Falhas na fertilização in vitro: por que elas ocorrem e o que fazer para conseguir engravidar

Texto publicado no Portal MdeMulher em 13/08/2015. Clique aqui e acesse a matéria no portal.

Desde a sua criação, a fertilização in vitro (FIV) é uma das técnicas mais assertivas para as mulheres que sonham em ter um bebê. O procedimento se confunde com a inseminação artificial, mas a diferença está na formação do embrião, que acontece em laboratório e, posteriormente, com as condições ideais, é transferido para a cavidade uterina da mãe. Mesmo com os estudos e aperfeiçoamentos da FIV – que já alcança uma taxa de gravidez de 50% –, os resultados dependem também de outros fatores, como a idade e as condições de saúde da mulher. Por isso, o sucesso na fertilização não é garantido.

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Abordo, então, um tema comum nos consultórios, quando as tentativas não terminam com um final feliz. Muitas pacientes se perguntam: “devo desistir de ser mãe?”. A resposta é não! A medicina reprodutiva é uma ciência que evolui e faz novas descobertas a cada momento e, por isso, mesmo quando a FIV não funciona de forma recorrente, a esperança de gerar uma nova vida ainda é bastante real.

Uma das razões para o procedimento não dar certo são as falhas no processo de implantação. Daí a importância de adotar medidas para incrementar a qualidade dos gametas e de selecionar os melhores embriões para a transferência. O que pode ser impeditivo é que, às vezes, muitos embriões podem ter alterações genéticas (ou em sua forma) que prejudicam a implantação. Também pode ocorrer alguma deficiência no endométrio (membrana da parede uterina) após essa transferência embrionária.

Há, ainda, doenças ginecológicas que podem dificultar o sucesso do tratamento. A endometriose, doença inflamatória na pelve por conta de focos de endométrio fora do útero, é uma das principais causas de infertilidade. A síndrome dos ovários policísticos (SOP) pode ser outro complicador, por causar alterações dos níveis hormonais e na formação de cistos no ovário. Além desses fatores, o baixo número de óvulos também deve ser considerado. Quando algum desses quadros é detectado, o caso deve ser avaliado individualmente para buscar melhor solução possível para essa mulher que deseja engravidar.

Com as falhas da FIV em algumas pacientes, uma técnica mais complexa tem se mostrado bastante efetiva: o ICSI (sigla de Intra Citoplasmatic Sperm Injection que, em português, significa injeção intracitoplasmática de espermatozoides), que tem um formação do embrião diferente. Neste procedimento, espermatozoide é introduzido no óvulo já maduro, facilitando a fertilização. O ICSI já é indicado desde a primeira tentativa, nos casos em que o pai tem pouca ou nenhuma produção de espermatozoides, quando há muito DNA fragmentado no gameta masculino ou poucos óvulos para serem fertilizados.

Quando há tentativas frustradas com a FIV convencional ou com o ICSI, busca-se aperfeiçoar a seleção dos embriões por técnicas laboratoriais sofisticadas. Elas são capazes de determinar parâmetros morfológicos e de desenvolvimento embrionário que possam prognosticar de forma mais assertiva a chance de gravidez daquele embrião. Técnicas de análise genética também podem ser empregadas. No caso do endométrio, é possível realizar exames que garantam ao máximo a integridade e receptividade desse tecido.

Por fim, vale ressaltar que cada caso de insucesso é avaliado individualmente, pois o ser humano é único. Mesmo quando há problemas na FIV, buscamos uma nova solução para que a vontade de aumentar a família seja concretizada. Os profissionais especializados em reprodução humana não medem esforços para que todas as pacientes consigam seus desejados bebês. Portanto, não desanime caso as primeiras tentativas não cheguem ao resultado esperado.

Dr. Maurício Chehin, médico especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.