Os 7 principais medos dos casais que fazem tratamento para engravidar

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    É com imenso prazer que inicio hoje a escrever alguns relatos da minha experiência como médica especialista em medicina reprodutiva. O objetivo maior é informar pacientes e pessoas interessadas nessa área e, portanto, haverá conteúdo médico técnico, mas, principalmente, tentarei transmitir minhas experiências com os casais pelo lado humano.

    A cada dia que passo, percebo que o sucesso em se obter uma gestação decorrente de um tratamento passa, sim, por técnicas avançadas e conhecimento científico atualizado, porém isso tudo muitas vezes não é suficiente.  Cada vez mais tenho certeza que a confiança, segurança e parceria transmitidas pelo médico são fundamentais para o sucesso dos tratamentos em medicina reprodutiva. Por isso, durante os anos em que estou atuando, precisei me fortalecer psicologicamente para aprimorar o atendimento aos meus pacientes e não tenho dúvida de que, há seis meses, minha experiência em ser mãe me tornou uma médica melhor. Consigo hoje reconhecer preocupações, expectativas e inseguranças antes não tão valorizadas por mim.

    Nesta semana atendi um casal de Goiânia que estava nitidamente assustado com o diagnóstico de infertilidade e com a necessidade de se submeter a um tratamento de fertilização in vitro. Na verdade, vivencio todos os dias muitos medos e angústias em relação aos tratamentos e, por isso, acredito ser muito importante que eles sejam compartilhados. Vou tentar aqui esclarecer o que considero como os 07 principais medos dos casais que fazem tratamento para engravidar.

    1. Será que vou engravidar?

    Na verdade, ninguém tem exatamente essa resposta. O que podemos falar é de chances estatísticas que variam a depender da idade e da existência de algum problema mais ou menos grave. Essa pergunta sempre ficará ecoando na cabeça dos casais que enfrentam dificuldades para engravidar, porém o mais importante é ter a segurança de estar no melhor caminho possível para atingir o objetivo de ter um filho.

    2. Meu marido/esposa vai me deixar, pois o problema é comigo!

    Isso jamais acontece com um casal em sintonia, que luta junto para engravidar.  Costumo sempre enfatizar que a fertilidade é do casal e não responsabilidade de somente um ou outro. Os casais que se separam durante o tratamento já apresentam desavenças anteriores ou outras questões que acabam aflorando devido às expectativas e inseguranças que a infertilidade pode causar.

    3. Vou engordar muito!

    Essa é uma pergunta que quase todas as mulheres me fazem e é um grande mito dos tratamentos para engravidar. O que acontece é que os hormônios usados para indução da ovulação causam retenção hídrica e esse inchaço pode aumentar de 1 a 2 quilos na balança. Também não é aconselhável fazer atividade física, o que pode resultar em aumento de peso. É importante cuidar da dieta, pois a ansiedade, que é inevitável durante o tratamento, pode levar à compulsão por comida, principalmente doces.

    4. Não vou aguentar tomar injeções todos os dias do tratamento!

    Quando se fala em injeção, todo mundo já fica com medo! As injeções usadas são aplicadas na “gordurinha” da barriga, isto é, por via subcutânea, que é a forma menos dolorosa de aplicação. A maioria das mulheres consegue se autoaplicar, até as mais medrosas.

    5. Meu filho vai nascer com problemas!

    Não é verdade. As crianças nascidas de tratamentos de reprodução humana apresentam incidência de malformações semelhante à da população geral. Inclusive, alguns tipos de síndromes ou doenças gênicas podem ser evitados com a técnica de biópsia embrionária, realizada durante a fertilização in vitro.

    6. Vou entrar na menopausa mais cedo porque estou gastando meus óvulos!

    Esse é um medo também muito frequente entre as mulheres e vejo essa angústia também em mulheres que pensam em doar óvulos. Todo mês vários óvulos são recrutados no ovário, ou seja, se “candidatam” a ovular. Porém, somente um ovula naturalmente, selecionado por ser o melhor, e todos os outros morrem. Quando fazemos a indução da ovulação com hormônios, mais de um óvulo consegue atingir a ovulação por estarem sendo mais estimulados. Portanto, esses óvulos a mais iriam morrer naturalmente e, dessa forma, não há maior gasto de óvulos ou menopausa mais precoce.

    7. Esse tratamento vai causar um problema de saúde!

    Essa é uma preocupação constante de nós médicos que fazemos reprodução humana.  Desde o primeiro bebê de proveta em 1979, as mulheres vem sendo acompanhadas para detecção de alguma predisposição a doenças devido ao tratamento. Até o momento, não houve aumento significativo de risco de algum problema de saúde, quer seja benigno ou maligno, como câncer de mama ou ovário.

    Dra. Claudia Gomes Padilla, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

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