretra e no útero. Estudos sugerem que elas podem interferir na motilidade dos espermatozoides e estar associadas a falhas de implantação embrionária e abortos de repetição.
Além disso, a presença do ureaplasma no organismo masculino pode reduzir tanto a qualidade quanto a quantidade dos espermatozoides. E como essa infecção muitas vezes não mostra sinais externos, o homem pode ter sua fertilidade prejudicada sem perceber. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável para detectar e tratar essas bactérias precocemente.
Assista ao vídeo para entender quais outras doenças podem impactar a fertilidade:
Como identificar os sintomas de uma infecção?
É importante lembrar que muitas ISTs são assintomáticas, mas alguns sinais servem de alerta para buscar ajuda médica imediata. Em todo caso, estar atento ao próprio corpo é um gesto de autocuidado que preserva a fertilidade:
- Corrimentos vaginais ou uretrais com odor forte ou cor alterada;
- Dor ou ardor ao urinar;
- Dor pélvica persistente, especialmente durante as relações sexuais;
- Surgimento de feridas, bolhas ou verrugas na região genital;
- Sangramentos fora do período menstrual ou após o contato íntimo.
É possível engravidar após ter tido uma IST?
Sim, a maioria das pessoas que teve uma infecção tratada adequadamente consegue engravidar sem maiores dificuldades. O risco de infertilidade aumenta proporcionalmente ao número de infecções repetidas e ao tempo em que a pessoa permaneceu sem tratamento.
Para casais que enfrentam dificuldades devido a sequelas de infecções passadas, levando a obstrução tubária, a reprodução assistida oferece caminhos seguros. Técnicas como a Fertilização In Vitro (FIV) permitem contornar as tubas obstruídas, unindo o óvulo ao espermatozoide em ambiente laboratorial para, posteriormente, transferir o embrião ao útero.
Como proteger a sua fertilidade e o futuro da sua família?
O diagnóstico precoce de Infecções Sexualmente Transmissíveis é a estratégia mais eficaz para evitar complicações permanentes. Portanto, realizar o check-up reprodutivo e exames de rastreio regularmente, mesmo sem sintomas, garante que qualquer intercorrência seja resolvida rapidamente, preservando o sistema reprodutor e a saúde reprodutiva de homens e mulheres.
Além da testagem frequente, o uso de preservativos é a forma mais segura de prevenção. Quando o casal decide interromper o uso para tentar a concepção, é recomendável que ambos realizem uma bateria completa de exames para assegurar que o ambiente uterino e a saúde seminal estejam em condições ideais para receber o futuro bebê.
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REFERÊNCIAS
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