Congelamento de tecido ovariano pode ajudar mulheres com câncer a se tornarem mães

Texto publicado no Portal Bebe.com

Com grande capacidade de se espalhar para outros órgãos, o câncer ginecológico é um dos mais perigosos e pode soar como um pesadelo na vida das mulheres que ainda desejam ter filhos. Afinal, é possível engravidar depois da doença? Muita gente ainda desconhece o fato de que um tratamento oncológico pode comprometer drasticamente a fertilidade.  As pacientes se empenham na cura do câncer - o que é extremamente importante e compreensível -, mas poucos sabem das consequências.

A ida regular ao ginecologista pode colaborar para que a enfermidade seja descoberta em estágio inicial e, assim, garantir que expectativas – como a da maternidade – sejam concretizadas após o tratamento, que é complexo e invasivo. Em casos mais graves, quando o diagnóstico é realizado tardiamente, a retirada de parte ou de toda a estrutura reprodutiva pode ser necessária para preservar a saúde da paciente.

No entanto, assim como a oncologia, a medicina reprodutiva também tem evoluído rapidamente e já oferece algumas alternativas confiáveis para mulheres que sonham em aumentar a família após a cura da doença. Entre as opções para conservar a fertilidade antes de um tratamento contra o câncer está o congelamento de óvulos, que já está estabelecido, ou de tecido dos ovários, uma técnica atual e promissora.

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A criopreservação do tecido ovariano é indicada para meninas antes da puberdade, para pacientes que não podem ser estimuladas com hormônios ou para aquelas que precisam começar o tratamento quimioterápico com urgência, não tendo tempo para aguardar a indução da ovulação (que demora de 12 a 14 dias) e só então fazer o congelamento de óvulos. O período de internação para a realização deste procedimento cirúrgico - que consiste na retirada de parte ou de todo o ovário por meio de videolaparoscopia – é curto, entre um ou dois dias, o que possibilita um início mais rápido do tratamento oncológico.

Os fragmentos do ovário são congelados por tempo indeterminado e, posteriormente, reimplantados no organismo da paciente, após ela ser liberada para tentar uma gravidez. Quando isso acontece, o tecido pode demorar cerca de quatro meses para voltar a funcionar, recuperando suas funções hormonais. A partir daí, é possível que aconteça a ovulação e a tão esperada fecundação. Se a paciente tiver trompas normais, ela pode engravidar naturalmente. Se a mulher tiver dificuldades, pode ser realizada uma fertilização in vitro (FIV).

Já foram registrados mais de 60 nascimentos no mundo por esta técnica – nenhum ainda no Brasil, porque o reimplante do tecido ovariano ainda não foi feito por aqui. De qualquer forma, estima-se que a chance de uma gestação seja por volta de 35 a 40% – o que é mais uma esperança para mulheres que encaram um câncer em idade reprodutiva.

Dr. Maurício Chehin, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.