O congelamento de óvulos em mulheres com câncer é uma técnica essencial para quem deseja preservar o sonho de ter filhos no futuro. Algumas terapias oncológicas, como quimioterapia e radioterapia, podem afetar os ovários. Por isso, o planejamento antecipado e a união entre oncologistas e especialistas em reprodução são fundamentais.
O processo de congelamento de óvulos em mulheres que vão passar pelo tratamento de câncer representa um avanço significativo na medicina moderna, unindo tecnologia e acolhimento. Sendo assim, buscar orientação logo no início ajuda a garantir que a paciente tenha todas as opções disponíveis.
Neste artigo, você vai conhecer as principais etapas do congelamento de óvulos, quando o procedimento pode ser indicado e quais cuidados devem ser considerados por pacientes oncológicas.
Por que o tratamento oncológico pode afetar a fertilidade feminina?
Alguns tratamentos de câncer podem afetar a fertilidade feminina porque certos medicamentos quimioterápicos e a radiação pélvica podem danificar os folículos ovarianos, reduzindo a quantidade e a qualidade dos óvulos. No entanto, a toxicidade depende da idade da paciente, do tipo de medicação e da dose utilizada durante o combate à doença.
O Dr. Marcos Shiroma, especialista em medicina reprodutiva, explica que é necessário estimar o que, de fato, pode afetar a fertilidade, sendo esse o primeiro passo fundamental do planejamento reprodutivo. Até porque, em alguns casos, o tratamento pode levar à menopausa precoce ou à redução severa da reserva de óvulos.
“A ideia é avaliar a chance de perder a fertilidade após o tratamento e quais são os riscos envolvidos no tipo específico de câncer”, complementa o médico.
Como funciona o congelamento de óvulos em pacientes com câncer?
O processo de preservação da fertilidade em pacientes oncológicas segue um protocolo de urgência conhecido como estímulo em fase aleatória (random start). Diferente do processo convencional, esse modelo permite iniciar a estimulação ovariana em qualquer fase do ciclo menstrual. Isso é fundamental para evitar atrasos no início do tratamento contra o câncer.
Em resumo, as etapas principais do procedimento incluem:
- Estimulação ovariana: uso de medicamentos hormonais para amadurecer os folículos;
- Monitoramento: acompanhamento por ultrassonografias para avaliar o crescimento dos óvulos;
- Coleta de óvulos: procedimento minimamente invasivo realizado sob sedação leve;
- Vitrificação: técnica de congelamento ultrarrápido que mantém a integridade das células.
Todo esse ciclo costuma durar menos de 15 dias. Esse tempo é planejado em conjunto com a equipe de oncologia para garantir que não haja prejuízo ao cronograma de tratamento da paciente contra o tumor.
“Na maioria das vezes, existe um tempo hábil entre 12 e 14 dias antes do início da quimioterapia. É o que precisamos para os procedimentos de congelamento de óvulos ou embriões”, explica o Dr. Marcos Shiroma.
O médico ressalta que o processo pode ser feito a qualquer momento do ciclo menstrual, ou seja, não existe uma data específica para ser iniciado. Essa técnica de preservação da fertilidade em pacientes oncológicos permite que a mulher foque em sua recuperação sem abrir mão de planos familiares.
Assista ao vídeo para entender como o congelamento de óvulos preserva a fertilidade antes do tratamento oncológico.
Existe risco na estimulação hormonal para mulheres com câncer de mama?
Muitas pacientes com câncer de mama, especialmente aquelas com tumores sensíveis a hormônios, questionam se a estimulação ovariana pode afetar o tratamento oncológico. Nesses casos, podem ser utilizados protocolos específicos de estimulação ovariana, que têm como objetivo controlar os níveis de estrogênio durante o processo de coleta dos óvulos.
Essa estratégia permite realizar a preservação da fertilidade de forma adaptada às necessidades da paciente. No entanto, a indicação deve ser individualizada, considerando características do tumor, tratamento oncológico planejado e condições reprodutivas. Por isso, o acompanhamento conjunto entre o oncologista e o especialista em reprodução assistida é fundamental para definir a melhor abordagem em cada caso.
Qual é o papel da equipe multidisciplinar nesse momento?
A jornada da paciente com câncer exige um atendimento humano e integrado entre diferentes especialidades médicas. Por isso, a colaboração entre especialistas em oncologia e oncofertilidade é essencial para planejar e agilizar a preservação da fertilidade. Esse trabalho em sintonia deve ocorrer antes mesmo de iniciar o tratamento contra o câncer.
Geralmente é o oncologista que deve autorizar o adiamento do início do tratamento para viabilizar a preservação dos óvulos. Sendo assim, a integração e o diálogo direto entre os médicos garantem que a mulher receba a orientação adequada para congelar os óvulos a tempo.
Além do suporte clínico, o acompanhamento psicológico é fundamental para auxiliar a lidar com as decisões sobre o futuro. Afinal, o acolhimento é um dos pilares para transformar o sonho da maternidade em realidade.
Quando é o momento ideal para procurar um especialista em fertilidade?
O ideal é que a consulta com o especialista em congelamento de óvulos ocorra imediatamente após o diagnóstico de câncer. Isso porque o congelamento de óvulos deve ser discutido antes do início de qualquer sessão de quimioterapia ou radioterapia. A agilidade nessa avaliação inicial é essencial para o sucesso da preservação dos óvulos.
Durante a conversa, o médico irá considerar a idade da paciente e o tempo disponível antes de começar o tratamento oncológico. O planejamento conjunto garante que o procedimento de coleta seja realizado de forma segura e eficaz.
Se você recebeu esse diagnóstico, saiba que existem caminhos seguros para apoiar você em cada etapa deste processo. Agende uma consulta na Huntington para avaliar as possibilidades de preservação da fertilidade e planejar o tratamento de forma individualizada, em conjunto com sua equipe oncológica!
REFERÊNCIAS
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